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Higiene

Hora de lavar as mãos

Patricia Golini Publicado em 01.03.2012
lavar as mãos
Getty Images

Muita água e sabonete. A combinação desses dois itens é capaz de afastar inúmeras doenças da criançada

Por meio do tato, as crianças descobrem o mundo. De tanto explorar objetos desconhecidos, os pequenos acabam entrando em contato com micro-organismos mal-feitores. Bactérias, vírus, vermes e protozoários – todos invisíveis a olhos nus – se alojam entre os dedos. Mas nada de pânico! Essa exposição é necessária para desenvolver e fortalecer o sistema imunológico dos pequenos.

 

O problema acontece quando estes germes se acumulam em grande quantidade nas mãos e são levados à boca, ao nariz ou aos olhos. A partir daí, podem adentrar o corpo do pequeno e desencadear diarreias, gripes e até mesmo conjuntivites. Para prevenir doenças mais graves, basta ensiná-los a ter hábitos de higiene, como lavar as mãos.

 

Uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância aponta que esfregar dedos, palma e punho, com muita água e sabão, antes das refeições e logo após o uso do banheiro, pode evitar 44% dos casos de diarreia. “Na maioria das vezes, os desarranjos intestinais são causados pelo contato com bactérias, que estão em quase todas as superfícies”, diz a pesquisadora Claudia Uchôa, da Universidade Federal Fluminense.

 

A lavagem correta das mãos ainda manda para longe o risco de verminoses, como as lombrigas e os oxiúros. Estes parasitas vivem em um ciclo e são expulsos do corpo na hora do cocô. Durante o uso do sanitário, estes micróbios podem entrar em contato com as mãos. “A simples higienização com água e sabonete pode interromper esse ciclo, eliminando os parasitas e diminuindo o risco de verminoses e também de outras doenças intestinais causadas por protozoários, como a giardíase e a amebíase”, comenta a pediatra Wylma Hossaka, do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo.

 

Alguns vírus e bactérias que se acumulam nas pontas dos dedos podem entrar no sistema respiratório, provocando pneumonias e gripes. Quando há uma epidemia, como foi o caso da gripe H1N1, o hábito de higienizar as mãos se torna mais frequente, já que é sempre lembrados pela mídia e pelos órgãos públicos. “É importante que haja uma conscientização diária para este costume seja construído”, defende o infectologista Milton Lapchik, do Hospital Infantil Sabará, na capital paulista.

 

Por imitação

 

As crianças gostam muito de copiar os adultos. Então, para que elas adquiram o hábito, mostre como fazê-lo. Ensine-as que é preciso ensaboar bem as mãos, explicando aos pequenos que esta higienização pode evitar uma série de doenças. Se os adultos apresentarem e reforçarem o costume de lavar as mãos antes das refeições e após a ida ao banheiro, por volta dos quatro anos a criança estará preparada para fazer sua própria higiene, desde que supervisionada. “Para isso, os menores devem ter acesso à pia sem dificuldades com a altura, utilizar sabão neutro e ter uma toalha para secar as mãos”, completa a pediatra. 

 

Limpeza na medida

 

De 0 a 12 meses

Nos primeiros meses de vida, os bebês não exploram chão e objetos tão frequentemente. Apenas o banho deve dar conta de manter as mãos da criança asseada. Se perceber alguma sujeira aparente, deve-se limpá-la com uma gaze e água, sem usar produtos. “Neste momento, é mais importante se preocupar com a higiene dos brinquedos e até mesmo com as mãos dos adultos que pegam os pequenos”, alerta a pediatra.

 

Quando o bebê começa a engatinhar, por volta dos 8 meses, o cuidado com as mãozinhas deve aumentar. Quando acaba a diversão é hora de ir para a pia e mandar a sujeira toda embora. Para evitar que seu explorador fique com as mãos cheias de germes, nada melhor que manter os cômodos por onde ele brinca sempre limpos.

 

1 a 3 anos

Nessa fase, o bebê vai explorar, de maneira intensa, cada cantinho. A partir daí, é importante que os adultos dêem o exemplo e mostrem a importância do hábito de higiene. “Antes das refeições, leve a criança ao banheiro e ensine como lavar as mãos. Coloque sabonete neutro, ensaboe até fazer espuma e ensine a esfregar entre os dedos, palma e punhos”, diz a pesquisadora Claudia Uchôa. A partir daí, a atenção com as unhas deve ser redobrada. Corte-as sempre que preciso e, com uma escova de cerdas macias, esfregue-as levemente para retirar micro-organismos que podem se alojar ali.

 

3 a 6 anos

Por volta dos quatro anos, a criançada já entende a importância de limpar as mãos antes das refeições e após o uso do banheiro. Mas, não custa lembrar!  Nesta idade, já é possível usar produtos com ação antibacteriana, porém o sabonete comum já é suficiente para manter longe os problemas. “O bom senso deve orientar a higienização das mãos. Não se deve parar a brincadeira na areia, terra ou com os animais de estimação para que a criança se lave. Apenas após a diversão, o convite deve ser feito”, orienta Claudia.

 

Veja também: Produtos de higiene infantis

 

Fontes

Pesquisadora Claudia Uchôa, da Universidade Federal Fluminense, do Rio de Janeiro.

Pediatra Wylma Hossaka, do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo.

Infectologista Milton Lapchik, do Hospital Infantil Sabará,  de São Paulo.


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