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Saúde

Objetos que seu filho é capaz de engolir

Déborah Clemente Atualizado em 02.12.2011
Cláudia Bebê

Nos primeiros anos, a curiosidade natural da criança em relação ao ambiente  faz com que ela leve à boca os mais incríveis (e perigosos) objetos. Fique atenta

 

Baterias

No seu segundo aniversário, O.S.P. ganhou um chaveiro que tocava música e se encantou. Era um brinquedo grande e ele o tocava sem parar. Um dia, de repente, a música cessou e o pequeno foi até a cozinha. Estava com o chaveiro desmontado nas mãos e duas baterias na língua… Mostrou para a mãe o que havia feito e, no instante seguinte, já tinha engolido as baterias. Correram para o pronto-socorro. O maior perigo era de que as baterias, expostas aos ácidos do estômago, se rompessem e o conteúdo vazasse. Por sorte, na radiografia, o médico constatou que, apesar de terem se passado apenas 20 minutos do acidente, elas já tinham chegado intactas ao intestino, de onde foram naturalmente eliminadas, poupando o garoto de uma endoscopia para removê-las.

 

Alfinetes

B.R. tinha 7 meses quando começou a tossir e a expectorar de forma inexplicável. Nenhum sinal de gripe, pneumonia, nada. Mas a tosse ficava cada vez mais assustadora, e os pais procuraram um pronto-socorro. Uma radiografia mostrou que o garoto havia engolido um alfinete de fralda aberto. Ninguém notou quando nem onde o acidente acontecera. O grande risco na ingestão de objetos duros e pontiagudos é de perfuração de órgãos ou obstrução da respiração. No caso de B.R., os médicos avaliaram que o alfinete descia com velocidade pelo aparelho digestivo e, portanto, era possível apenas acompanhar o caso, evitando uma endoscopia. De fato, dois dias depois, o alfinete foi eliminado pelas fezes, sem consequencias mais graves.

 

Parafusos

Aos 2 anos, C.B.A. brincava com um carrinho, ao lado da mãe, e começou a desmontá-lo. De repente, pegou um parafuso e o colocou perto do nariz, aspirando-o em seguida. Paralisada, a mãe não conseguiu impedi-la. A família correu para o hospital em desespero. Os exames indicaram que o parafuso havia se instalado em um dos pulmões. Seria necessário realizar uma broncoscopia. Nesse procedimento, uma cânula é introduzida pelo nariz para localizar e retirar o corpo estranho que se instalou no sistema respiratório. É preciso tomar anestesia geral e, por isso, se a criança estiver com o estômago cheio, aumenta o risco de complicações. Foi o caso de C.B.A. Mas, apesar da espera para a anestesia, a intervenção correu bem.

 

Moedas

C.A.J. estava com 2 anos e pegou algumas moedas. Num impulso, colocou uma delas na boca e engoliu. Na mesma hora, começou a chorar e a apontar para a garganta. No pronto-socorro, foi feita uma radiografia e lá estava a moeda – uma das campeãs em acidentes do gênero. Os médicos avaliaram que não havia risco de perfuração nem de obstrução respiratória. O jeito era aguardar que ele a evacuasse. Depois de três dias, nem sinal da moeda. Nova radiografia do abdome e do tórax nada mostrou. Provavelmente, a moeda tinha sido eliminada sem que ninguém percebesse, como, aliás, termina grande parte dos acidentes do gênero.

 

...e saiba como agir na hora do pânico

Quando se dão conta de que a criança acaba de engolir ou aspirar um corpo estranho, os pais ficam paralisados, sem saber como agir. O grande perigo nessa hora, de acordo com os médicos, é tentar resolver o problema em casa, oferecendo alimentos para forçar o objeto a descer ou dando tapinhas nas costas e colocando a criança de ponta-cabeça para que ele “retorne”.

 

Muita calma nessa hora

É o que os médicos recomendam. O maior risco está em objetos aspirados – pelo nariz ou pela boca – que têm menos probabilidade de ser naturalmente eliminados pelo organismo. Dependendo do ponto em que eles se instalem, as complicações podem começar horas depois do acidente com consequencias graves. Por isso, a ida para o pronto-socorro é sempre indispensável. Mas, na maioria das vezes, nada de pior acontece, principalmente quando se trata de objetos arredondados, como moedas e botões.

 

Não tente manobras em casa

Exceto se a criança apresentar sinais de sufocamento – como ficar roxa e não conseguir respirar –, as manobras são mais perigosas do que o corpo estranho e ainda podem fazer com que se perca um tempo precioso. Até os 3 anos, o baço e o fígado da criança são proporcionalmente maiores do que no adulto e, ao comprimi-los sem conhecimento adequado, pode ocorrer uma ruptura nesses órgãos. Por isso, se o bebê puder respirar, mesmo que com dificuldade, é melhor procurar um médico imediatamente. Em caso de sufocamento, coloque a criança no colo, de barriga para baixo e com a cabeça em um nível mais baixo do que o quadril. Pressione repetidamente as costas dela para aumentar a pressão na caixa toráxica e forçar o objeto a sair.

 

Não ofereça alimentos nem force o vômito

Essas medidas podem agravar o problema e dificultar a ação dos médicos, se for necessário adotar algum procedimento que envolva anestesia. Além disso, tanto a ingestão de alimentos e líquidos quanto o vômito podem complicar o caso com uma pneumonia grave. Não tente também remover um objeto que esteja parado em algum ponto da boca, nariz ou ouvido da criança. A menos que tenha certeza absoluta de conseguir retirá-lo inteiro, vá imediatamente para o pronto-socorro. E mesmo que consiga fazer a remoção em casa, procure o médico rapidamente para se certificar de que não houve nenhum dano. Mesmo no hospital, se o local afetado for nariz ou ouvidos, solicite um otorrinolaringologista, pois a retirada do corpo estranho nesses casos exige equipamento especial.

 

Aprenda a reconhecer os sinais de um acidente do gênero

É comum os pais não perceberem que o filho engoliu, aspirou ou introduziu no ouvido algum corpo estranho. A criança não sabe contar o que aconteceu e até coisas banais, como grãos crus de arroz e de feijão, podem causar problemas. Nem sempre as complicações aparecem logo. Por isso, pense na possibilidade de seu filho ter sido vítima de um acidente do gênero caso ele apresente um dos sintomas a seguir.

 

• Tosse sem causa aparente.

• Infecções respiratórias repetitivas.

• Chiado no peito, geralmente apenas de um lado.

• Secreção amarelo-esverdeada em apenas uma narina.

• Obstrução nasal em apenas um dos lados do nariz.

• Coceira ou dor intensas em um dos ouvidos.

 

Fique esperta

Eliminar – ou pelo menos, minimizar – os riscos ainda é a melhor medida para evitar esse tipo de acidente. Não adianta esperar que uma criança pequena “entenda” que não deve mexer em enfeitinhos, insetos e tantas outras coisas abolutamente fascinantes para quem está descobrindo o mundo. Conheça os objetos campeões nesse tipo de acidente e tenha como norma eliminá-los do alcance do seu filho.

 

Até 2 anos

Eles se encantam com tudo o que é colorido e brilhante. Os maiores riscos ficam por conta de alfinetes, botões, bolinhas de gude, moedas e grãos de alimentos crus (arroz, feijão, milho, amendoim etc.). Acima de 2 anos os pequenos já estão mais habilidosos e ampliaram sua capacidade de alcance. É comum desmontarem brinquedos e se “apropriarem” de objetos instigantes, como relógios, calculadoras e canetas. Os perigos são baterias, parafusos de brinquedos, rodas de carrinho, olhos de bichos de pelúcia e de bonecas, tampinhas de caneta, fragmentos de espuma retirados de almofada e travesseiros, pedaços de papel e peças plásticas.

 

Cuidado redobrado

Segundo os médicos, crianças que já colocaram objetos no nariz ou nos ouvidos tendem a repetir esse comportamento. Não se sabe a causa, mas há casos em que a repetição acontece de modo tão sistemático que é aconselhável acompanhamento psicológico. Por isso, se você já passou por um susto desses, redobre a vigilância. É grande o risco de seu filho repetir a dose.

Fontes

Fábio Luís Peterlini, especialista em Cirurgia Pediátrica e diretor técnico do Hospital São Camilo Ipiranga; Paulo Fernando Souto Bittencourt, pediatra e endoscopista, membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria; Pedro Paulo do Amaral Corrêa, pediatra e neonatologista de São Paulo; Márcio Ronaldo Vera e Silva, otorrinolaringologista de Ribeirão preto (SP)


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