“Eu consegui amamentar meu filho com síndrome de Down”

Contrariando as expectativas, mãe relata como foi o processo de amamentar o filho com essa alteração genética.

Ingrid Câmara é mãe do Nicollas, de 13 anos, e do Alexandre, de 3 aninhos, administradora de empresas e idealizadora do Instagram 21 Motivos Para Sorrir. Aqui, ela conta as dificuldades que enfrentou e o que a amamentação significou para ela após o nascimento do caçula. Confira:

“Em 2003, nasceu meu primeiro filho: Nicollas. E como para muitas mães de primeira viagem, a minha experiência com a amamentação foi muito difícil! Ele tinha uma boa pega, mas eu sentia muita dor e, por falta de experiência, acabei não insistindo. Não tive orientação médica, muito menos acesso a todas as informações que temos hoje. Eu jurava que eu tinha pouco leite, que não estava produzindo o suficiente para o meu filho e, no fim, desisti e passei a dar fórmula. Foi algo que me deixou bem triste, mas segui em frente.

Na segunda gravidez, eu queria que as coisas fossem bem diferentes! Em 2014, quando o Alexandre nasceu, eu me sentia muito mais preparada – eu pesquisei e li muito sobre o assunto. Amamentar era mais que um sonho, era algo que eu queria muito realizar. Mas, de repente, fui surpreendida com a síndrome de Down – que não foi identificada na gestação, apenas após o nascimento. Ainda na maternidade, as enfermeiras me alertaram sobre a possível dificuldade de sugar que o Lele poderia ter.

Depois, em muitas das minhas frustradas pesquisas sobre a síndrome, eu li que devido à hipotonia facial, muitos bebês com Down não conseguem mamar. Fiquei bastante apreensiva por talvez não passar por essa experiência com o meu caçula, mas, para minha surpresa, meu pequeno Lele veio preparado: ele sugava perfeitamente, tinha fome, tinha vontade de mamar e eu estava cheia de leite. Ele realizou o meu sonho!

De qualquer forma, esse foi um período de muita dedicação e, também, de muito autocontrole. Com o susto da notícia da síndrome de Down, eu tive momentos em que não estava muito bem emocionalmente – o famoso medo do desconhecido que muitos pais enfrentam – e, a cada vez que eu chorava com receio do que estava por vir, eu pensava no meu leite, pois tinha medo de que pudesse secar. E diversas vezes minha produção caiu muito, mas eu logo corria para tentar driblar tudo isso: me alimentava melhor e tomava muita água. Além disso, foi muito importante pra mim ter o apoio do meu marido, ele sempre tentava me acalmar e lutou tanto quanto eu para que o Lele pudesse mamar.

Quando meu filho completou cinco meses de vida, minha produção de leite já não era mais a mesma, mas eu já me sentia mais do que vitoriosa por ter conseguido amamentar aquele bebezinho com Down. Nesse momento, introduzimos a fórmula como complemento e eu ainda continuei amamentando o Lele até os sete meses.

Hoje, ele está com 3 aninhos de idade e se tem uma dica que eu posso dar às mães que acabaram de dar à luz um bebê com síndrome de Down é que, sim, é possível amamentar – talvez com um pouco mais de dificuldade, claro, pois o aleitamento materno não é um processo fácil mesmo, mas não podemos desistir! Poder dar de mamar foi algo muito bom para o meu pequeno Lele e uma realização para mim”.

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