“Sem romantismo: a maternidade como ela é”

Confira a reflexão de uma mãe sobre as pressões que a sociedade impõe e os verdadeiros desafios que aparecem na gravidez e depois que os filhos nascem.

Daniela Albertin Martins Zanatto, 38 anos, é mãe da Mariana, de 5 anos, e do Gabriel, de 3 anos, autora do blog Mamãe Aprendiz e de dois livros: “Movendo os Céus, Alcançando Milagres de Deus em Oração” e “Meu Bebê Não Dorme”. Aqui, ela abre o seu coração e fala sobre as suas percepções maternas.

“Muitas vezes, a maternidade é mostrada nas redes sociais de modo romantizado: ela parece perfeita, tirada de contos de fadas. Confesso que, como mãe e blogueira, eu também gosto de compartilhar a parte boa. Acontece que tem gente que vai entrando nessa, achando que tudo será sempre lindo, mas não é bem assim que as coisas acontecem na prática!

Não há dúvidas de que ser mãe é maravilhoso, mas não é uma utopia. Toda escolha tem consequências e essa não é diferente. Ouvi de uma colega uma vez que a gravidez não é tão linda como pintam e nem a maternidade tão mágica. É verdade. Acontece que existe uma áurea em torno da gestante e da mãe, que faz com que muitas mulheres achem que, após ganhar um filho, nós nos tornamos seres supremos – sem dores, sofrimentos, inseguranças, medos e dificuldades.

Sim, é fantástico você gerar outra pessoa, saber que dentro da sua barriga tem alguém se desenvolvendo, descobrir o que é o amor verdadeiro logo após receber o positivo do exame, perceber que um ser – que ainda não tem nem o tamanho de uma sementinha – mudará para sempre a sua história e os seus desejos. Sim, é claro que tem algo muito especial nisso tudo!

Mas a gravidez também vem com enjoos, vômitos, cansaço, dores nas pernas, chutes doloridos nas costelas, noites sem dormir, barriga pesando, xixi a toda hora, ganho de peso, inchaço, mudanças e mais mudanças na sua casa e na sua vida! A mulher sente diversas pressões quando opta pela maternidade. Já começando com o medo da demissão, a preocupação em sair do serviço para realizar consultas, a ansiedade na escolha do parto e até mesmo a decisão de um médico que aceite o que ela realmente deseja. Também tem a dor do parto – tanto normal quanto cesárea – e a preocupação com a saúde do bebê a cada exame feito.

Depois que o filho nasce, tem o tempo de adaptação, os choros na madrugada, as mamadas constantes que, algumas vezes, machucam os seios das mães, as gripes, resfriados e febres que nos tiram o sono, a angústia com o fim da licença-maternidade por ter que ficar longe do maior presente que a vida nos deu. Sim, sofremos um pouco. Isso é ruim? Depende. Se você olhar como algo que vai passar, que vai fazer parte da sua trajetória para que você realize o sonho da maternidade, não é. Agora, se você é do tipo que sonhou por anos e viu somente o lado lindo, sem pensar que toda escolha nos faz abrir mão de algo, a coisa complica.

Existem muitas dificuldades na vida de uma mãe, mas tudo vale a pena. O lado bom supera o ruim. É como um alpinista que sobe uma montanha, cheia de percalços, mas quando chega ao topo, olha a paisagem e sente a recompensa por todo o seu esforço. Lembro que o meu maior medo antes de engravidar era a questão de não dormir de noite porque sempre fui dorminhoca. Com a minha filha mais velha foi tranquilo, pois ela dormia mais de cinco horas seguidas. Já o segundo bebê, acordava de hora em hora. Foi difícil, desgastante, cansativo, mas quando ele adormecia – mesmo no auge do meu cansaço – eu ficava olhando para ele e admirando tamanha perfeição até me dar conta de que eu precisava descansar porque logo ele despertaria.  

Talvez a maternidade seja realmente mágica porque mesmo com os problemas, quando tentamos definir a palavra “maternidade” só pensamos em adjetivos lindos: amor, doação, aconchego, alegria, felicidade, satisfação e realização. Ser mãe nos faz amar tanto alguém que mudamos completamente a nossa vida e ainda achamos o máximo! Esse é um exercício diário que nos tira o egoísmo e comodismo e nos faz encontrar um sentido totalmente novo e pleno para o amor!”

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