Instagram Kids: projeto para menores de 13 anos é interrompido

Após sofrer pressão, a companhia decidiu pausar o projeto que criaria uma versão Kids da plataforma

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 27 set 2021, 18h19 - Publicado em 27 set 2021, 18h12

Em março deste ano, o Instagram divulgou que daria início ao desenvolvimento de uma versão da rede social acessível para crianças menores de treze anos – faixa etária mínima para cadastro no aplicativo hoje. Entretanto, o anúncio do projeto do Instagram Kids não foi bem recebido pela opinião pública.

Após serem pressionados, a companhia decidiu pausar o desenvolvimento da versão. Em nota ao blog oficial, o Head do Instagram, Adam Mosseri, reiterou que o uso da rede por crianças menores que a idade mínima acontece hoje em dia, por isso, o projeto do Kids serviria como uma opção para uma navegação ciente e segura.

“A realidade é que as crianças já estão online, e nós acreditamos que uma experiência mais apropriada para a idade criada especialmente para eles é muito melhor para os pais do que o que temos hoje”, disse ele. Algo similar ao que já acontece em outras plataformas como Google, TikTok, Youtube Kids e Spotify Kids.

O Instagram Kids, que segundo a empresa se voltaria ao público entre 10 e 12 anos, seria uma opção livre de anúncios e nela os pais seriam capazes de controlar a atividade da criança, como aceitar ou não solicitações de novas mensagens e seguidores. “Uma parte importante do que estamos desenvolvendo para o Kids é uma maneira dos pais supervisionarem o uso do Instagram por seus filhos”, afirma Adam, negando que seria uma estratégia para atrair mais seguidores.

  • Mas por que a versão foi interrompida?

    Logo após a divulgação do desenvolvimento da rede social, a companhia enfrentou oposição de grupos de proteção e defesa da criança e cerca de 44 procuradores-gerais encaminharam ao próprio CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, um pedido para que o projeto fosse abandonado.

    Além de tudo, dias antes da publicação da nota de suspensão do Kids, o Wall Street Journal divulgou dados alarmantes sobre a influência negativa de redes sociais como o Instagram e o Facebook na saúde mental de adolescentes e levantou uma alerta para as atividades da companhia.

    Adam Mosseri rebateu as críticas levantadas pelo jornal e afirmou que a pausa no projeto do Instagram Kids seria uma forma de ter mais tempo e oportunidade para ouvir pais e especialistas sobre a ideia. “Para ser claro, não concordo com a forma como o Journal abordou a nossa pesquisa. Embora defendamos a necessidade de desenvolver esta experiência, decidimos pausar esse projeto. Isso nos dará tempo para ouvir preocupações e demonstrar o valor e a importância dele”, rebateu.

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