Amamentação exclusiva pode reduzir em até 25% risco de obesidade infantil

Achado vem de estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde, feito com cerca de 30 mil crianças na Europa. Entenda!

Por Chloé Pinheiro 21 Maio 2019, 16h22

O aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida, sem fórmulas ou outros alimentos, pode reduzir em 25% o risco de obesidade ainda na infância. O dado vem da Organização Mundial de Saúde, que divulgou no último Congresso Europeu de Obesidade um grande levantamento sobre o tema, feito com mais de 30 mil crianças em 16 países da Europa.

Por outro lado, crianças que não foram amamentadas ou que tomaram o leite da mãe por menos de seis meses estavam mais propensas a serem obesas entre os seis e nove anos de idade — 16% delas enfrentavam o problema, enquanto entre as que foram alimentadas só com o peito a incidência ficou em 9%.  Há várias explicações para esse efeito positivo.

Por exemplo, o aleitamento materno atrasa a introdução de comidas sólidas, que podem ser mais calóricas e inapropriadas para essa fase da vida, além de estar relacionado a um hábito alimentar saudável. “O sabor do leite materno, que varia a cada mamada, faz com que o bebê alimentado tenha, segundo pesquisas, o paladar mais variado e maior facilidade de aceitação de verduras, frutas e legumes depois”, comenta Mônica Carceles Fráguas, pediatra neonatologista e coordenadora do Berçário da Maternidade Pro Matre Paulista.

As fórmulas lácteas, usadas como substitutas, podem facilitar ainda o aumento do tecido adiposo no organismo. “Quando nos alimentamos, a insulina, hormônio que atua no acúmulo de gordura, sobe normalmente, mas a fórmula parece provocar uma elevação maior nesses níveis”, explica Monica.

Outros fatores de risco para a obesidade infantil

A obesidade infantil é um problema de saúde pública em todo o mundo, e há outros fatores de risco já conhecidos para ela além do aleitamento artificial. Entre eles, o cardápio da família, que não deve exagerar nas gorduras e carboidratos de má qualidade, como os dos alimentos ultraprocessados. “Outro fator é a prática reduzida das atividades físicas, porque hoje as crianças perderam o hábito de correr e brincar ao ar livre, e passam mais tempo nos dispositivos eletrônicos”, destaca a pediatra. 

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Amamentação e obesidade na vida adulta

Uma equipe da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, estuda há algum tempo os efeitos mais duradouros da amamentação exclusiva. Em 2018, o grupo publicou um estudo que indica que ela pode impactar bem mais tarde, aos 30 anos de idade. Mais de 3.700 adultos e seus registros de aleitamento e saúde foram analisados.

Entre os achados, o de que o leite materno estava associado à diminuição na camada de gordura visceral, a mais danosa para a saúde, e ao aumento da massa magra no corpo. Outra constatação é a de que o leite materno poderia até moderar a expressão de um dos genes ligados à obesidade, o FTO, o que ajudaria a reduzir o risco da doença aparecer.

Os resultados positivos, divulgados no periódico Science Reports, da Nature, ainda precisam ser confirmados por mais estudos. Enquanto isso não ocorre, vale lembrar que o fato de tomar fórmula não é uma sentença de falta de saúde para o filho. Outros fatores, como a educação alimentar, o nível de atividade física e o comportamento familiar contam muito para o controle do peso e o organismo do bebê como um todo.

“Tomar fórmula artificial não significa que a criança será obesa”, destaca Mônica. Se isso for inevitável, uma alternativa pode ser o aleitamento misto, com um pouco de leite materno, e o acompanhamento periódico do peso da criança com um pediatra de confiança. “Evitar a oferta excessiva de carboidratos, como pães, bolachas, sucos industrializados e estimular brincadeiras ao ar livre também são medidas que ajudam a manter a saúde”, encerra a médica. 

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