Quando a gravidez da Luciana, minha mulher, estava lá pela 12ª semana, coisa de um mês e meio atrás, as médicas nos informaram da necessidade de se fazer uma série de exames. Um deles era um ultrassom morfológico de não sei mais o quê, que como o nome indica diz respeito à boa formação do bebê.
Nós acolhemos a instrução. Quando chegamos à clÃnica para realizá-lo não acreditei no cenário. Uma super TV de plasma, com ótimo som, computador ligado ao sistema, uma pirotecnia super hi-tech. E eu pensei com meus botões: nossa, como sou ignorante. Nunca imaginei que a indústria audiovisual fosse assim tão avançada na área da saúde.
Pois bem. Começou o exame. Um gráfico sensacional apareceu na tela, desenhando as freqüências cardÃacas da nossa Gabriela. Com um som que parecia Dolby. Eis que surgem no plasma as imagem do ultrassom. E que qualidade de imagem! A doutora que aplicava o exame nos adiantou que estava gravando tudo, e que nos entregaria um DVD com o exame, ao final.
Ela foi fazendo comentários. Medindo distâncias entre os membros da criança, dizendo que está tudo dentro dos parâmetros normais. Mas aà veio a grande revolução. Se este exame fosse um carro – desculpem senhoras, carro é sempre uma comparação fácil pra gente – ele já estava parecendo um Porshe. Pois bem, o Porshe ligou o turbo. Entrou no ar uma tal de imagem 4D. “O que é isso doutora, qual é a quarta dimensão?†pergunto, perdido. Ela explica que é uma imagem tridimensional com movimento (este é a quarta dimensão).
O que apareceu na tela foi a imagem do nosso bebê dentro da barriga da minha mulher como se estivesse sendo filmado ao vivo. A impressão que dá é de se ver uma imagem captada no escuro com uma iluminação super-potente. É possÃvel ver a fisionomia do feto, assim como as entranhas da mãe. Tudo meio alaranjado, bem claro na tela. Os comentários da médica que faz o exame são super “cuti-cutiâ€. “Olha estas perninhas, olha este bumbumzinhoâ€. Para depois admitir: “bom, nesta fase os nenéns ainda são um pouco feinhos mesmoâ€.
Terminado o exame, tudo passa bem com a criança e a mãe. A simpática médica nos entregou o prometido CD e fomos embora pra casa. No meio do caminho, veio a conversa. Em poucos momentos Luciana e eu chegamos à conclusão que a gente não achou assim tão legal o uso desta super-tecnologia. Ambos nos sentÃamos um tanto invadidos. Pior, incomodando o nenê. Puxa, deixa ele lá quietinho na dele, pensamos. A melhor frase desta conversa foi: ninguém gosta de ser fotografado acordando, não é. Pois é.
Ao chegar em casa estávamos convictos da nossa opinião. Não tive dúvidas. Fui direto para cozinha pegar uma tesoura e picotei o CD. Sei que a atitude foi radical, mas passadas algumas semanas o CD continua a não fazer falta. E a sua eliminação segue nos fazendo bem.
Semanas mais tarde fomos fazer um novo ultrassom. O exame que confirmou a Gabriela, e não o Davi. O ultraassom foi feito no mesmo aparelho do anterior. Antes de começar, pedi à doutora: por favor, sem 4D.
Respeito todos os casais que curtem este exame. Mas para nós é mais informação do que precisamos, obrigado.



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6 / March / 2009 às 11:09
Putz, Ricardo, concordo com tudo o que disse sobre o 4D. Acho um excesso de tecnologia inútil.
Um abraço
6 / March / 2009 às 11:09
Ricardo e Luciana!
Vocês tem toda razão,a única coisa que importa para nós é saber que o bb está bem e pronto.Eu só fiz a 4D na última ultra por que a médica solicitou,ela se sentiu tão incomodada que não tirou as mãos dos olhos,acho que aquilo é uma claridade imensa,a única coisa que eu gostei foi que pude ver com quem ela iria parecer,desde desse dia começei a me comformar que fui só a caixinha para guarda-la,pois não parece em nada comigo.
Beijos
Ricardo,Luciana e Gabriela
6 / March / 2009 às 3:19
Sabe eu achei que os médicos iriam me pedir esse exame ,por eu ter um defeito genético(espinha bÃfida)é importante fazer pra ver a formação do bebê,mas todos que eu fiz,os comuns,a Gabriela está muito bem,tem todos os orgãos e está se desenvolvendo bem,a coluna é perfeita.
Então eu tbem penso que não tenho a mÃnima vontade de fazer,porque parece que realmente à encomoda,todas as vezes ela está com mãozinha nos olhos…tadinha!!! só faço se realmente o médico quiser tirar alguma dúvida.
6 / March / 2009 às 3:34
Ricardo
Muito legal teu texto, me identifiquei bastante com o que escreveste.
Apenas discordo no final, pois mesmo parecendo uma invasão, achei muito gostoso ver meu gurizinho dentro da barriga da minha esposa.
Mas respeito quem não curte este tipo de procedimento. Porém, para mim, é simplesmente uma maneira de ver melhor aquilo que logo estará nos nossos braços, e ficar observando o rostinho, com quem parece…
Um abraço.
6 / March / 2009 às 5:47
Bom, respeito a opnião de qualquer um, mas acredito que o ultrasom 4 D só veio pra trazer mais felicidade. Poder ver a rostinho do seu filho(a) com detalhes tão individuais é mágico! Fora a certeza de que está tudo bem com ele(a)…
Um abraço e felicidades à todos.