Taxa de crianças obesas ou acima do peso cresce 70% no Brasil

Consumo de alimentos ultraprocessados e sem valor nutricional aparece como importante fator do aumento de casos entre 2008 e 2021.

Por Carla Leonardi 21 jul 2022, 17h33

De acordo com um compilado da Fiquem Sabendo, agência especializada no acesso a informações públicas, em parceria com a revista piauí, o Brasil registrou 258.874 casos de obesidade grave infantil no ano de 2021. A análise foi feita com base em dados fornecidos pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde.

Os números dizem respeito a crianças entre 5 e 10 anos de idade, e levam em conta o Índice de Massa Corporal (IMC) dos pequenos que foram pesados e medidos, sendo que o problema é considerado grave quando o IMC é maior que 40 kg/m². Vale destacar que esses dados foram colhidos pelos atendimentos realizados por meio do Sistema Único de Saúde, o que reflete prioritariamente a situação de crianças em vulnerabilidade social.

menino comendo hamburguer
romrodinka/Thinkstock/Getty Images

Disparada da obesidade infantil

O aumento da proporção de crianças acima do peso foi observado em todos os estados do país, mas alguns apontam uma situação mais crítica, como é o caso do Rio Grande do Sul (onde 25% das crianças pesadas estavam obesas), seguido pelo Ceará e pelo Rio Grande do Norte (ambos com 23%).

Além disso, foi observado que, de 2008 a 2021, a taxa de obesidade infantil cresceu 70% – sendo que, depois do início da pandemia de Covid-19, houve um salto acentuado. É importante observar que essa disparada, agora, convive com a fome que persiste entre a população mais vulnerável. Apesar disso, não se trata de uma contradição, pelo contrário: o sobrepeso está diretamente relacionado à má alimentação, caracterizada pelo consumo de alimentos mais calóricos e de baixa qualidade nutricional.

Para se ter uma ideia, um relatório publicado pelo Unicef no fim de 2021 mostrou que as crianças de famílias que fazem parte do Bolsa Família (substituído pelo Auxílio Brasil) registram um alto consumo de alimentos ultraprocessados, em geral mais baratos e sem valor nutricional. Em metade das famílias pesquisadas, crianças menores de 6 anos consomem salgadinho de pacote e refrigerante de uma a três vezes por semana. O mesmo se dá com macarrão instantâneo, salsicha, bolachas recheadas e outros.

Segundo a análise, os dados tendem a piorar ainda mais no futuro, já que as crianças atualmente com sobrepeso poderão chegar à obesidade grave, caso os hábitos alimentares não sejam modificados. Importante lembrar que manter uma alimentação saudável e uma rotina de atividades físicas adequada à cada idade influencia diretamente na saúde dos pequenos e terá reflexos depois, na vida adulta.

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