Em desenhos, crianças sírias expressam como sofrem os horrores da guerra

Elas recebem o apoio de médicos e psicólogos da Sociedade Médica Sírio-Americana (Sams); conflito já dura sete anos

Desde 2011, a Síria vive uma guerra causada por conflitos entre o governo e rebeldes. Nestes sete anos, mais de 350 mil pessoas já morreram e outras 5 milhões fugiram para outros países. Cidades inteiras foram devastadas e mesmo as que não foram atacadas sofrem as consequências pela escassez no abastecimento de comida e água, por exemplo.

Há crianças que só conhecem a realidade de guerra: muitas nasceram quando o conflito já estava em curso, outras eram muito pequenas quando tudo começou e não têm memória de como era a vida em paz. Algumas, um pouco mais velhas, sentem saudades dos tempos em que podiam andar em segurança pelas bonitas ruas do país.

Para todas elas, a Sociedade Médica Sírio-Americana (Sams) oferece apoio médico e psicológico. O chefe do serviço, Mohammad Khalid Hamza, relata que o sentimento desses pequenos é o de que apenas após a morte poderão, talvez, brincar.

Uma parte do trabalho envolve a expressão dos sentimentos por meio de desenhos. Neles, crianças de até 14 anos de idade revelam medo, saudade e terror puro. Veja alguns deles.

À esq., o desenho mostra a torre do relógio da praça central de Homs, terceira maior cidade da Síria, antes (acima) e depois (abaixo) da guerra; à dir., uma foto da mesma torre do relógio nos tempos de paz

À esq., o desenho mostra a torre do relógio da praça central de Homs, terceira maior cidade da Síria, antes (acima) e depois (abaixo) da guerra; à dir., uma foto da mesma torre do relógio nos tempos de paz (Sams/Reprodução)

Na parte superior do desenho lê-se “Irmãos: Safa, Zahra, Fatima, Osama, Joud”; na parte inferior, da esq. para a dir., “Meu pai em 2010”, “Meu pai em 2011”, “Meu pai em 2014”

Na parte superior do desenho lê-se “Irmãos: Safa, Zahra, Fatima, Osama, Joud”; na parte inferior, da esq. para a dir., “Meu pai em 2010”, “Meu pai em 2011”, “Meu pai em 2014” (Sams/Reprodução)

No avião, lê-se “Força aérea de Assad” [presidente da Síria]; no carro, “Ambulância”; acima das três pessoas à dir., “As crianças de Khan Sheikhoun”; e acima do borrão vermelho, “Sangue das crianças”. Em abril de 2017, a cidade de Khan Sheikhoun sofreu um ataque químico atribuído ao governo – que nega a autoria – que deixou dezenas de mortos, entre eles muitas crianças

No avião, lê-se “Força aérea de Assad” [presidente da Síria]; no carro, “Ambulância”; acima das três pessoas à dir., “As crianças de Khan Sheikhoun”; e acima do borrão vermelho, “Sangue das crianças”. Em abril de 2017, a cidade de Khan Sheikhoun sofreu um ataque químico atribuído ao governo – que nega a autoria – que deixou dezenas de mortos, entre eles muitas crianças (Sams/Reprodução)

Acima do desenho lê-se “Minha pátria”. Desde o início da guerra, mais de 118 mil sírios foram presos ou desapareceram

Acima do desenho lê-se “Minha pátria”. Desde o início da guerra, mais de 118 mil sírios foram presos ou desapareceram (Sams/Reprodução)

O desenho representa uma embarcação como as usadas por mais de 5 milhões de sírios para fugir do país desde 2011. Precárias para navegação e controladas por pessoas muito duvidosas, não é rato virarem ou naufragarem, deixando para trás centenas de mortos

O desenho representa uma embarcação como as usadas por mais de 5 milhões de sírios para fugir do país desde 2011. Precárias para navegação e controladas por pessoas muito duvidosas, não é rato virarem ou naufragarem, deixando para trás centenas de mortos (Sams/Reprodução)

Os mísseis do ataque aéreo atingem edifícios e no texto acima do soldado lê-se “Este é nosso exército de resistência. Nação, honra e lealdade”

Os mísseis do ataque aéreo atingem edifícios e no texto acima do soldado lê-se “Este é nosso exército de resistência. Nação, honra e lealdade” (Sams/Reprodução)

O garoto de 14 anos que fez este desenho explicou que se trata dele e da irmã chorando quando o pai foi embora, há dois anos. “Não sabemos nada dele. É minha lembrança mais triste”

O garoto de 14 anos que fez este desenho explicou que se trata dele e da irmã chorando quando o pai foi embora, há dois anos. “Não sabemos nada dele. É minha lembrança mais triste” (Unicef/Reprodução)

“Isto é a Síria”, diz o texto acima do desenho que mostra uma cena de aparente assassinato

“Isto é a Síria”, diz o texto acima do desenho que mostra uma cena de aparente assassinato (Save the Children/Reprodução)

 

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