O que você precisa saber antes de comprar a cadeira de alimentação do bebê

Conversamos com especialistas que dão dicas e informam o que você precisa levar em consideração na hora de escolher o cadeirão para o seu filho.

Qual é o tamanho ideal? E a altura? Existem vários modelos? Pois é… Comprar o cadeirão para o bebê talvez seja mais difícil do que você imaginava. Pensando nisso, organizamos as principais informações que devem ser levadas em conta na hora de realizar a compra.

Quando é a hora de pensar em adquirir um cadeirão?

Quando o bebê inicia a sua alimentação complementar ao aleitamento materno. Segundo a Dra. Filumena Gomes, pediatra do Instituto da Criança do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas (FMUSP), isso começa a acontecer por volta dos seis meses. “Nessa idade, ele ainda senta com apoio, então essas primeiras experiências alimentares ocorrem no colo da família, que segura o bebê e oferece algum alimento”, diz ela. A doutora afirma que é por volta dos oito meses que a maioria dos bebês já senta sozinho e tem interesse nas atividades da família durante as refeições. Nesse momento, já é interessante possuir uma cadeira de alimentação.

Por que ter um cadeirão?

Muitos pais consideram o cadeirão um gasto supérfluo e acham melhor alimentar o bebê no colo até ele ter tamanho suficiente para se sentar à mesa. A Dra. Filumena atenta sobre a importância da cadeira no desenvolvimento social dos pequenos: “A criança se socializa com a família e fica à vontade para experimentar os novos alimentos da mesa que lhe são oferecidos”.

Também é importante levar em consideração a criação de uma rotina da família, na qual o bebê aprenda que aquele é o lugar das refeições. “Como a atividade de alimentação é familiar, é importante que os pais comam junto com a criança, para que ela aprenda os modos à mesa, como mastigar, segurar os talheres, uso do guardanapo etc.”, diz a doutora. O pediatra e nutrólogo Dr. Fábio Ancona Lopez, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atenta sobre a importância de olhar para a criança na hora de alimentá-la. “Manter o contato visual é bom não só para estabelecer um vínculo afetivo, como também para perceber os sinais que a criança dá, como a aproximação ou afastamento da colher, que indicam se ela já está cheia ou não”, diz ele.

Até quando a cadeira será necessária?

Segundo Reynaldo Silva, gerente nacional de vendas da Lenox, atualmente a recomendação é que as cadeiras suportem um peso de até 15 kg, embora a grande maioria seja estruturada para aguentar um pouco mais, por segurança. Portanto, não é possível estabelecer uma idade limite, já que as crianças se desenvolvem em velocidades diferentes, mas a Dra. Filumena estima que por volta dos três anos de idade o cadeirão começa a ser posto de lado, quando o pequeno já consegue alcançar a mesa com o auxílio de uma almofada para elevar o assento da cadeira. O Dr. Fábio afirma que o uso deve ser feito enquanto a criança se sentir cômoda. “O cadeirão tem limitações, ele prende a criança, restringe seus movimentos”, explica ele. “Quando aquilo começar a incomodá-la, é a hora de pensar em outro arranjo”.

Existem diferentes modelos de cadeirões?

Existem diversos modelos de cadeiras de alimentação, cada um com suas vantagens e desvantagens, que podem ser separadas em três principais categorias. Segundo os especialistas, não é possível dizer que um é melhor que o outro: para o Dr. Fábio, a escolha é uma mera questão de preferência, enquanto Reynaldo afirma que a ideia é justamente criar opções para todos os públicos, atendendo às necessidade de cada um (espaço disponível na casa, portabilidade, entre outras). Veja a descrição de cada tipo para tomar uma decisão mais consciente:

  • Modelo tradicional: aquele em que a cadeirinha e a bandeja são elevadas por um suporte alto. Tem como vantagem restringir a bagunça da criança ao seu próprio espaço, sem sujar a mesa e as outras pessoas. No entanto, devido ao seu tamanho, não é muito portátil e costuma ser o modelo mais caro.
  • Cadeira que se acopla à mesa: consiste basicamente de um assento que se encaixa no tampo da mesa. A vantagem é que permite que o bebê coma junto aos familiares, na mesma altura, além de ser leve e fácil de transportar. Por outro lado, geralmente não tem bandeja e não é reclinável.
  • Booster: são assentos que se prendem com cintos às cadeiras, elevando a criança. Assim como o modelo que se prende à mesa, tem a vantagem de ser bastante portátil, mas é preciso prestar atenção no tipo de cadeira a ser utilizado, para que fique bem fixo e a criança não corra risco de cair.

A primeira coisa a se observar é se o produto exibe o selo de identificação da conformidade do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). “São avaliadas pelo Inmetro questões ligadas à segurança, como o cinto de cinco pontos, estrutura e estabilidade, fechamento da cadeira durante o uso, e a presença de materiais que possam ser tóxicos. Instabilidade com risco de queda e problemas relacionados ao cinto de segurança são os principais itens verificados”, diz Rafael Cavalcanti, porta-voz do Inmetro.

Em fevereiro de 2013, o Instituto publicou a Portaria que estabelece os Requisitos de Avaliação da Conformidade para Cadeiras de Alimentação para Crianças, que deverão ser certificadas e registradas no Inmetro para serem comercializadas no Brasil, com o objetivo de dar mais segurança aos bebês.

Não há tamanho ou altura considerados ideais para um cadeirão. Segundo Rafael, as informações sobre idade, peso e altura adequada devem estar afixadas nas instruções do produto, ou na própria embalagem.

Cadeirões musicais, com brinquedos ou atividades são recomendados? Por quê?

“Cadeiras com muitos acessórios e brinquedos dificultam a sua higienização, além de distraírem a criança do foco principal, que é a alimentação”, diz a Dra. Filumena. “É importante o bebê ter consciência da alimentação, para que ele perceba a sua saciedade e pare de comer quando estiver satisfeito. Quando fica muito distraído com outras atividades, tende a ingerir mais alimentos do que o necessário”. Segundo a médica, esse foco é importante para que a criança desenvolva uma rotina saudável e evite problemas como a obesidade infantil.

Para ela, caso a criança precise de alguma distração até a comida chegar à mesa, ela pode ficar com algum brinquedo, sem haver necessidade de acessórios interativos na cadeira. O Dr. Fábio complementa: “A hora de comer é olhando para a comida. A criança precisa perceber a comida, podendo até brincar com ela, amassar com as mãos, mas sem estímulo externo. Por esse mesmo motivo, as refeições devem ser feitas em um ambiente tranquilo, sem a TV ligada ou outras distrações”.

Como limpar o cadeirão de alimentação? Que produtos devem ser usados para não afetar a saúde do bebê?

“Deve-se imaginar que aquilo é igual a uma mesa em que se come”, diz o Dr. Fábio. A limpeza deve ser bem feita, sem o uso de produtos. Segundo a Dra. Filumena, a melhor forma de limpar o cadeirão é com água abundante e sabão neutro, todos os dias, após cada uso. Ela também sugere usar uma solução antisséptica com menor frequência, uma vez por semana, para promover uma desinfecção mais intensa.

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