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Quando a licença maternidade termina

Esta semana, volto a trabalhar. Devo revelar que a retomada da vida profissional está me deixando inquieta. Há seis meses deixei a redação, com uma barriga enorme e muitos medos rondando minha cabeça. Fiquei um bom tempo de licença médica, depois veio a licença maternidade e mais um mês de férias. E retorno numa sexta. É estranho olhar para trás e ver tudo pelo que passei. Desde o dia em que eu e Mauricio decidimos que ficaríamos “grávidos”, meu mundo parou. Agora estou aqui, tendo que retomar a carreira profissional e tendo que me readaptar a uma nova rotina. Rotina esta totalmente diferente daquela que deixei para trás. Tenho dois filhos! Ainda estranho deixá-los de manhã cedo no berçário. Ainda choro com a sensação de que um pedaço de mim ficou naquela escolinha. Aliás, hoje, aproveitei o horário em que eles estavam no berçário para arrumar gavetas, colocar a vida em ordem. Estou com aquele sentimento de “ano-novo”, “vida nova”, “projetos a serem concretizados”. Acho que isso é consequência de tudo o que vivi nos últimos tempos: chorei de alegria, de desespero, de cansaço. Me emocionei quando Clara deu a primeira risada, quando Lucas deu seu primeiro gritinho… Descobri uma porção de mim mesma antes desconhecida: sou mais paciente do que imaginava, mais tolerante e flexível. Aprendi a ser mãe no dia a dia –e continuo aprendendo—e, principalmente, descobri o que é amor de mãe por um filho. E, vejam só, adquiri um monte de manias, típicas de alguém que passou muito tempo dentro de casa. Por exemplo, virei fã de reality show (dos nacionais aos da TV a cabo); me viciei em Guitar Hero (jogo de videogame); e decorei todas as músicas do Palavra Cantada.  Meu mundo, nos últimos tempos, girava em torno de dois serzinhos: Clara e Lucas. E agora? Será que serei capaz de conversar com as outras pessoas sobre algo além de filhos, fraldas, educação, maternidade? Espero que sim. Imagine só se eu chegar todos os dias no trabalho falando sobre as caretas engraçadas que o Lucas faz ou sobre o jeitinho doce da Clara! Enfim, espero que eu saiba balancear as coisas. É a vida que continua e pede passagem para uma nova etapa a ser trilhada. Agora, mais completa. Beijos, Ana.

25 Comentários para “Quando a licença maternidade termina”

  1. Lissandra

    Ana, este foi seu post mais poético até agora e confesso que, desde que te acompanho por aqui, o mais emocionante, por consequência.
    Ontem meus gêmeos, Lorenzo e Sofia completaram 2 meses e já estou sofrendo por antecipação com meu retorno ao trabalho daqui a alguns meses. Entrei em licença 15 dias antes d’eles nascerem (de 38 semanas)e desde então, só falo de fraldas, pediatras e afins em 3 idiomas, hehe. Tenho a impressão que não conseguirei abordar outro assunto tão cedo…
    Gosto muito de tudo que você comenta e até agora, passei por todas as fases descritas por você, (a de sair com 2 bebês na rua é a mais engraçada: nos sentimos aqueles atores famosos, pois todos nos páram na rua para ver e perguntar “são gêmeos?” e olhá-los. Uma diferença é que infelizmente, só ontem os meus bebês dormiram a noite toda.
    Bom retorno ao trabalho e não pare de escrever aqui, hein?! Seu blog é muito legal!
    Pelo que vi, trabalha com a Bons Fluidos e seu período fora da revista coincidiu com algumas mudanças que eu como assinante da mesma, confesso que não gostei. Volte com “corda toda” para melhorá-la, ok?!

  2. Gisele

    Ana, força que tudo vai se ajeitar nesta nova fase… voltei a trabalhar em 12/05, confesso que até hoje não me adaptei, mas faz parte… outras mães me garantiram que as coisas entram no lugar…

    Boa sorte!

  3. Patricia

    Voltar ao trabalho pra mim foi maravilhoso!! Apesar de não ver aqueles dois rostinhos o dia todo como antes, retomar minhas atividades profissionais foi muiiiito bom pra mim!! Descobri que sei falar sobre algo além de fraldas e mamadeiras…apesar de que…entre um assunto e outro…Júlia, Letícia e Amanda estão sempre nas conversas!!

  4. Cássia

    Ana,
    Meu filho faz um ano e um mês hoje. Voltei a trabalhar em outubro. Fiquei desesperada. No mês que antecedeu a volta fiquei muito triste, acho que se não fosse o apoio do meu marido teria entrado em depressão. Mas quando voltei a trabalhar, consegui fazer as minhas obrigações, consegui falar de outros assuntos(menos com as amigas que têm filhos!), parece que consegui ser mais EU! Claro que o coração fica apertado até hoje, tenho fotos dele de todos os lados. Mas como TENHO que trabalhar, aproveito este tempo pra ser mais eu e menos a “mãe do David”!
    Beijos. Adoro seu blog.

  5. Alexandra

    Aninha,
    Voltei à trabalhar nesta terça-feira e ainda estou muito triste no primeiro dia me senti simplesmente vazia, saí de casa chorando e tentei voltar correndo… infelizmente o trânsito não ajudou. Percebi que com o decorrer da semana as coisas ficam menos piores. Quando você vai se interando do que ocorreu no trabalho durante a sua ausência, parece que as coisas vão se encaixando. O apoio do meu marido tem sido fundamental, ele me apoia durante todo dia por telefone.
    Creio que você conseguirá se sair muito bem pois com a maternidade nos tornamos mais flexíveis e por isso as divergências são mais fáceis de suportar. Boa sorte!



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topo perfil Ana Holanda é jornalista e editora da revista Bons Fluidos, da Editora Abril. Teve um casal de gêmeos em fevereiro, aos 36 anos, quando achava que esse negócio de ser mãe não era mais para ela.

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