Estresse durante a gravidez pode afetar crescimento do bebê

Ao analisar mais de vinte espécies de mamíferos, cientistas descobriram impactos diferentes da tensão no início e no final da gravidez.

Por Redação Bebê.com 23 ago 2026, 05h00 | Atualizado em 24 ago 2026, 11h10
Mulher grávida sob tensão
 (AndreyPopov/Thinkstock/Getty Images)
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Uma grande pesquisa internacional deu mais detalhes sobre a já conhecida influência do estresse na gestação e na vida futura do bebê. Ao analisar 719 estudos feitos com 21 espécies de mamíferos, o grupo descobriu que o efeito das situações adversas enfrentadas pela mãe varia conforme o período da exposição.

Para começar, eles concluíram que grávidas que sofrem com estresse constante no final da gestação têm filhos que crescem em ritmo mais lento ainda no útero e nos primeiros meses de vida. Depois do desmame, entretanto, a taxa de crescimento tende a se igualar à dos filhotes que não passaram por adversidades.

Já quando o estresse ocorre no início da gestação – e esse é o achado mais interessante do estudo -, o que parece ocorrer é uma espécie de aceleração no crescimento para garantir a continuidade da espécie. Segundo os autores da pesquisa, é como se o bebê fosse reprogramado, ainda na barriga, para uma expectativa de vida mais curta. Isso resultaria em um desenvolvimento acelerado na tentativa de se reproduzir logo.

“Esse achado pode ajudar a explicar, por exemplo, porque garotas menstruam mais cedo em regiões mais pobres”, comentou o antropólogo Andreas Berghänel, da Universidade do Novo México, autor principal do trabalho. Participaram da investigação também a Universidade de Göttingen, na Alemanha, e o Centro Alemão de Primatas.

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Relação conhecida

“Sabemos há pelo menos trinta anos que o estresse influencia na gestação e no desenvolvimento do bebê”, aponta Luiz Fernando Leite, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. São vários mecanismos envolvidos neste impacto, além dos apontados pelo novo estudo. “Quando está sob tensão, seja pelo motivo que for, a mãe passa a precisar de mais energia dos alimentos que consome, o que limita o repasse de calorias ao bebê”, explica Leite.

Além disso, há um risco maior da placenta envelhecer antes do tempo. A condição, chamada de maturidade placentária acelerada, também é provocada pelo tabagismo e pode prejudicar o aporte de oxigênio e nutrientes ao filho.

Fatores estressantes

No estudo alemão, foram considerados tanto problemas como privação de alimentos quanto alterações em laboratório dos níveis de hormônios do estresse, como o cortisol. Estas substâncias são liberadas aos montes quando passamos por situações desgastantes, que podem ser as mais diversas, especialmente quando falamos de vidas humanas.

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Para se ter uma ideia, outro estudo, realizado por uma universidade canadense com mais de dez mil mães e divulgado em agosto, destacou algumas dessas causas. A principal foi ter que fazer algum exame para investigar suspeitas sobre a saúde do bebê, seguida pelo abandono paterno, separações e discussões com o parceiro.

O problema, vale ressaltar, é o estresse constante. “Não é uma fase tensa ou uma briga que nos preocupa, mas a permanência desse estado durante boa parte da gravidez”, aponta Leite. Por isso mesmo, outros momentos podem ter até papel maior nessa história. “A gestante passa por muitas cobranças e metas, além de fatores como desemprego e problemas financeiros, que são grandes motivos de estresse”, comenta Leite.

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Resta identificar desde cedo essas adversidades e, quando elas forem inevitáveis, buscar táticas para equilibrar a mente.

 

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