Preocupação com zika faz crescer busca por pílulas abortivas, aponta pesquisa

Levantamento foi feito em 19 países, inclusive o Brasil. Saiba mais sobre essa e outras novidades do combate a esse vírus.

Um estudo publicado na última quarta-feira (22) na revista científica New England Journal of Medicine identificou um aumento no número de buscas por pílulas abortivas em países com epidemia de infecção pelo vírus zika, em especial o Brasil, o Equador e a Venezuela. O levantamento foi feito com base em dados do site Women on Web, um serviço online que ajuda mulheres a terem acesso a serviços de aborto e que conta com 1 milhão de visitantes por mês. Em alguns casos, a ONG envia um coquetel de pílulas abortivas para a casa daquelas que desejam interromper a gravidez.

E foram justamente essas solicitações que os cientistas analisaram. Eles investigaram os pedidos desses medicamentos feitos em 19 países, de 2010 até o início de 2016. Após levantar o número de requisições, os pesquisadores compararam com a média de encomendas feitas entre novembro de 2015 e março deste ano – período em que ocorreu a epidemia de zika e em que os governos, em especial os da América Latina, fizeram campanhas de prevenção e combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus. Os resultados mais significativos foram no Brasil, no Equador, na Venezuela e em Honduras, onde o número de pedidos dobrou.

Mas calma lá: apesar de esse estudo ser o primeiro a fazer essa avaliação, é necessário que outros mais aprofundados sejam feitos. Uma das limitações desse trabalho, por exemplo, é que ele se baseou em uma pesquisa online, que não representa toda a população de um país. Além disso, essa investigação não mostra quantos abortos aconteceram, de fato, nos locais estudados, já que a análise se limitou apenas aos pedidos feitos pela internet.  

Luta pela vacina

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A orientação de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, é que mulheres que vivem em áreas endêmicas para o zika evitem engravidar até que a epidemia esteja controlada. Enquanto isso, cientistas do mundo inteiro estão trabalhando para encontrar uma vacina capaz de evitar a infecção por esse micro-organismo.

E no Brasil não é diferente: na última sexta-feira (24), o Instituto Butantan, em São Paulo, anunciou uma parceria com um órgão do Ministério da Saúde dos Estados Unidos para o desenvolvimento de um imunizante contra o agente infeccioso transmitido pelo Aedes aegypti. O Biomedical Advanced Research and Development Authority (BARDA) vai investir 3 milhões de dólares na instituição brasileira para pesquisas de uma vacina de zika com vírus inativado. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o acordo também prevê cooperação técnica entre especialistas dos dois países.

“O Butantan já vem trabalhando no desenvolvimento de uma vacina de vírus inativado. Este tipo de vacina tem desenvolvimento científico e tecnológico mais rápidos e, por usar vírus não infectante, tem aprovação pelos órgãos reguladores, como Anvisa, facilitada”, declarou o diretor do instituto, Jorge Kalil.

De acordo com a secretaria, atualmente, a instituição está no estágio de imunização do vírus inativado em roedores. Os próximos passos envolvem testes de toxicidade do produto em animais e a procura por uma área industrial para a produção do medicamento. A expectativa do Instituto Butantan é que a vacina esteja disponível para os primeiros testes em humanos no primeiro semestre de 2017.

Tratamento à base de antibiótico?

Um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, fez um estudo para desvendar, entre outras coisas, uma possível forma de evitar a infecção pelo zika. Foi aí que eles notaram que o antibiótico azitromicina – de uso liberado na gravidez – poderia ser uma arma para barrar a ação do micro-organismo no corpo da gestante. É que, de acordo com os achados dos experts americanos, essa medicação tem o poder de bloquear a proliferação do vírus.

Os mecanismos pelos quais isso acontece ainda não são totalmente conhecidos, e os testes ainda estão em fase experimental. Mas, segundo os estudiosos, essa é certamente uma esperança para proteger as mulheres dos estragos causados por esse agente infeccioso. “Essa descoberta é extremamente importante porque ela pode mudar como mulheres grávidas expostas ao vírus são tratadas clinicamente, e essa é a nossa motivação para publicar o nosso trabalho numa plataforma de acesso aberto”, revelou Arnold Kriegstein, um dos líderes da pesquisa, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. O trabalho pode ser acessado na plataforma bioRxiv.

Comportamento do zika na gravidez

É o que vão investigar cientistas brasileiros e americanos em uma pesquisa com 10 mil mulheres de vários países. Na última quarta-feira (22), o Ministério da Saúde anunciou a parceria, que pretende estudar os riscos que o vírus oferece ao feto e à gestante. O trabalho já teve início em Porto Rico, no Caribe, e por aqui deve começar entre julho e agosto deste ano. As voluntárias brasileiras selecionadas são moradoras de Salvador (BA), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP) e municípios do Rio Janeiro.

A ideia é monitorar as grávidas mensalmente durante o pré-natal com exames físicos, além de amostras de sangue, urina, saliva e secreções vaginais. As mamães também serão avaliadas semanalmente até seis semanas após o parto. Já os recém-nascidos passarão por testes e consultas 48 horas depois do nascimento e novamente aos 3, 6, 9 e 12 meses de vida.

Os cientistas pretendem comparar as mães infectadas com aquelas que não tiveram contato com o zika. Outra associação que será feita pelos estudiosos é o risco de complicações na gravidez entre mulheres que apresentaram sintomas da infecção e aquelas que foram contaminadas, mas não desenvolveram qualquer tipo de sinal. As alterações causadas pela infecção em embriões e fetos, como a microcefalia, também serão analisadas – assim como outros fatores que podem influenciar nesse problema.

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