Ibuprofeno na gravidez pode afetar fertilidade de filhas mulheres

Conclusão de estudo escocês se junta a outros trabalhos recentes sobre o impacto do anti-inflamatório tão comum sobre a fertilidade de ambos os sexos.

Tratamentos à base de ibuprofeno na gestação podem prejudicar a produção de óvulos da geração seguinte de mulheres. É o que diz um estudo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, publicado recentemente no periódico Human Reproduction.

O anti-inflamatório, comumente utilizado no tratamento de diversas condições de saúde e parte de analgésicos populares, vem sendo estudado por sua interação com a fertilidade – tanto feminina quanto masculina.

“É parte de uma investida maior da ciência para descobrir possíveis explicações para a queda nas taxas de fertilidade observadas há anos nas mulheres”, explica Renata de Camargo Menezes, ginecologista e obstetra diretora da Clínica Engravide, em São Paulo.

Essas investigações são divididas em linhas de acordo com os possíveis culpados: a poluição, a alimentação e o uso de remédios são três das principais delas. E algumas destas pesquisas anteriores indicavam que o ibuprofeno interagia com os ovários de roedoras e, consequentemente, poderia afetar a fertilidade.

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Dessa vez, os cientistas fizeram um teste com ovários humanos ainda em formação. Para o experimento, foram utilizadas células de tecido ovariano de fetos com idade gestacional entre 8 e 12 semanas, divididas em culturas que receberam quantidades diferentes da substância.

Depois de sete dias, as amostras que foram banhadas em ibuprofeno, em nível semelhante ao que seria transmitido pela mãe que tomasse o remédio, tinham 50% células ovarianas a menos do que as amostras que não receberam nada do composto.

Além disso, estas porções apresentavam 75% menos células germinativas, que são as que, mais tarde, se transformarão em óvulos. “Isso mostra que, se usado no início da gravidez, o ibuprofeno teria potencial para reduzir a fertilidade destes feros no futuro”, explica Renata.

E agora?

Nenhum motivo para se preocupar ainda. “O estudo foi feito in vitro, então não dá para afirmar que isso aconteceria também na vida real”, comenta Renata. É um contraponto que os próprios autores fazem na publicação, aliás.

De qualquer maneira, a novidade é um alerta contra automedicação, especialmente do ibuprofeno. “Normalmente já preconizamos outros compostos para aliviar a dor nas gestantes, como paracetamol e dipirona”, explica a médica.

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Depois das trinta semanas, ele deve ser abolido de qualquer maneira por estar vinculado a outras complicações no desenvolvimento do bebê. Mas essa regra não é muito bem respeitada. Para se ter ideia, os escoceses apresentaram uma estimativa de outro estudo de que até 30% das gestantes tome essa medicação em algum ponto da gestação.

O homem também deve ficar atento

Em janeiro deste ano, uma pesquisa da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, observou que homens que tomam o remédio por mais de seis semanas tiveram a função de seus testículos afetadas e uma interrupção na produção de hormônios sexuais por trás da reprodução.

Os efeitos foram temporários e leves, mas a suspeita dos cientistas é a de que, sob o uso constante e prolongado, os danos à fertilidade possam ser mais permanentes.

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