“As dores da maternidade”

O seu bebê teve cólicas? Você sofreu com isso? Confira a história de uma mãe que enfrentou esse problema e como ela fez para criar forças para seguir em frente.

Lívia Haddad Moretti, 33 anos, é mãe da Beatriz, de 2 anos, jornalista e idealizadora do blog Lei da Gravidez. Aqui, ela fala sobre os desafios que apareceram nos primeiros meses de vida da pequena. 

“Depois de casar surgiu aquela vontade de ser mãe. Parecia uma onda que chegava mansa, crescia, quebrava e voltava pro mar. De tempos em tempos esse sentimento me abalava. Até que realmente era chegada a hora. Porque quisemos, meu marido e eu, e achamos que já era o momento.

Quando a Bia nasceu eu já imaginava que minhas noites não seriam as mesmas, mas a gente sempre fica com aquela sensação de que a maternidade é a coisa mais maravilhosa do mundo. Só que não! Minha filha sofreu de cólica desde seu primeiro dia de vida. Na maternidade, sua segunda madrugada foi em claros, aos berros. Eu e o Luís, pais de primeira viagem e completamente inexperientes, não sabíamos o que fazer com aquele choro todo e, pelo visto, nem as enfermeiras, uma vez que chamaram a pediatra de plantão para avaliar aquela coisinha pequena que se sentia tão mal. O diagnóstico: “Ela tem cólicas. O sistema digestivo dela ainda está amadurecendo e isso pode durar três meses… alguns bebês pra mais, outros menos”. Tão pequena, tão indefesa e já com tanto sofrimento. Isso destrói o coração de qualquer mãe e pai – sem sombra de dúvidas!

O que eu não sabia – antes engravidar – é que a ”gestação” dura quatro trimestres. O último período – ou extero-gestação – é fora da barriga da mãe, onde o bebê ainda está terminando de se formar e se acostumando a ficar fora do “conforto” do ventre materno. Por isso ele pede muito colo, carinho, atenção e paciência. E confesso que foi com a Beatriz que aprendi o que é paciência. Não foi fácil aguentar o choro da minha menina, com tantos desconfortos. Foram remédios (todos com prescrição médica), colos, muitas tentativas de acalmar.

Só que as dores não tinham horários certos e duravam muito tempo. Eu, que era contra dar medicações pra um ser tão minúsculo, acabei mudando o conceito e larguei mão! Remédio sim! Pra que deixá-la sofrer tanto? Depois resolvi entrar com homeopatia, o que deu uma boa melhorada. Por fim, acabei com a lactose da minha dieta. Foi o melhor dos mundos! Graças a Deus a minha pequena não tem APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca), mas ela tem uma certa intolerância que dificultava a digestão e, por isso, tantas dores e contorcionismos.

Mudei meus hábitos e mudei de endereço. Desde que o meu marido voltou a trabalhar (após cinco dias de licença), fui morar com meus pais para que pudesse ter um suporte na hora dos cuidados com a pequena. Foi minha salvação! O que era pra durar uns dias acabou se tornando quase três meses! Fui criticada, mas só quem conheceu as crises de cólicas da minha filha pode saber o quanto foi necessária esta mudança temporária. E o principal foi ter o apoio da família e do meu esposo, que me deu um suporte que talvez nenhum outro desse.

Após um mês e meio de vida da pequena Beatriz, me lembro bem, era segunda-feira. Ela chorava o dia todo. Eu chorava com ela. Estava exausta, mesmo com ajuda dos meus pais. À noite, após sua “soneca” de três horas, acorda, mama e dorme? Não! Acorda, mama e chora! Chora muito, desesperadamente. Viro de um lado, de outro, levanto, deito, dou remédio, canto… nada. Nada a acalmava, nada adiantava e minhas forças estavam indo pro ralo. “Que mãe sou eu? Sou tão ruim assim? Não sirvo pra isso? Queria tanto ser mãe e olha o que eu estou fazendo! Ela está sofrendo e eu não consigo fazer mais nada!”

O desespero bateu forte. Deitei no sofá com ela no colo. Ela chorava, eu chorava… E as duas largadas, chorando muito, me vi a pior mãe do mundo. Me culpei com nunca na vida! Não foi fácil. O Luís queria ajudar, mas não deixei. Ele trabalha em outra cidade e precisava descansar. Seriam duas preocupações. Minha mãe apareceu na sala, tirou a Bia de mim e me mandou deitar. Disse que eu tinha que descansar. Ela viu que eu tinha chegado ao auge do cansaço. Entrei no banheiro e chorei, como criança, de soluçar. Fiquei trancada alguns minutos. Saí, tomei um copo de água com açúcar e fui deitar.

Minha cabeça naquele choro de bebê, sofrido… Mas ela não chorava mais. O som que ecoava no meu ouvido já era coisa da minha mente. Fui atrás e não encontrei nenhuma das duas. Elas foram pra suíte dos meus pais e me deixaram de fora. Dormi. Pouco, mas dormi. E quando levantei elas estavam acordadas… Mal dormiram uma hora naquela noite. Meu corpo todo doía como se eu tivesse sido pisoteada. Naquele dia eu e Beatriz ficamos na cama, dormindo manhã e tarde inteiras. Acabadas.

Depois com o tempo as coisas foram se ajeitando. Dou graças a Deus de ter uma família tão parceira. Faria tudo de novo e, tenho certeza, eles também! Hoje tenho força e acredito que isso acontece com muitas mães. Parece que não tem fim, mas tem sim! E nós começamos a criar uma segurança, pois aprendemos a lidar com aquele ser. Ele está descobrindo o mundo e você está renascendo com ele, tudo é novo para todos. Mas é sério, uma hora vai parecer que você tira aquilo de letra, que você nasceu para ser mãe!

Arquivo pessoal Arquivo pessoal

Arquivo pessoal (/)

E se em algum momento você precisar gritar, chorar, correr pra um canto. Faça! Mas acredite que é só uma válvula de escape e tenha sempre pessoas que te amam por perto, pois elas serão importantes demais pra sua recuperação. Outra coisa, quem passa por tudo isso sozinha, parabéns! Você é uma heroína! Ah, e fica a dica: AINDA ASSIM, VALE A PENA SER MÃE!

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