21 dicas para entreter os filhos sem precisar usar o celular

Especialistas sugerem dezenas de brincadeiras que estimulam o desenvolvimento infantil e fortalecem o vínculo entre a família.

Na mesa do restaurante, na espera do médico, em uma viagem de carro… Manter os filhos entretidos e comportados é um desafio para os adultos em diversas situações. É comum que o celular e o tablet sejam aliados nessas horas, mas, em excesso, as telas podem atrapalhar o desenvolvimento infantil.

“A tecnologia vem para acrescentar, mas não devemos terceirizar o cuidado para elas, pois há impactos no comportamento da criança no futuro, que pode ficar imediatista e ter dificuldades de lidar com o que não dá certo para ela”, comenta Betina Lahterman, pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo a especialista, problemas no desenvolvimento da visão, miopia precoce, socialização e até alterações na coluna por conta da posição estão se tornando mais comuns nos consultórios dos pediatras por conta do uso excessivo. Isso não quer dizer que eles devam ser banidos, mas é preciso maneirar no uso desse recurso. Mas o que fazer então para distrair os pequenos?

O segredo é uma mistura de preparo material e mental, que pode render momentos divertidos em família e que ainda estimulam o desenvolvimento motor e cognitivo da prole. Veja as dicas que preparamos:

Pequenos (de zero a três anos)

1. Ocupe as mãos e espere um pouco

Bebês não precisam da intervenção dos adultos o tempo todo. Eles são naturalmente curiosos e sentem prazer em tocar, provar e sentir as coisas ao redor. Use objetos da natureza presentes no restaurante, como folhas, flores, copos plásticos, guardanapos e limpe a mesa de objetos cortantes e pontiagudos.

2. Gol a gol de tampinha

Para as crianças um pouquinho mais velhas, dos dois anos em diante, é possível criar um jogo simples usando tampinhas de plástico. Basta fazer um gol com as mãos e “chutar” a tampinha com os dedos.

3. Esconde-esconde

Os pequenos amam esse tipo de brincadeira. A partir de um ano, esconda objetos na mão, como sachês de sal, e peça para a criança adivinhar em qual das mãos o item está. Quando ela for mais velha, a situação pode ser invertida: ela esconde e os pais adivinham.

4. Chocalho de garrafinha

Ideal para bebês. Pegue uma garrafinha de plástico vazia e coloque lá dentro objetos que façam barulho: pedrinhas, grãos ou a própria argolinha da tampa. Feche bem e entregue para as mãozinhas, que certamente estarão curiosas com o som que o objeto faz.

5. Massa para brincar

Os restaurantes costumam oferecer pedaços pequenos de massa de pizza ou outras para as crianças brincarem. Verifique com o garçom e veja a mágica acontecer.

6. Massinha

Nós perguntamos no nosso Instagram o que os pais faziam para entreter os filhos e a massinha foi um dos itens mais lembrados. A massa de modelar realmente é uma ótima alternativa nestes momentos. Para estender o interesse da criança nela, tente acrescentar objetos dos arredores na brincadeira: um porco espinho com canudos, um boneco com palito de sorvete e por aí vai.

7. Liberando o artista interior

Ter giz de cera na bolsa, mais prático e seguro do que o lápis de cor, é uma ótima pedida. Mesmo que você não tenha papel, a criança ainda poderá desenhar no guardanapo, na toalha de papel na mesa. Outra dica é comprar cartelinhas de adesivo, a partir dos três anos, e brincar de colar nela mesma, nos itens na mesa e nos adultos também, porque não?

8. Faça a brincadeira render

A dica da massinha vale para todos os objetos. Antes de apresentar um novo brinquedo para a criança, sugira novas possibilidades para ele: guardar dentro de outro objeto maior, fingir que ele é outra coisa, explorar texturas e usá-los para contar uma história.

9. O poder da canetinha

Uma dica é ter uma canetinha atóxica na bolsa. “Quando o desespero bate, dá para desenhar relógios, formiguinhas, corações e outras figuras no braço da criança, que fica encantada com aquilo”, comenta.

10. Siga o mestre adaptado

Bebês aprendem imitando os adultos, e até isso pode virar um jeito de se divertir. Faça expressões faciais e movimentos simples e peça para que o pequeno repita: mostrar a língua, bater os pés, colocar a mão na cabeça, sorrir…

Mais velhos (dos 4 anos em diante)

11. Quem sou eu?

Pense em personagens do repertório da criança — super heróis, protagonistas dos desenhos favoritos — para fazer uma brincadeira de adivinhação. Os filhos devem fazer perguntas respondidas apenas com “sim” ou “não” para descobrir quem é o escolhido.

12. Livros

Livros infantis também foram apontados pelos leitores como alternativa para o celular. Há opções interessantes para todas as idades, algumas mais interativas e que estimulam os sentidos das crianças, mas vá com calma. “Forçar a criança a ler pode atrapalhar a alfabetização depois”, orienta Ana Lucia Meneghel, pedagoga da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

13. Elefante colorido

Parte do segredo de entreter os filhos é voltar a ser criança também. Quem não se lembra da brincadeira elefante colorido? Eleja uma cor e peça para os filhos encontrarem ou apontarem objetos que tenham a cor.

14. Jogos de desenho

Quando a criança cresce, dá para estender o risque e rabisque para jogos mais elaborados. Escreva palavras no papel que sejam fáceis de ilustrar: sol, coração, casa, peixe… Recorte e sorteie uma para a turma desenhar.

15. O que sumiu?

Coloque vários objetos na mesa: chave, caneta, batom, óculos, colher. Peça para a criança olhar bem e depois fechar os olhos. Esconda um dos objetos enquanto isso e peça para ela adivinhar o que não está mais lá. A brincadeira ainda treina o raciocínio e a memória.

16. Entrevista

Quando o discurso da criança está mais elaborado, é possível passar um bom tempo apenas conversando. Puxe papo com perguntas que estimulem a imaginação dela: o que ela levaria para uma ilha deserta? Qual é comida que ela mais gosta de comer? As opções são infinitas.

17. Complete a história

Um adulto começa imaginando uma situação: “Era uma vez uma menina que tinha um cachorro azul”, e os outros integrantes da mesa completam a narrativa. Quanto mais maluca a história, mais divertida será a brincadeira.

18. Qual é a música

Cantarole ou murmure trechos de músicas conhecidas dos filhos e peça para eles adivinharem qual está sendo cantada. A brincadeira também pode ser inversa: eles murmuram e os pais adivinham.

Para todos

19. Converse sempre

Um dos principais segredos para que todas essas estratégias deem certo é manter o canal de diálogo sempre aberto com o filho, mostrar que ele faz parte daquele momento e estimular sua autonomia. Pergunte o que ele está achando daquela brincadeira, proponha novos usos e desafios e mostre que está interessado nele.

20. Conheça os limites

Tem horas que nada disso vai dar certo, e seguir tentando entreter uma criança sonolenta ou irritada só gerará mais estresse aos adultos. Se o pequeno estiver fisicamente desconfortável ou cansada, o melhor é adiantar o fim do passeio. Avise a criança que entendeu que ela está cansada e que logo irão embora, ofereça colo e saia um pouco da mesa com ela.

21. Seja exemplo

Não adianta pedir para os filhos não ficarem jogando o tempo todo se os próprios pais não saem do celular. Momentos como as refeições são uma ótima oportunidade de estar juntos em uma rotina cada vez mais corrida. A convivência demanda paciência e criatividade, mas a recompensa é grande para todos.

Quando a hora do tablet chega

Até os dois anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria contraindica o uso de qualquer tecnologia. A partir disso, as crianças podem usar celulares e tablets com alguns cuidados. Entre os dois e cinco anos de idade, o tempo de exposição deve ser de no máximo uma hora por dia, sempre com a supervisão dos pais. Vale verificar o que a criança está assistindo ou jogando e participar do momento. Saiba mais aqui.

Fontes consultadas

Ana Lucia Meneghel, pedagoga da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Antônio Carlos de Farias, neurologista do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.

Luciane Motta, coordenadora da Casa do Brincar, em São Paulo.

Paula Saretta, psicóloga e doutora em Educação pela Unicamp. Sócia do Espaço Mamusca, em São Paulo.

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