Será que o celular está acabando com a relação entre você e seu filho?

Você já parou para pensar na quantidade de tempo que você dedica ao seu smartphone? Veja a reflexão desse pai sobre o assunto!

A dádiva maior de ter alguém pra chamar de seu é poder retornar à fase mais incrível da vida humana, que é a infância. É a possibilidade ímpar de estar ao lado de um alguém puro, sem preconceitos e/ou maldade, que transborda amor, pureza, verdade e coração.

Ter uma criança e ser de uma criança é, definitivamente, fugir do perigoso e pernicioso mundo adulto por alguns instantes. Seja o melhor amigo ou a melhor amiga dos seus filhos e conquiste a confiança, o amor e o respeito dia após dia.

Engana-se quem pensa que o filho já nasce transbordando amores pelo pai ou pela mãe e que nada no mundo pode abalar este sentimento. Tsc tsc tsc… grande erro. O respeito, assim como o amor e a confiança, deve ser plantado e não imposto. Trata-se de um aprendizado e de uma conquista diária.

Pois bem…

Dia desses me vi refletindo sobre o nível de atenção dispensado ao bem mais precioso que tenho neste plano espiritual, que é minha pequena Laís, de quatro aninhos e meio. E, ao contrário de alguns meses atrás, não gostei daquilo que foi apontado por minha consciência sem rodeios: “Ei, Guifer, larga o celular. Sua filha está crescendo e você vai perder os melhores momentos, p*#%@!”

– Quem é mais importante em sua vida?

– Quem depende de você para viver?

– Quem larga tudo e todos para ficar contigo?

– Quem troca o brinquedinho pelo seu abraço?

– Quem é a razão da sua existência?

– Por qual real motivo você sai para trabalhar todas as manhãs?

– Por quem o seu amor será sempre incondicional?

– Qual pessoa te espera de braços abertos e pula em teu colo quando chega cansado e te faz enxergar que, apesar de todas as dificuldades, a vida vale a pena?

– Quem é o responsável por te fazer sorrir nos momentos de maior angústia e dissabor?

É o celular? É o computador? É o tablet? É o vídeo game? É a televisão?

Putz. Caramba! Como pude chegar a esse ponto? Sabe quando levamos uma pancada que nos faz acordar pra vida? Então… Nossa, que sensação ruim me deu. E, apesar de o sentimento de decepção ter me machucado, sei que o choque foi necessário para corrigir possíveis reflexos negativos que pudessem surgir lá na frente.

Nunca fui um pai ausente, mas entendo que nunca ter sido faltoso no passado não quer dizer que não sou no presente ou que não vá ser um dia. A vigilância paterna e materna é pra sempre e, ainda assim, poderá não ser suficiente.

Mesmo com todo empenho e cuidado que conduzo minha paternidade desde a gestação, percebi que uma atenção que deveria ser toda da minha pequena estava sendo dividida com o tal bendito (ou maldito) celular.

– A gente correndo juntos e o celular na mão;

– Ela no colo e o celular na mão;

– Eu trocando a fraldinha e espiando o celular com o rabo do olho;

– Eu ofertando seu “tetêzinho” e com o celular ao alcance de alguma forma, enfim…

“Nossa, que espécie de pai estou me tornando? Como assim o tempo que deve ser totalmente da Laís está sendo dividido com um objeto?”, meditei. E esse foi claramente o sinal mais intenso de que estou sendo dominado por algo de relevância zero – e o pior de tudo: de forma 100% inconsciente.

Dificilmente nos damos conta do que acontece ao nosso redor por dois motivos:

Primeiro, por não termos o hábito de avaliar nossos erros e atitudes;

Segundo, por ser muito mais fácil cuidar da vida dos outros.

Fato é que, ao analisar o próprio umbigo, é quase certo que encontraremos situações altamente desconfortáveis e que nos cause vergonha. Entretanto, são ocorrências que têm papel fundamental na hora de nos melhorar como pessoa (neste caso como pais) e possibilitar a chance de reaver um erro que lá na frente pode fazer toda diferença na própria trajetória ou no futuro de alguém especial.

Sabe, Deus nos presenteou com filhos na base da confiança por acreditar que cuidaríamos e exalaríamos o amor que ele próprio emana à humanidade, então, como assim quebrar a confiança de Deus? O que vou dizer a ele? “Ah, Senhor, me perdoa. É que chegou uma mensagem no WhatsApp que eu precisava responder naquela hora!”

Ou algo do tipo: “Ah, Senhor, me perdoa, mas aquela selfie no espelho tinha que ser postada naquele minuto, se não ‘aszinimiga’ não veriam meu cabelo novo!”

Oras! Como assim tratar como opção quem nos trata como prioridade? Eu sou a prioridade da minha filha e a ternura com que ela me olha é a maior prova disso.

E você, papai ou mamãe, também é a prioridade de seu filho ou filha. No entanto, será que vocês têm agido com o mínimo de reciprocidade, tratando os pequenos com a mesma importância, ternura, intensidade e respeito?

Dentre as mais diversas fases da paternidade/maternidade, podemos destacar duas em específico:

 Sinal VERDE: em que temos a certeza de que tudo está correto e o pensamento em voga é:

“Uau. Sou o melhor pai/melhor mãe do mundo!”;

 Sinal AMARELO: em que nos acende um pisca-alerta do tipo:

“Epa! Cadê o pai/a mãe fantástico (a) que estava aqui?”.

Não é o filho quem vai trazer a notícia de que você está sendo um pai ou mãe relapso. Esse é um ‘start’ que precisa partir de nós mesmos por meio de uma reflexão sincera sobre o papel que estamos desempenhando em todos os âmbitos na criação do pequeno.

Às vezes, não temos nem a dimensão da falta que estamos fazendo e nosso maior inimigo é o tempo, uma vez que sua fugacidade age de forma extremamente cruel e, quando acordamos, já perdemos os momentos mais incríveis da vida.

Aliás, esse tipo de autoanálise deve ser feito periodicamente enquanto o filho viver, ou seja, pela ordem natural das coisas devemos nos questionar e nos cobrar todos os dias (e para sempre) se quisermos manter o dificílimo posto de melhor pai ou melhor mãe do mundo – e então se tornar uma referência de orgulho para sua miniatura.

Cuidado com a dependência!

É bem comum ao ser humano aficionado (ou obcecado) em algo dizer que tem controle sobre um vício e que “para quando quer”, concorda? Lembremos que, assim como em qualquer tipo de compulsão, o primeiro passo para o desprendimento é assumir que a prisão existe.

Costumo dizer que não existe irresponsabilidade maior do que a vida de alguém ser alvo de um evento dessa magnitude, como a paternidade/maternidade, e a pessoa fingir que nada aconteceu, sabe? Ou seja, nascer seu herdeiro e você não mudar uma vírgula em sua rotina diária.

O casamento mesmo é um bom exemplo disso: a partir do momento em que subir ao altar você precisa esquecer a vida de solteiro e se adaptar à nova realidade a dois. É uma questão de respeito e responsabilidade. Não é opção, é obrigação.

A grande diferença entre o casamento e o nascimento de um filho é que o matrimônio pode acabar e seu cotidiano voltar a ser como era, ao contrário da paternidade/maternidade, que é, sim, para sempre – querendo ou não.

Não importa o motivo pelo qual seu telefone toca. Quando estiver com seu filho doe-se por inteiro e desligue o celular. Afinal, a criança não merece um “meio-pai” ou uma “meia-mãe”. Entenda que ele é todo seu, então, seja todinho dele também.

Aprenda: numa disputa por atenção entre Celular x Filho, o celular precisa perder!

Filhos são os bens mais preciosos que temos e jamais devem ser trocados por Facebook, Instagram, WhatsApp, Twitter, Youtube, Linkedin, televisão, rádio ou e-mails da vida.

Dica: entre na onda, esqueça o mundo, suje tua roupa, dê risada com o rosto lambuzado de papinha, brinque de boneca e de carrinho, ajude no dever de casa, faça o ‘tetêzinho’, leve-o para tomar vacina com a mesma alegria de um passeio ao parque, jogue-se ao chão, faça cabaninha, brinque de cavalinho, assista desenhos, aprenda a ouvir (e a REaprender); no momento que julgar adequado, fale sobre sexo e drogas e, enfim, aproveite para viajar na deliciosa fantasia que é ter um filho, uma filha ou os dois.

Fernando Guifer

Fernando Guifer é papai babão da prematurinha Laís, jornalista, palestrante, mestre de cerimônias, articulista do portal Comunique-se, embaixador da ONG Prematuridade.com e autor do livro “Diamante no acrílico: entre a vida e o melhor dela”

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