Entenda os riscos da Manobra de Kristeller e como evitar a violência obstétrica

Prática foi banida pela OMS e pode causar graves riscos à saúde da mãe e do bebê

Por Redação Pais e Filhos
12 fev 2025, 07h00
bebe recém nascido
Qual o melhor momenta para seu neném vir ao mundo?  (Divulgação/Pinterest)
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Durante o trabalho de parto, a mulher e o bebê devem ser respeitados em seu tempo e espaço, e o processo não deve ser acelerado de maneira imprudente. A manobra de Kristeller, que consiste em empurrar a barriga da gestante para acelerar o nascimento, é um exemplo de procedimento que pode ser considerado violência obstétrica, apesar de ainda ser praticado em alguns locais.

O que é a Manobra de Kristeller?

A manobra de Kristeller é uma técnica em que a equipe de saúde realiza pressão na região do útero, empurrando a barriga da gestante com o objetivo de estimular o nascimento do bebê. Esse procedimento é frequentemente adotado para apressar o parto, mas apresenta sérios riscos para a mãe e o bebê. A manobra foi banida por várias organizações de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), devido aos potenciais danos que pode causar.

Riscos da Manobra de Kristeller

Apesar de ainda ser realizada por alguns profissionais, a manobra de Kristeller pode ter consequências graves.

– Aumento do risco de fraturas nas costelas da mãe.

Deslocamento ou inversão do útero, o que pode gerar complicações graves.

Lesões e traumatismos no bebê, que podem afetar seu desenvolvimento e saúde.

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– Ruptura de órgãos internos da mãe, como baço, fígado e útero.

Hemorragias, que aumentam o risco de complicações pós-parto.

Lacerações graves na região pélvica da mulher, afetando sua recuperação e saúde a longo prazo.

Esses danos não são apenas riscos potenciais; eles já foram documentados em casos em que a manobra foi aplicada de maneira inadequada.

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A Violência Obstétrica e seus impactos 

A manobra de Kristeller faz parte de um conjunto de práticas que a OMS classifica como violência obstétrica. A violência obstétrica pode ocorrer de várias formas, incluindo procedimentos realizados sem consentimento, desrespeito à privacidade da mulher, recusa em administrar analgésicos e até violência física ou verbal. No Brasil, dados apontam que 25% das mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência obstétrica, e muitas não reconhecem isso como tal.

Em relação à manobra de Kristeller, a mulher tem o direito de se recusar a esse procedimento caso tenha sido previamente informada no pré-natal. Ela pode pedir ao médico que pare imediatamente caso o procedimento seja realizado sem sua permissão. Caso a mulher se sinta desrespeitada, é importante denunciar a prática, e ela pode recorrer aos canais de denúncia disponíveis no hospital, no plano de saúde ou até na OMS.

Como se proteger da violência obstétrica?

A prevenção contra a violência obstétrica começa com o planejamento do parto. O plano de parto é uma ferramenta importante para garantir que a gestante tenha o controle sobre as decisões durante o nascimento de seu filho. Com o plano de parto, a mulher pode expressar suas preferências em relação ao processo, como quem a acompanhará, as opções de anestesia e até como ela deseja que o parto ocorra. Embora o plano de parto não substitua a necessidade de decisões médicas em caso de emergências, ele ajuda a minimizar frustrações e traz mais segurança para a mãe.

Além disso, é fundamental que as gestantes sejam informadas sobre seus direitos e sobre o que caracteriza violência obstétrica. Isso pode ser feito durante o pré-natal, uma fase importante para esclarecer dúvidas e alinhar expectativas em relação ao parto.

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O que fazer se for exposta à manobra de Kristeller?

Caso uma mulher seja submetida à manobra de Kristeller sem seu consentimento, ela pode tomar algumas atitudes para garantir seus direitos. A primeira ação é pedir ao médico que pare imediatamente com o procedimento. Se a mulher se sentir desconfortável ou insegura, é importante que ela busque apoio de familiares ou de outros profissionais da saúde.

Além disso, a denúncia é uma ferramenta importante. A gestante pode recorrer ao Disque 136, que é destinado a denúncias de violências em unidades do SUS, ou ao Disque 180, que recebe qualquer tipo de denúncia de violência contra a mulher. Esses serviços estão disponíveis 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana.

Consultoria: enfermeira obstetra Cinthia Calsinski e ginecologista e obstetra Isis Quaresma

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