A importância do pai participativo

Confira o relato de uma mãe que fez fertilizações in vitro, engravidou de gêmeos e pode contar com o apoio do marido em todos os momentos.

Por Luísa Massa Atualizado em 28 out 2016, 02h12 - Publicado em 13 jun 2016, 07h32

Faby Cayres, 33 anos, é mãe da Mariana e do Gabriel, de 1 ano, especialista em Tecnologia da Informação e idealizadora do blog Mamãe de Gêmeos. Aqui, ela conta a sua história e fala sobre a participação do seu marido nos cuidados com os filhos e nos afarezes domésticos.

“Conheci o Igor há cinco anos e, após um ano de namoro, decidimos nos casar. Quando faltava apenas uma semana para o nosso casamento, eu tive um mal-estar e desmaiei no trabalho. Me levaram para o hospital porque eu sentia muitas cólicas. O meu esposo me acompanhou e os médicos disseram que deveríamos investigar se o caso era de endometriose

Nosso sonho era ter filhos e, por isso, começamos as tentativas já na lua de mel. A ideia era engravidar na viagem, mas não aconteceu. Voltamos para casa e fiz todos os exames possíveis até que a endometriose foi confirmada. A alternativa era recorrer à fertilização in vitro, mas antes disso, eu precisaria fazer uma cirurgia para conter o problema.

Desde o momento em que soubemos que eu teria que fazer tratamentos porque não conseguiríamos engravidar naturalmente, o meu marido me apoiou muito. Eu conheço casais que se separaram por causa disso, já que os procedimentos são invasivos e causam muita angústia e ansiedade. Não tem jeito: para dar certo, o amor precisaria prevalecer. E ainda bem que isso aconteceu conosco!

Fiz quatro fertilizações in vitro e o meu marido esteve do meu lado em todos os momentos – nos exames, procedimentos de coletas de óvulos e transferências. Eu sentia o quanto ele me apoiava e tentava me deixar para cima porque a autoestima da mulher costuma ficar abalada. Até mesmo porque eu sabia que o “problema” era comigo, pois ele poderia ter filhos com quem quisesse e isso pesava muito no meu psicológico.

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Na hora de fazer o procedimento, a primeira tentativa não deu certo, eu não tive óvulos. Na segunda e na terceira, consegui engravidar, mas abortei. Enfim, a quarta foi bem sucedida! Fiquei grávida e consegui manter os bebês dentro da minha barriga. Mais uma vez, o Igor esteve comigo na hora de fazer o exame de gravidez até o nascimento dos gêmeos.

Aí os bebês chegaram para completar a nossa família e encher os nossos corações de amor! E eu decidi que não teria babá. Acredito que essa escolha foi feita porque, no fundo, eu não admitia que uma pessoa “estranha” cuidasse dos filhos que eu sempre sonhei ter. Até o terceiro mês de vida dos gêmeos, eu contava com a ajuda de uma funcionária que cozinhava e mantinha a casa em ordem. Já o meu marido revezava comigo os cuidados com os pequenos. Como eu passava a madrugada inteira amamentando-os, ele dormia nesse período e acordava por volta das 5h, 6h da manhã. Ele ficava com eles nesse período e fazia tudo: trocava as fraldas e dava as mamadeiras com o leite que eu ordenhava, para que eu pudesse descansar um pouco.

Como eu estava tendo problemas com a funcionária que nos ajudava a cuidar da casa, resolvi dispensá-la. Conversei com o meu marido e decidimos que nós dois cuidaríamos do lar e dos bebês. Ele trabalha em casa e só sai quando precisa ir a alguma reunião, o que facilitou para que escolhêssemos esse caminho. Então, até hoje revezamos todas as tarefas. Por exemplo: quando estou trocando a fralda de um bebê e o outro está chorando, ele prontamente cuida dele; ele é responsável por esquentar para as crianças as papinhas que eu faço e congelo; ele também dá banhos todos os dias. A mesma coisa acontece com a limpeza da casa. O Igor não espera que eu fale: “amor, passe um pano no chão”. Muito pelo contrário: vai lá e faz sem que eu comente.

Estúdio da Villa
Estúdio da Villa

Costumo dizer que ele não está me ajudando, e, sim, fazendo a sua parte porque está exercendo a paternidade, assim como eu faço com a maternidade. Para muitos homens, cuidar dos filhos e fazer serviços domésticos é uma vergonha, mas isso não acontece aqui em casa. Somos uma dupla sincronizada, uma família, um time! Sem a ajuda dele, fica muito difícil para mim; e quando eu não estou perto, também se torna complicado para ele. Sou muito feliz porque os meus filhos têm um papai participativo e, no fundo, acredito que todos nós saímos ganhando!”

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