Pesquisa avalia os hábitos de crianças seletivas e o papel das mães na alimentação

Levantamento mostra que, embora as mulheres se preocupem em garantir que seus filhos estejam bem nutridos, os hábitos à mesa dos pequenos ainda têm muito o que melhorar.

75% das crianças brasileiras fazem cara feia para vegetais como alface e espinafre, 46% dos pequenos não comem no café da manhã e 86% elegem os doces como seus alimentos preferidos. Esses são alguns dos dados de um estudo realizado pela empresa americana Mead Johnson Nutrition, a que o Bebê.com.br teve acesso com exclusividade. Segundo o levantamento, fatores como esses classificam os brasileirinhos avaliados para o time dos picky eaters (comedores seletivos), termo em inglês que se refere não só a pessoas que rejeitam um grupo de alimentos, mas também àquelas que comem muito pouco, que nunca têm fome ou que pulam refeições.  

O objetivo da Mead Johnson ao realizar essa pesquisa era entender o comportamento dessas crianças e, principalmente, o de suas mães. Por isso, especialistas entrevistaram, entre os dias 20 de junho e 6 de julho de 2012, 900 mulheres que tinham filhos com idades entre 1 e 10 anos. Metade das mamães vivia em São Paulo e a outra, em Recife.

Entre as participantes, 33% declararam ter pelo menos um filho que era uma criança seletiva. Por outro lado, 72% das mamães disseram se envolver completamente com a alimentação do filhote e 80% contaram que compram comida para os seus pequenos todos os dias. Mais: 52% das entrevistadas não trabalham fora de casa. Ora, tanta dedicação deveria resultar em meninos e meninas com hábitos alimentares saudáveis, certo? Pelo que esse estudo mostra, não necessariamente. “Com a correria da vida moderna e a falta de tempo, muitas mulheres acabam se sentindo culpadas e tentam compensar isso no cardápio da criança”, analisa a nutricionista Andrea Andrade, da RG Nutri, na capital paulista. 

Calma: isso não significa que a culpa é única e exclusivamente da mãe. Mas quando se trata de formar pessoas com uma alimentação equilibrada, toda a família tem, sim, um papel importantíssimo. “Os primeiros anos de vida são fundamentais para a construção de hábitos saudáveis a médio e longo prazo”, adverte Andrea. “Os pais precisam incentivar os seus filhos dando o exemplo e oferecendo uma boa variedade de alimentos”, orienta.

Foco na comida

Outra atitude que deve ser incentivada desde cedo é a concentração na hora das refeições. De acordo com o levantamento da Mead Johnson, 57% dos pequenos picky eaters ficam distraídos quando vão comer. “Como a criança tem muita energia para gastar, ela já apresenta, naturalmente, uma dificuldade para focar no que está fazendo. E isso acontece também no momento da alimentação”, contextualiza a nutricionista da RG Nutri. Esse processo se torna ainda mais difícil com a presença de aparelhos de televisão, celulares e tablets, que tiram totalmente a atenção da meninada. “Estudos mostram que a socialização à mesa é importante para o desenvolvimento físico, psicossocial e até para o bem-estar emocional da criança”, informa Andrea Andrade.

Refeições irregulares

Ao investigar como eram as principais refeições dos pequenos, os pesquisadores notaram que 67% das crianças não gostam de comer nas primeiras horas do dia, o que faz com que boa parte delas pule o café da manhã. E isso é um problema. “Essa é a primeira energia que o corpo recebe depois de um jejum prolongado”, explica a nutricionista. Sendo assim, aquilo que o pequeno ingere logo cedo é o que vai garantir que ele consiga se concentrar na escolinha, brincar, se exercitar…

Quando se trata o do almoço, 20% dos voluntários mirins assumem não gostar da comida preparada; e, no jantar, 34% declaram fazer uma refeição de proporções pequenas, como tomar um iogurte ou comer lanches e salgadinhos.

Gostos ruins

A pesquisa aponta que vegetais, legumes e leguminosas estão entre os alimentos que as crianças mais têm problemas para comer. O motivo? Elas alegam não gostar do sabor desses itens. Por outro lado, pães e massas, lácteos, batata, arroz e aveia estão no topo da lista das comidas preferidas da garotada. O resultado pode ser, além de uma deficiência nutricional, uma maior ingestão calórica, culminando no excesso de peso.

Para evitar que isso aconteça com o seu filhote, procure apresentá-lo a diversos alimentos desde pequenininho. “É importante variar nas preparações, temperar de formas diferentes, apresentar de uma maneira inusitada…”, recomenda Andrea Andrade.

Peso x altura

Outro dado curioso dessa pesquisa é que, quando se trata do peso das crianças, 60% das mães consideram que seu filho está dentro dos valores adequados para a sua faixa etária. Mas quando o assunto é a altura, 28% das mulheres sequer sabe quanto o seu pequeno está medindo. “Isso é preocupante, porque a altura é um indicador importantíssimo do desenvolvimento da criança“, alerta a nutricionista de São Paulo.

Deficiências perigosas

10% dos meninos e meninas avaliados no levantamento da Mead Johnson têm anemia, problema causado pela baixa ingestão de ferro. “Esse mineral está associado à geração de energia no corpo. E isso é importante porque a criança está crescendo e se desenvolvendo o tempo todo”, ensina Andrea Andrade.

No entanto, quando as mães foram perguntadas sobre quais eram as suas principais preocupações referentes a uma má nutrição, 45% disseram ter medo de que a saúde óssea do seu filho fosse prejudicada e 42% consideraram como mais urgente o risco de gripes e outras infecções. Apenas 18% das entrevistadas colocavam problemas de desenvolvimento em primeiro lugar. 

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