Porque eu não crio as minhas filhas da mesma maneira

Você respeita e entende a individualidade de cada criança? Veja o relato de uma mãe que engravidou da segunda filha quando a primeira tinha apenas 7 meses.

Flávia Monteiro Cabrini, 38 anos, é mãe da Lia, de 5 anos, e da Marina, de 4 anos, e idealizadora do Instagram Mamãe Leitora. Aqui, ela fala sobre a difícil tarefa de criar suas filhas passando os mesmos valores, mas respeitando a individualidade de cada uma. Confira!

“Eu sempre quis ter mais de um filho – talvez por ter sido filha única por treze anos, eu sentia falta de uma companhia por perto. Meu sonho era ter uma casa movimentada, cheia de vida, como a dos filmes e novelas. Essa sempre foi a minha vontade. Empenhados nisso, eu e meu marido tivemos nossa primeira filha: uma boneca! Doce, meiga e tranquila, não nos dava trabalho algum. Nós achamos que seria fácil, por isso, encomendamos o segundo quando a pequena tinha apenas sete meses. Já na primeira tentativa, engravidei da nossa caçula – quanta alegria!

Só depois que ela nasceu nos demos conta de quanto trabalho teríamos em nossas mãos com dois bebês que tinham apenas 17 meses de diferença. Além de todos os afazeres diários que duas crianças exigem – trocas de fraldas, banhos, alimentação, ninadas –, também havia um trabalho adicional, aquele que julgo o mais importante e difícil: criar as duas crianças como pessoas diferentes que são, respeitando a individualidade e personalidade de cada uma delas.

Você acha que trata os seus filhos da mesma maneira? Por mais que tentemos, nem sempre conseguimos. Para mim, na hora de educar, devemos levar em consideração a particularidade de cada um, mesmo quando os pequenos são gêmeos ou do mesmo sexo. Afinal, cada criança é de um jeito e é importante que os pais percebam as necessidades individuais. Essa é uma tecla que eu martelo diariamente na minha cabeça é a maior culpa que tenho como mãe porque nem sempre consigo acertar.

Muitas vezes falho, mas tento prestar atenção nas minhas atitudes para não cair no mesmo erro. Eu acredito que os valores passados para os filhos devem ser os mesmos, mas a forma de transmitir isso pode e deve se adequar para cada criança. Minhas filhas têm idades muito próximas e, felizmente, são melhores amigas. Uma sente falta da outra quando não está por perto, elas brincam muito, dormem juntas – muitas vezes dividem até a mesma cama – e são inseparáveis. Claro que nem tudo são flores e brigas surgem eventualmente, mas elas se dão bem.

Só que há também o lado negativo de toda essa proximidade: quando eu enxergo as duas como uma só. Acabo oferecendo a mesma comida, comprando as mesmas roupas, brincando e discutindo da mesma forma com elas. Quando ajo assim, eu erro. E erro por dois motivos: primeiro porque elas não têm a mesma idade e acho que eu não deveria exigir tanta maturidade da caçula e nem infantilizar a mais velha. Segundo porque elas são pessoas diferentes e reagem, pensam e desejam de maneiras diversas.

Todos os dias, tento melhorar nesse aspecto para não tratar as duas da mesma forma. Por isso, brinco com elas separadamente, dou atenção para uma enquanto a outra convive com o pai, passo manteiga em um pão e requeijão no outro porque sei que cada filha gosta de um sabor, compro roupas diferentes, tento tirar um dia para passar com uma delas – assim, posso conviver, conversar com calma e entender as necessidades sem a presença da outra irmã. É claro que a correria do dia a dia nem sempre permite que eu faça isso, mas essas são metas que tento estabelecer.

Se você tem dois filhos (ou mais) e está passando por essa situação, não se sinta culpada quando perceber que está tratando as crianças de maneira padronizada. Acontece! É natural que façamos um jogo mais fácil para que o menor também saia vencedor, é natural que arrumemos as lancheiras lado a lado e coloquemos as mesmas coisas para o lanche. Afinal, essas são atitudes práticas que acabamos recorrendo durante a rotina. Tudo isso é compreensível. Mas se policie para perceber as necessidades que cada uma das crianças tem porque elas são pessoas distintas.

Também acredito que o que não podemos fazer é oferecer quantidades diferentes de amor, atenção ou carinho. Claro que tem um dia que um filho está doente, carente, chateado e merece mais chamego. Mas, em geral, nosso afeto, vontade de acertar, desejo de que nossas crianças sejam felizes deve ser igual para todas. Felizmente, nisso eu não peco. E vou dizer mais: eu e meu marido estamos pensando em ter mais um filho! Pode não ser fácil, mas quem é mãe sabe: nosso amor não se divide, apenas multiplica!”

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