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Saúde

Exercício na gravidez

Gabriela Cupani Atualizado em 29.10.2013
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Getty Images

A atividade física na gestação, inclusive na reta final dos nove meses, só traz ganhos. E é uma pena — para a mãe e para o filho — que muita gente não se dê conta disso

Ninguém ousa discutir os benefícios da atividade física, mas, quando a mulher engravida, não faltam mães, tias e avós prontas para recomendar vivamente que a futura mamãe pegue bem leve — ou que, no máximo, faça uma caminhadinha. Uma pena. As gestantes podem e devem tirar proveito dos arquiconhecidos efeitos positivos dos exercícios. Para elas, mexer-se traz ainda outro ganho: o risco de um parto prematuro cai pela metade.

 

Isso é o que revelou um estudo conduzido pelo professor de educação física Marlos Domingues na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Ele avaliou o perfil de absolutamente todas as mulheres que deram à luz na cidade gaúcha em 2004 — algo em torno de 4 mil mães. A proporção de partos antes do programado foi menor entre as que se exercitaram durante toda a gestação e, principalmente, no terceiro trimestre, justamente o período em que as grávidas costumam reduzir o ritmo.

 

Enquanto alguns fatores de risco para a prematuridade vêm diminuindo — caso do tabagismo —, outros aumentam assustadoramente. Para ter uma idéia, só na cidade de Pelotas, a incidência de hipertensão na gravidez pulou de 5,3%, em 1982, para 23,9%, em 2004, e a ocorrência de diabete gestacional aumentou dez vezes no mesmo período. “Esses fatores, junto com a obesidade, podem ser minimizados com a atividade física”, lembra Marlos Domingues para justificar o achado.

 

Ele e seus colegas se aprofundaram na investigação e continuam avaliando mães e filhos. Os estudiosos gaúchos querem saber se as mulheres que foram gestantes ativas perderam peso mais rápido ao sair da maternidade, se correram um risco menor de depressão pós-parto e se o desenvolvimento neuromotor e psicológico de seus filhos é diferente do de bebês nascidos de gestantes sedentárias. Ou seja, a pesquisa poderá comprovar muitos outros benefícios do esporte na gravidez.

 

Antes de mais nada, que fique bem claro: cada grávida é uma grávida e a última palavra é sempre a do obstetra. Só ele pode dizer o que a paciente tem condições de fazer. Mas, com o sinal verde, a gestante ganha, e muito, se largar o sedentarismo. Engorda menos, não sofre tanto com dores nas costas e nas pernas graças ao fortalecimento da musculatura e tem menos risco de desenvolver diabete gestacional e hipertensão. Sem contar a melhora no condicionamento e no alongamento, o que facilita por tabela o trabalho de parto. Aliás, um mito precisa ser derrubado: longe de se tornar mais frágil, a futura mãe vira uma espécie de supermulher. Ela tem mais sangue em circulação, ganha flexibilidade, alguns sentidos se aguçam. “Tanto que a gravidez é considerada uma espécie de doping no meio esportivo”, compara Marlos Domingues.

 

Em princípio, não há nenhuma contra-indicação para os exercícios nessa etapa da vida. E isso vale até para as sedentárias inveteradas. “Para elas, por se tratar de um período de intensa adaptação do organismo, vale mais do que nunca a regra de começar aos poucos e fazer uma atividade mais leve, como natação, hidroginástica, ioga, caminhada”, lembra Nilka Donadio, ginecologista e obstetra da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Nesse caso específico, os médicos são praticamente unânimes: as mulheres sedentárias só devem dar a largada após o terceiro mês de gestação, quando o embrião já se implantou. “Aí, há menos risco de aborto”, justifica o ginecologista e obstetra Claudio Bonduki, da Universidade Federal de São Paulo.

 

Quanto às grávidas que já eram assíduas de quadras e academias, elas só precisam fazer um ajuste no ritmo e na intensidade — mas em geral podem manter todas as modalidades com as quais estavam habituadas, até mesmo a corrida. “A intensidade é que deve ser inversamente proporcional ao tempo da gestação”, nota o ortopedista Ricardo Cury, da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, lembrando que no fim da gravidez o barrigão pode, sim, incomodar — e pesar inclusive sobre as articulações. O fato é que carregar de 10 a 15 kg a mais, sofrer com inchaços e insônia e ainda ter que lidar com as oscilações de humor talvez não seja nada fácil, por mais que se pregue que é esse o tal momento mágico na vida de toda mulher. “Não há uma pílula para combater os transtornos típicos do período”, diz Marlos Domingues. “Os exercícios, sim, é que podem ser um santo remédio.”


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