Papel de pai: por que ele não participa dos cuidados com o bebê?

Seu marido não dá uma força na hora de trocar a fralda, dar banho ou embalar o pequeno. Mas será que a culpa é mesmo dele? Especialistas respondem!

Por Angela Senra (colaboradora) Atualizado em 22 out 2016, 15h13 - Publicado em 17 jun 2015, 19h40

Uma das reclamações das mulheres é que os homens não ajudam nos afazeres da casa nem com os filhos. Sobrecarregadas e cansadas, muitas ficam estressadas e ruminando mágoas do companheiro. Dividir tarefas é uma operação complicada para o casal, mas, mesmo quando há boa vontade do lado masculino, não há garantia de que tudo fique perfeito. E são muitas as razões para isso acontecer. Quando nasce um filho, marido e mulher passam a desempenhar os papéis de pai e mãe, bem diferentes do que tinham antes. E nem sempre conseguem perceber ou aceitar que estão sentindo ciúme, culpa, insegurança, medo.

Para a psicóloga e psicoterapeuta Sandra Samaritano, um marido participativo, que resolve cuidar da casa e ajudar com o bebê quando a mulher está se recuperando do parto, por exemplo, pode despertar nela sentimentos contraditórios. “Ao mesmo tempo em que fica satisfeita, pode se perguntar: e se ele conseguir fazer tudo direitinho e eu perder a minha função? Esses temores nem sempre surgem de forma consciente, por isso é importante poder contar com alguém que esteja atento ao seu comportamento, como um amigo ou até um terapeuta, dependendo do caso”, diz ela.

1. Ninguém pode fazer melhor que eu

Sandra explica que a mulher, especialmente quando se torna mãe, tende a entrar no papel de heroína, a que aguenta tudo, forte e poderosa. “Ela sofre com tudo que precisa resolver, mas tem dificuldade de aceitar ajuda”, afirma Sandra. As perfeccionistas relutam ainda mais porque não acreditam que alguém possa fazer nada melhor que elas. “Como não suportam o erro, permanecem na posição de mártires”, diz Sandra.

Com essa postura, acabam desqualificando o trabalho do homem. Para a psicóloga Kátia Horpaczky, esse é o ponto crucial. “As mulheres querem que os maridos façam do jeito delas, mas precisam aprender a valorizar mais o interesse e o empenho deles para que possam caminhar juntos. Dar oportunidade ao outro e aceitar ajuda é fundamental.”

2. A importância do diálogo

Ficar fazendo cobranças e dando ordens acaba criando o distanciamento entre os pais e resultando em sofrimento ao bebê, alerta a psicóloga gaúcha Erica Brandt. “É importante conversar de forma sincera, compreendendo os limites de cada um”. A ausência de diálogo, comum em muitas famílias, gera conflitos que poderiam ser amenizados. “Infelizmente, muitas mulheres não dialogam e assumem atitudes de controle sobre os filhos sem se dar conta que afastam os pais da participação nos cuidados com o bebê. Depois reclamam que eles não contribuem”, afirma Erica.

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3. Papéis definidos

Dizer ao homem que é sua obrigação ajudar não resolve. “Ainda vivemos numa sociedade com papéis definidos. Muitas mulheres acreditam que cuidar da casa e dos filhos é função delas e seguem esse padrão custe o que custar”, diz Kátia. Uma parcela delas, inclusive, não gosta que os homens ajudem em casa, alegando que são lerdos, fazem tudo errado, sujam uma dúzia de pratos e talheres para fazer uma omelete ou molham o banheiro todo na hora de dar banho no bebê. 

Difícil, não? Sem querer vilanizar uns e outros, o que é importante mesmo é conversar, ser compreensivo, paciente e tolerante. Nem a mulher que faz tudo sozinha é heroína nem o marido que ajuda é super-homem. Para Erica, muitos mal-entendidos são evitados quando o casal discute tudo isso logo que decide ter filhos. “No geral, eles demoram para falar e, quando resolvem tratar das tarefas que serão compartilhadas e a mulher defende a ideia de que os pais têm obrigação de ajudar, os diálogos se tornam ríspidos. Para evitar o rancor, é saudável que as mães expliquem com calma como se sentem e que tipo de ajuda esperam. Sem irritação.”

Ela acredita que as mães devem orientar os pais no aprendizado dessas tarefas, especialmente se eles sempre se mantiveram distantes dos afazeres domésticos. “Não adianta idealizar que os homens vão ajudar com as crianças se nunca fizeram nada dentro de casa”, diz Sandra. É preciso discernir se eles não querem fazer ou querem, mas não sabem como. “Se seu marido quiser desenvolver essas habilidades, ótimo”.

4. Trabalho dentro e fora de casa

As mulheres que nos primeiros 4 a 6 meses de vida do filho passam a maior parte do tempo em casa podem cair na armadilha de imaginar que, como os maridos estão saindo para trabalhar e elas não, a responsabilidade de levantar à noite para trocar fralda é delas. Será? “O mais sensato é que a cada noite levante quem estiver em melhores condições físicas e psíquicas. E, se ambos estiverem exaustos, é preciso ter a humildade de pedir ajuda aos familiares. Dessa maneira, o casal favorece uma relação saudável entre pai, mãe e bebê e os dias e as noites são partilhados com bem-estar para todos”, diz Erica.

Ela lembra ainda que as mulheres devem respeitar o pós-parto e cuidar de si mesmas para se recuperarem. “Bem-dispostas, elas podem atender melhor às necessidades dos filhos com carinho nas mamadas, nos banhos, na higiene e nas carícias. Para isso, é imprescindível aprender a falar com os parceiros sobre o que necessitam numa linguagem objetiva e afetuosa”, completa Erica.

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