Cesárea sem sangue: como a técnica pode salvar mães com placenta precisa ou acreta
Essa técnica inovadora tem como objetivo diminuir os riscos associados ao parto

Você sabia que é possível realizar uma cesárea sem nenhum sangramento? Apesar de parecer algo distante da realidade, essa técnica já é praticada em alguns hospitais, inclusive no Brasil, e pode ser uma verdadeira salvação para mães com condições específicas, como placenta prévia ou placenta acreta. Essa técnica inovadora tem como objetivo diminuir os riscos associados ao parto e garantir mais segurança para a mãe, especialmente em casos de gestação de alto risco.
O que são placenta acreta e placenta prévia?
Antes de entender como funciona a cesárea sem sangue, é importante saber o que são a placenta acreta e a placenta prévia, condições que indicam a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa no momento do parto.
A placenta acreta é quando a placenta se fixa de forma anormal na parede do útero, crescendo mais profundamente do que o normal. Isso pode causar sérios problemas, principalmente na hora da retirada da placenta após o parto. O risco maior é o sangramento intenso, que pode levar a complicações graves para a mãe. A placenta acreta pode ser detectada durante a gestação, geralmente por meio de ultrassonografias e exames mais detalhados, como Doppler ou ressonância magnética.
Já a placenta prévia ocorre quando a placenta se encontra na parte inferior do útero, cobrindo ou ficando próxima do colo do útero. Esse posicionamento também pode levar a sangramentos significativos e aumenta os riscos durante o parto. Assim como na placenta acreta, a placenta prévia também costuma ser identificada durante a gestação, quando a placenta se forma definitivamente, por volta da 13ª semana.
Cuidados antes do parto
Quando diagnosticada qualquer uma dessas condições, a gestante recebe uma série de orientações e cuidados. Dependendo da situação, pode ser recomendado o uso de progesterona, vitaminas e até a restrição de atividades físicas ou sexuais, para evitar o risco de descolamento precoce da placenta.
Porém, mesmo com todos esses cuidados durante a gestação, o parto precisa ser tratado com ainda mais atenção, para garantir que a mãe não sofra complicações graves, como um sangramento descontrolado.
Como funciona a cesárea sem sangue?
A cesárea sem sangue é uma técnica que foi desenvolvida para evitar o risco de hemorragia excessiva durante o parto, principalmente em casos de placenta acreta ou prévia. O principal objetivo dessa abordagem é impedir que o sangue se derrame no campo cirúrgico, permitindo que o médico tenha uma visão clara e a capacidade de agir com precisão durante a operação.
O procedimento conta com a ajuda de balões especiais que são colocados nas artérias que irrigam o útero. O cirurgião vascular realiza a cateterização das artérias femorais da gestante e insere um balão desinflado em cada uma delas. Esses balões são posicionados nas artérias que nutrem o útero e, antes de começar o parto, o cirurgião vascular inflará os balões, bloqueando o fluxo sanguíneo para o útero. Isso garante que, ao iniciar a cesárea, o campo cirúrgico permaneça seco, sem sangramentos, mesmo com a retirada da placenta.
Com o ambiente livre de sangue, o obstetra tem total autonomia para retirar a placenta com mais segurança. Se necessário, ele pode até optar pela realização de uma histerectomia (retirada do útero) sem o risco de complicações hemorrágicas. Sem o uso dos balões, a cirurgia seria muito mais arriscada, com grandes chances de o sangramento ser incontrolável, dificultando a visão do cirurgião e aumentando os riscos de vida para a mãe.
A importância do consentimento e os cuidados com a saúde
É importante destacar que a cesárea sem sangue não é realizada em todos os hospitais e requer uma equipe altamente especializada, incluindo cirurgiões vasculares. Esse procedimento é considerado de alto risco e, por isso, a mãe precisa estar ciente de todas as possibilidades antes da cirurgia. Ela deve assinar um termo de consentimento, no qual é informada sobre os riscos do procedimento e sobre a possibilidade de precisar realizar uma histerectomia.
A técnica, apesar de eficaz, é usada em uma quantidade limitada de casos, tendo em vista que é um procedimento especializado e, embora tenha se mostrado seguro para a mãe, não há risco adicional para o bebê durante a realização do parto.