Asma na gravidez: conheça os riscos e a importância de controlar a doença

Se não tratada, essa enfermidade respiratória coloca em perigo a vida da mãe e do bebê.

A vida de quem sofre com a asma é um verdadeiro sufoco: falta de ar, tosse e chiado no peito são alguns dos sintomas que dão as caras a cada crise. Isso acontece devido a uma inflamação dos brônquios – tubos que conduzem o ar pelos pulmões -, fazendo com que eles se contraiam e o ar tenha dificuldade de passar por ali. Essa doença crônica afeta pessoas de todas as idades, mas na gravidez o problema pode ser maior ainda. 

“A prevalência de asma entre as gestantes varia de 3% a 12%”, informa a pneumologista Lilian Ballini Caetano, coordenadora do Ambulatório de Asma da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A questão é que, se não controlada, a doença provoca complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. Para ter ideia, o pequeno pode apresentar falta de oxigenação, baixo peso, prematuridade e abortamento; já a mulher, além da dificuldade de respirar, fica mais exposta a desenvolver pressão alta, a chamada pré-eclâmpsia.

Por que a situação preocupa mais na gravidez

Estudos apontam que um terço das mulheres asmáticas melhora da doença na gestação, um terço mantém o quadro estável e o outro terço piora. Embora os fatores que definem a evolução da enfermidade ao longo dos nove meses não sejam totalmente conhecidos, sabe-se que algumas particularidades da gravidez intensificam a asma. A primeira é a montanha-russa dos hormônios femininos. “Alguns deles são broncodilatadores e outros, broncoconstritores”, revela Lilian Ballini, que também é professora da Unifesp. Em outras palavras, enquanto certos hormônios estreitam o calibre dos brônquios, outros dilatam. “E o desequilíbrio hormonal típico da gravidez pode contribuir para o agravamento da asma”, ensina médica.

Além disso, na gestação, receptores responsáveis pelo relaxamento dos brônquios podem ter uma pior resposta. Desse modo, os tubos ficam mais apertados e o ar passa com bastante dificuldade.

E não para por aí: o sistema imunológico da mulher grávida encontra-se mais fraco, o que a torna mais propensa a diversas infecções, entre elas as respiratórias. Com isso, aumenta a probabilidade da asma piorar.

A importância do tratamento

Para que a asma seja controlada e nenhuma dessas complicações aconteça, é fundamental que o tratamento seja mantido durante toda a gravidez. “Muitas vezes, por receio da gestante ou até do próprio médico, o uso dos remédios é interrompido. E essa é uma das grandes causas da piora da doença”, alerta Lilian Ballini.

A terapia é feita, principalmente, por meio de corticoides inalatórios. A substância mais usada nas grávidas asmáticas é a budesonida, considerada segura para a mãe e o bebê. O remédio deve ser consumido diariamente, mesmo se a paciente não apresentar sintomas. “Em casos mais graves, também podem ser usados broncodilatadores de longa ação ou de curta ação, que são aquelas bombinhas, indicadas para aliviar os sintomas durante as crises”, informa o pneumologista Igor Bastos Polonio, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Outra atitude importante é fazer o acompanhamento de toda a gravidez com um ginecologista e um pneumologista. Nos casos em que a doença está sob controle, uma visita mensal ao especialista em doenças respiratórias é suficiente. Mas, se a futura mamãe tiver crises, as consultas devem ser mais frequentes.

Medidas preventivas

Além de tomar os medicamentos da maneira correta, a gestante asmática deve tomar outros cuidados. Entre eles estão se manter longe do cigarro e de pessoas que fumam; não ter contato com poeira, mofo e animais de estimação, como gatos e cachorros, dentro de casa; e evitar mudanças bruscas de temperatura. 

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