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“A metamorfose do pós-parto”

Confira o relato de uma mãe que abriu o coração para contar o que enfrentou após o nascimento do seu filho.

Por Luísa Massa
Atualizado em 28 out 2016, 18h09 - Publicado em 28 dez 2015, 20h36

Ariane Oliveira, 32 anos, é mãe do Gabriel, de 2 anos e 10 meses, nutricionista e idealizadora do blog 20 Minutos Pra Tudo. Aqui, ela fala sobre as coisas que ninguém conta sobre o pós-parto. 

“Após nove meses de idealizações e expectativas, você tem um bebê nos braços e muitos sentimentos aparecem. Eles são causados pelos hormônios, cansaço, insegurança e medo de iniciar uma nova fase. Você se torna mãe e se pergunta: como devo começar?

Aconteceu exatamente isso comigo depois que o meu bebê nasceu. Eu o desejei como nunca havia almejado nada em minha vida! Ser mãe era a minha maior vontade, um grande sonho. Eu, que sempre fui uma pessoa destemida, que encarava tudo o que viesse pela frente, um dia percebi que estava perdida. Olhei nos olhos do Biel e questionei: “como eu vou conseguir cuidar dele? E se não der conta e fizer algo errado?”. Chorei demais! Muitas vezes, escondi esse sentimento porque algumas pessoas que estavam perto me falavam várias coisas pesadas como “se você chorar, o seu leite vai secar”, “o seu filho depende muito de você e você precisa ser forte”, “você tem um bebê saudável, lindo, perfeito, não tem motivos para derramar lágrimas”.  

Durante o pós-parto, olhei várias vezes no espelho para tentar entender onde eu, Ariane, estava atrás daquelas olheiras enormes que me acompanhariam – e ainda me acompanham – por tanto tempo.  Eu não sabia mais quem era! E aí vinha o choro, a culpa, o cansaço, as oscilações de humor. Ninguém me contou que tudo isso aconteceria depois que o meu filho chegasse. Só me disseram que ter um bebê iria mudar e tornar a minha vida maravilhosa. De certa forma, é claro que isso acontece, mas antes de chegar até esse patamar, você passa por uma metamorfose. E disso, poucas pessoas falam.

Comparo o meu período depois do parto ao ciclo de nascimento de uma borboleta. Primeiro, a gente é como uma lagarta, que vai se alimentando, preparando e crescendo. Planejamos, idealizamos, engordamos… Tudo faz parte. Depois, vem o parto, e é necessário criar o casulo e perceber que precisamos do nosso tempo para, como uma borboleta, sairmos e nos tornarmos mães. Acredite: essa partida te deixará infinitamente mais bonita do que quando você entrou, pois passou por um profundo processo de mudança e aprendeu que vai ser uma pessoa diferente. É um verdadeiro renascimento.

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Eu precisei do meu casulo. Depois de chorar, de pensar que eu não havia nascido para ser mãe, de ter medo de tudo, de encarar a solidão nos primeiros meses, eu resolvi me entender e ter coragem para tentar, aceitar e conseguir. Assim, fui ganhando confiança, compreendendo os meus anseios, típicos de uma mãe inexperiente. Criei asas até me sentir segura.

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal ()

Não posso me esquecer das inúmeras cobranças que geram a culpa, da busca pela perfeição e dos dogmas maternos que impõem felicidade absoluta. Se você teve um filho recentemente e está lendo esse texto do outro lado da tela, siga o meu conselho: ignore esses palpites. Eu precisei recuperar a minha autoconfiança, busquei ajuda, procurei ter um tempo só para mim – nem que fosse um banho de mais de dois minutos. Eu deixei as imperfeições de lado, aceitei a bagunça da casa, passei a dar valor para o momento presente. Eu virei mãe, me encontrei como mulher e resolvi reescrever a minha história.

Hoje, posso dizer que ser mãe foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida! A maternidade me mudou, me tornou uma pessoa melhor e me fez entender quem eu era de verdade. 99% das mães passam por isso e sentem toda a culpa, medo e tensão, só que cada uma reage de uma forma. Eu só peço para que você não desista de sair do seu casulo. Aceite-se, entenda-se e tenha uma certeza: você vai ficar mais forte do que entrou!

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