Você aceitou o Desafio da Maternidade?

Para alguns, apenas uma brincadeira. Para outros, uma falsa realidade. O mais recente viral do Facebook levantou um debate sobre as belezas e dificuldades de ser mãe. Entenda!

Nos últimos dias, a sua timeline do Facebook provavelmente foi invadida com imagens do Desafio da Maternidade. A proposta é compartilhar ao menos três fotos que demonstrem como as mulheres que têm filhos se sentem felizes. Quem participa deve marcar outras mães na postagem para que elas façam o mesmo e, assim, a corrente continua. Em meados de janeiro, o jogo já havia começado em outros países, como na Inglaterra, com a hashtag #themotherhoodchallenge. Em terras britânicas, o desafio foi acusado de ser presunçoso e insensível. E, assim como lá, o que era para ser mais uma brincadeira nas redes sociais acabou virando polêmica. Isso porque algumas mulheres não concordaram com a ideia romantizada que muitas pessoas têm sobre o que é a maternidade, em meio a fotos de bebês dormindo como anjos, sorrindo e famílias ~ aparentemente ~ perfeitas. Para elas, é importante mostrar com honestidade como é a rotina de uma mãe.

“Participo do desafio, mas não endosso sua premissa. A maternidade não me faz feliz, o Yuri me faz feliz. Eu não amo ser mãe. Colocar meus planos em pausa, não dormir direito, ser cobrada sempre e sempre me sentir errada, morar sozinha com um bebê de 15 meses, estudar sem ter tempo para estudar, ser preterida em relacionamentos, ser abandonada por todas as minhas amigas, suportar sozinha o peso da nossa existência: nada disso me faz feliz. Não vejo em nada disso os passos que preciso trilhar ou o preço que pago por ter minha cria em meus braços”, escreveu Natália Pinheiro, estudante de letras da Universidade Federal de Santa Catarina.

Natália não foi a única! Mãe de primeira viagem, Juliana Reis, de 25 anos, não quis entrar no jogo e fez um desabafo na rede social sobre os julgamentos que as mulheres recebem desde a gravidez e as dificuldades que enfrentam durante o puerpério. “Desafio NÃO aceito! Me recuso a ser mais uma ferrramenta pra iludir outras mulheres de que a maternidade é um mar de rosas e que toda mulher nasceu pra desempenhar esse papel… Eu vou lançar outro desafio, o desafio da MATERNIDADE REAL”, ressaltou. O depoimento de Juliana viralizou, recebeu mensagens de apoio e, principalmente, uma enxurrada de críticas, tanto que seu perfil foi denunciado para o Facebook e bloqueado nesta quarta-feira, 17. Leia o texto dela na íntegra:

“De tudo o que as mães passam e as pessoas não dão valor, como se toda mulher já tivesse sido programada pra viver isso. Postem fotos de desconforto com a maternidade e relatem seus maiores medos ou suas piores experiências para que mais mulheres saibam da realidade que passamos. Dizem que no final sempre acaba tudo bem, mas o meio do processo por muitas vezes é lento e doloroso.

Primeiramente eu quero deixar bem claro que eu amo meu filho, mas tô detestando ser mãe. E acho que isso não vai melhorar nem quando ele tiver a minha idade atual. Primeiro a gravidez. “Nossa que barriga enorme pra 7 meses”, “esse bebê não vem não?”, “Vicente! Mas por que você escolheu esse nome coitado!”. Pessoas, entendam que grávidas não são patrimônio público. Se o que vocês pensam não vai acrescentar positivamente na vida dela façam o favor de não falaram NADA!!! Até se acrescentar positivamente você deve pensar mil vezes antes de falar. ELA está grávida, então ela já se informou sobre o que pode ou não comer e se ela está comendo o problema é dela! Não se metam!

Mas aí, a pobre da mulher pensa que quando nascer vai melhorar, conta os dias até o parto chegar, esses dias que demoram mais do que toda a gestação junta. E quando a hora chega, nada sai como esperado. No meu caso, que sempre defendi com todas as forças o parto normal, afinal, meu corpo foi projetado pra isso, não tive um corpo tão bem projetado assim. Os médicos falavam que o colo do útero estava fechado e bebê muito alto e que a cesárea seria a opção mais segura. Tudo o que eu precisava pra me sentir um lixo de mulher que não conseguiu fazer o tão raçudo parto normal. Mas quando o parto chega ao fim, eu percebi que não é um mar de rosas ter a cesárea (sinto algumas dores até hoje, com 40 dias de cirurgia).

Mas nada disso importa mais, tô de frente pro amor da minha vida! (oi?) Tudo que senti foi uma tremedeira descontrolada que eu não sabia se era medo ou frio. E quando a médica perguntou o que eu achei do bebê eu não tive coragem de dizer que tinha sido o bebê mais feio que eu já tinha visto e só perguntei se ele era perfeito. Quando ela disse que sim eu apaguei e quando despertei aquela criança cinza não estava mais perto de mim. Meu filho só voltou pra mim depois de alguma horas e com ele vieram mil regras e informações que eu tinha que absorver em minutos (tudo isso partida ao meio e sem poder me mexer). Mas agora estamos em casa. Aqui eu vou poder curtir meu filho. Errado de novo! Mais gente querendo se meter de como você deve fazer as coisas. E você, recém operada e cheia de dores, onde encontra as forças pra debater? E nos dias que ele simplesmente grita aos prantos, a mãe tem meio que uma obrigação de saber o que ele tem. “É cólica? É refluxo? É manha? Você que é mãe tem que saber!”

E por último, mas não menos importante: a amamentação! “Mãe que é mãe tem que amamentar! Tem que sentir a maravilha que é ser o alimento do seu filho”. Hoje eu consigo amamentar com um pouco menos de dor, mas não torna as coisas mais fáceis. Meu filho mama TODA hora. E às vezes por uma hora inteira. “Mas seu leite não deve estar sustentando!”. Nas horas que eu ouço isso eu sinto um anjo me segurar pra não voar em quem falou! Meu leite sustenta sim, obrigada! E quem não amamenta, ou porque não quer ou porque não conseguiu, não é mais ou menos mãe do que eu ou do que você que amamentou seu filho até os 30 anos de idade.

Eu admito que reclamo disso tudo de barriga cheia. Tenho muita ajuda, não preciso fazer comida, cuidar da casa, lavar e nem passar roupa. Mas mesmo assim passo muitos dias sem nem pentear o cabelo, substituindo biscoitos por refeição e agora cada segundo de sono é o que me faz ter um mínimo de sanidade mental. Eu aplaudo de pé todas as mães, sem exceção, mas acho irracional e sadomasoquista gostar dessas coisas. Então, sim, detesto ser mãe. Até porque, passamos por isso tudo pra ainda chegarem pra você e falarem que seu filho é a cara do pai!”

Diante de tanta controvérsia, outra mãe resolveu se pronunciar, afirmando que entende os dois lados: o de quem idealiza a maternidade e o de quem expõe os problemas e o peso que cai sobre os ombros das mulheres. “A gente não pode romantizar a maternidade, mas a gente não pode demonizar a maternidade. Precisamos, sim, libertar as mulheres da maternidade compulsória, mas a gente precisa também lutar por mulheres grávidas que querem ter parto normal sem intervenção, por exemplo. O ativismo materno deveria estar para o feminismo, mas não está, porque não suportam a ideia de ver mulheres na luta por direitos para grávidas, por exemplo, não vejo criação com apego ser pauta do feminismo, deveria ser, mas não é”, declarou Janice Mascarenhas, do Rio de Janeiro. Ela fez, ainda, um balanço sobre o que significa a palavra “maternar” na vida dela:

Já a feminista Isabela Kanupp, de Campinas, autora do blog Para Beatriz, criou outro movimento em resposta à corrente que bombou na web: ao invés de compartilhar fotos sobre as alegrias de ser mãe, ela decidiu postar mensagens sobre as responsabilidades dos pais na criação dos filhos. A hashtag #DesafiodaPaternidade, lançada por ela nesta terça-feira, 16, já recebeu a adesão de muitas outras mulheres, que criticam a ausência dos homens em questões básicas do dia a dia com uma criança em casa.

E você? Aceitou o desafio da maternidade? Conte pra gente nos comentários! 

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