Hipotireoidismo: como ele impacta a gravidez?

Problema deve ser detectado antes da gestação para garantir a saúde da mãe e do bebê. Durante os nove meses, alterações hormonais confundem o diagnóstico.

A tireoide é uma das glândulas mais importantes do corpo, responsável por secretar hormônios envolvidos no metabolismo e na função de órgãos como o coração, cérebro, fígado e rins. No hipotireoidismo, problema mais comum da glândula, há uma queda na produção dos dois hormônios secretados por ela, T3 e T4, e o corpo todo sente as repercussões.

Trata-se de um problema relativamente comum — estima-se que 5% da população seja afetada por ele, sendo que as mulheres são sete vezes mais acometidas que os homens — e que pode prejudicar a fertilidade e trazer complicações para a gestação.  Entre as questões relacionadas ao bebê, estão um maior risco de partos prematuros, aborto espontâneo e desenvolvimento fetal prejudicado.

Para a mãe, os maiores riscos são hipertensão, diabetes gestacional e anemia. “O corpo precisa de mais hormônios tireoidianos durante a gravidez, e se a mulher já possui o déficit, deve dobrar a dose do remédio em dois dias na semana assim que a menstruação atrasar, para dar conta dessa demanda extra”, comenta Suemi Marui, endocrinologista da Salomão Zoppi Diagnósticos. “O problema é que muitas mulheres não são orientadas sobre isso”, completa a médica.

Hormônios da tireoide mudam durante a gestação

Até a 12ª semana de gravidez, o feto depende da tireoide da mãe para se desenvolver e isso provoca uma alteração nos níveis dos hormônios produzidos pela glândula. É normal, nesse cenário, o TSH estar baixo e até indetectável, outro fato desconhecido por parte dos médicos que pode levar a um tratamento para hipotireoidismo sem que haja necessidade.

Depois, no segundo trimestre, quem cai é o T4. “Recebo frequentemente gestantes no meu consultório que estão tomando remédio para tireoide porque o T4 apareceu baixo, mas trata-se de uma alteração normal na gestação”, destaca a médica. “Para que isso não ocorra, caso ele esteja diminuído, é preciso avaliar em que semana a futura mãe está, qual é seu histórico e pedir outros testes para confirmar se de fato há um problema ali”, comenta Suemi.

Por conta dessas flutuações, o ideal é não repetir a dosagem dos hormônios da tireoide enquanto o bebê se desenvolve se não houver nenhum fator de risco para a saúde da glândula. “Uma vez que a mulher já engravidou e não tem fatores de risco, não há necessidade real de ficar monitorando, pois resultados alterados podem trazer uma preocupação não justificada”, recomenda a médica.

É mais raro que o hipotireoidismo apareça durante a gestação, mas, caso o diagnóstico seja feito, a gestante precisa ser acompanhada também pelo endocrinologista, fazer mais consultas e exames para flagrar cedo possíveis complicações e tomar uma medicação que imita a função do hormônio T4 em jejum, pois o estômago precisa estar com o pH mais ácido para que o remédio seja absorvido. No geral, esses cuidados já são o suficiente para garantir uma gravidez tranquila e saudável.

Identificar antes é melhor

Como o grupo de risco para o hipotireoidismo é grande — mulheres com mais de 30 anos, histórico familiar de problemas na tireoide, que já passaram por perda fetal ou parto prematuro, portadoras de obesidade ou que já tiveram mais de um filho entram na lista — vale fazer a dosagem dos hormônios antes da gestação, porque muitas vezes a condição pode estar assintomática, mas já prejudicar as chances de engravidar.

Para se ter ideia, um levantamento realizado pela farmacêutica Sanofi no ano passado revelou que 4,7 milhões de brasileiros podem ter hipertireoidismo sem saber. Na dúvida, consulte o médico.

 

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