A temida depressão pós-parto

Natalia Demian abre seu coração e fala sobre a depressão que enfrentou após o parto da sua filha. Confira!

Natalia Demian, 26 anos, é mãe da Julia, de 8 meses e meio, empresária e idealizadora do Instagram Belas Mães.

“Eu não havia planejado a gravidez, mas quando descobri que estava esperando um bebê, fiquei muito feliz! Claro que a insegurança surgiu, assim como as expectativas – até porque o que vemos na televisão é que a maternidade é perfeita.

A gestação toda foi uma delícia e eu estava ansiosa pela chegada da Julia. Arrumei tudo com carinho e já amava muito a minha filha. A cada chute eu vibrava! Enfim, vivi o conto de fadas que qualquer mulher que está grávida sonha. Mas no nascimento da Julia, algo diferente aconteceu: eu fiquei com muito medo. Um medo fora do comum. No dia em que saí do hospital com a pequena eu fiquei mal. Minha vontade era levar a enfermeira que havia me ajudado com a minha filha para casa. Eu estava com receio de que não fosse dar conta de cuidar de um bebê tão pequenino.

Ao chegar em casa, meu mundo desabou. Olhar para aquele ser tão indefeso me fez ficar desesperada. A cada choro ou gemido que a Julia emitia eu ficava pensando “E agora? Meu Deus me ajude ou me tire daqui”. Eu não suportava ouvir qualquer barulho da minha filha porque tinha medo e não sabia o que fazer ou por onde começar. Eu não queria receber nenhuma visita, nem falar com ninguém. Meu mundo não era mais o mesmo, eu não queria viver o que estava vivendo. Foi desesperador!

Eu sentia como se estivesse perdendo a minha vida: não sairia mais de casa, não me arrumaria e não seria mais quem eu estava acostumada a ser.  Eu não queria estar ali. Mas me entendam: esse sentimento não teve nada a ver com o amor que eu sentia e sinto pela Julia. O problema era que o meu psicológico estava abalado e eu não conseguia conciliar tudo. Acho que só quem passou por isso vai entender sobre o que estou falando.

Passei dias e noites chorando, eu não queria falar sobre isso e nem conseguia cuidar da Julia. Precisei recorrer à ajuda de uma babá e muitas pessoas me julgaram nesse período. Mas eu realmente precisava de alguém do meu lado para me amparar e orientar. Eu estava vivenciando uma fase em que eu não conseguia controlar a minha própria mente.

Os meses foram passando e, aos poucos, fui melhorando. Contei com a ajuda do meu marido e da minha família para enfrentar esse momento difícil. De repente, as coisas pareceram clarear e eu me vi feliz como mãe. Hoje, a Julia está crescendo e ficar um dia inteiro com ela ainda é muito difícil para mim, porque eu fico muito insegura, além de achar que não estou fazendo nada certo. Mas sei também que essa cobrança é muito comum entre as mães de primeira viagem.

Apesar das coisas estarem melhores, resolvi procurar um psiquiatra e contei com o apoio da minha família. Eles me orientaram e eu tive total consciência de que preciso de ajuda psicológica para enfrentar esse momento. Acabei desenvolvendo uma ansiedade que não cabe em mim e também um distúrbio alimentar fora do controle – eu como, como, como e não me satisfaço nunca! Tudo isso foi gerado pela depressão pós-parto e quero muito que as coisas se resolvam.

Meu maior desejo é alinhar o meu lado psicológico e alcançar o equilíbrio. Hoje me sinto bem, mas ainda almejo outras conquistas, como ficar sozinha com a Julia sem a ajuda de ninguém. Eu admiro muito as mães que fazem isso e sei que logo vou conseguir também!

No fundo, a transformação da maternidade me pegou de surpresa. Eu não conseguia conciliar todos os outros aspectos da minha vida com a chegada de um bebê. Tudo aconteceu muito rápido: conheci meu marido e me casei em 7 meses. Depois de 2 meses casada eu engravidei. A Julia nasceu e muitas mudanças começaram a acontecer na minha vida.

Atualmente, eu não sinto mais vergonha de assumir o que tenho passado. Na verdade, sinto orgulho da minha iniciativa e coragem. Acredito que este é o primeiro passo da minha mudança e evolução! A depressão pós-parto não está relacionada com o amor que sentimos pelos nossos filhos. Ela é uma doença da mente que precisa ser curada para que nós, mulheres, estejamos prontas para enfrentar todas as mudanças que a vida nos impõe. Se você está passando por isso, não espere como eu fiz para procurar ajuda médica. Tudo vai passar e você vai perceber que é a melhor mãe que o seu filho poderia ter. Confie e acredite!”

Depoimento publicado originalmente em fevereiro de 2015

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