O fim da licença-maternidade

Uma mãe fala sobre o difícil momento em que a licença-maternidade chega ao fim.

Thaíse Christoni, 31 anos, é mãe do Dante, de 1 ano e 9 meses, idealizadora do blog Muito Mais Que Mãe. Aqui, ela fala sobre a difícil decisão que toda mãe enfrenta quando a licença-maternidade termina. Confira!

“Quando o desejo de engravidar apareceu, eu já tinha feito algumas coisas na minha vida que considerava realizações pessoais importantes. Formei-me cedo, passei em um concurso público em outra cidade, mudei-me para lá, retornei, casei, viajei sozinha, fiz esportes radicais que muita gente nem sonha em fazer. Estava em uma fase excelente da minha vida pessoal, matrimonial e profissional. A gravidez chegou e curtimos intensamente!

Naquele momento, decidi que, como nas outras escolhas, eu também iria me dedicar profundamente ao meu filho. Tive a sorte de ficar 7 meses em licença-maternidade e poucas foram as atividades que fiz – por opção – além de ser mãe. Tentei me adaptar a uma babá, mas minha “determinação” não me permitia abrir mão nem por algumas horas de estar com ele. Reconheço o quanto toda ajuda é bem-vinda, mas era esse modelo de mãe que eu decidi desempenhar e não me arrependo de nada.

Ao fim da licença, decidimos que utilizaríamos os serviços de uma creche. Antes de retornar ao trabalho, fizemos a adaptação do pequeno. Os primeiros dias foram terríveis! Não conseguia tirar meu filho da cabeça e ficava conectada às câmeras do local para não perder nenhum minuto do Dante. Pensava como seria capaz de voltar a trabalhar e deixá-lo sozinho aos cuidados de pessoas que ele nunca tinha visto na vida. Foi muito difícil!

No entanto, o retorno ao trabalho foi mais surpreendente que o esperado. Percebi o quanto desempenhar minhas funções profissionais faziam bem ao meu ego. Além de trabalhar com o que gosto, voltei a conversar sobre vários assuntos que iam além da maternidade. Nada de amamentação, mamadeiras, cólicas, introdução alimentar, primeiros dentes… Saber dos temas da atualidade, dar boas gargalhadas e discutir coisas importantes ainda era muito bom.

Constatei também que, mesmo depois de um dia de trabalho, eu voltava revigorada para curtir o restante do dia com o Dante. É impressionante como sentimos saudades deles e queremos aproveitar ao máximo até a hora de colocá-los para dormir. Ainda podemos brincar, dar banho, alimentá-los e ficar agarradinhos até o sono chegar. Não há nada melhor!

Foi nesse momento que precisei mais da ajuda do meu marido e isso foi muito importante para ambos: pai e filho. Meu marido é carinhoso e participativo, mas, como eu tendia a assumir tudo para mim, pouco sobrava para ele. Para não me sobrecarregar, estipulamos que ele buscaria o nosso filho na creche. Eles voltam para casa juntos, se curtem bastante até a mamãe chegar e ainda estreitam essa relação tão necessária para eles.

Juro que qualquer sinal de culpa desapareceu quando senti o bem que essa escolha fez para nós, principalmente, para mim. Fiz da minha licença um período de dedicação que me permitiu presenciar e curtir bons momentos do início da vida do meu filho. Mas me dei conta de que havia chegado a hora de tocar minhas atividades além da maternidade e o quanto isso significava para mim. Percebi também que eu não precisava ser tão exigente comigo mesma, que outras pessoas poderiam cuidar bem do meu filho como eu e que o Dante precisava descobrir o mundo sem minha vigilância constante. Na creche, além de se divertir, ele constrói suas primeiras relações de amizade e aprende os benefícios de conviver com outras crianças. Vê-lo chegar e sair de lá feliz me permite ser o que sempre desejei: uma mãe tranquila e uma profissional realizada, sem culpas, neuras ou arrependimentos.”

Depoimento publicado originalmente em janeiro de 2015

 

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