Como preparar o filho pequeno para trocar de escolinha?

O momento pode gerar angústia tanto nos pequenos quanto nos pais, mas mudanças fazem parte da vida. Aprenda como começar a nova fase numa boa.

Seu filho pequeno vai para uma nova escolinha ano que vem, mas você tem medo de que ele fique triste ou ele mesmo já demonstrou estar chateado com a situação? Pois saiba que trata-se de um fenômeno natural.

“Mesmo para os adultos, qualquer mudança gera ansiedade, medo, receio, e a criança tem menos recursos emocionais para lidar com essa situação”, explica Mirella Duarte, psicóloga especialista em Terapia Centrada na Pessoa e em Pedagogia Profunda.

Cabe, então, aos adultos transmitirem a sensação de segurança para que os pequenos adentrem em novo território. Uma boa maneira de fazer isso é por meio do diálogo e de um acomodamento gradual da criança no espaço. “Na educação infantil, trocar de escola é praticamente como começar numa escola nova”, comenta Mirella.

Alguns macetes ajudam a tornar a transição mais fácil. Por exemplo, no caso dos pequenos (de berçario, maternal e infantil), não adianta avisar agora que em fevereiro eles estarão num novo ambiente. “Uma criança pequena não tem essa noção de tempo, então ele não entenderá a coisa até ela de fato virar realidade”, comenta Deborah Moss, neuropsicóloga, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP).

O fim de um ciclo

Não ficar mencionando o assunto não quer dizer simplesmente levar a criança para uma escola diferente daqui a três meses. “Ela precisa concretizar essa mudança e entender que despedidas fazem parte da vida, então os pais devem explicar que ela vai ter que dar tchau para os amiguinhos, porque ano que vem estará em outra escola”, sugere Deborah. 

Se já nesse momento a criança se mostrar angustiada, é melhor encarar o assunto com naturalidade e interesse. “Se a criança fala que tem medo e não quer, ao invés de tentar corrigir e afastar sentimentos negativos, o ideal é fazer perguntas sobre o assunto e ouvir”, aponta Mirella. “Caso contrário, ela apenas irá parar de se expressar, não de sentir aquilo”, completa.

Pergunte o que ele gosta na escola atual, do que tem medo na nova, o que não quer perder quando mudar. “Assim, você recolhe informações que ajudam a encorajar a criança”, completa a especialista. No caso da distância dos colegas, uma das situações mais comuns, é preciso esclarecer que ela não irá perder os amiguinhos da escola antiga, apenas ganhará novos, e que eles estarão disponíveis.

Para reforçar esse sentimento, vale escrever cartinhas para os amigos com os pequenos e marcar dias de brincadeira. “Recomendo que os pais tentem, na medida do possível, manter o vínculo com a turma anterior para que a criança não se sinta completamente desligada”, sugere Ana Maria Barreto Martins, orientadora pedagógica do Colégio Qi, no Rio de Janeiro.  

A hora da mudança

Mais perto da data, aí sim vale passar na porta do local, mostrar que é ali que ela irá estudar e, se possível, visitar o espaço antes do período de mudança em si. Essa adaptação é importante até para os pais. “Eles precisam criar vínculos e uma relação de transparência e confiança com a escola, que também é responsável por integrar a criança”, afirma Ana Maria.

Durante todo o processo, é importante prestar atenção aos sinais que os filhos dão, pois nem sempre eles conseguirão verbalizar suas emoções. Ao invés de falar, eles podem ficar mais quietinhos, irritados ou arredios. “Outra situação comum é uma ambivalência de sentimentos, porque gostam da nova, mas não querem abrir mão da antiga, então é uma oportunidade de mostrar que ambas podem fazer parte da vida dele”, aponta Deborah. 

Nos primeiros dias, é natural que isso ocorra, mas também é comum que os pais fiquem mais angustiados do que os próprios filhos, e o estresse deles pode acabar contagiando os menores. Se isso ocorrer, converse com a escola. “Às vezes a criança está mal em casa, e na escola ótima, ou vice-versa, então com a troca conseguimos entender exatamente quais são as situações que levam ao sofrimento e a intensidade dele”, comenta Deborah.

Compreendendo o quadro, é mais fácil de bolar estratégias para acolher o pequeno, seja ligar para o amiguinho, conversar ou mesmo distrair da angústia de uma adaptação. Com o tempo, a tendência é que as coisas se ajeitem, pois os pequenos necessitam da repetição da rotina para assimilar a mudança.  “A família precisa entender que é um processo demorado, e que faz parte da formação da criança superar medos, inseguranças e se adaptar. Ele não está sofrendo, mas aprendendo a viver”, destaca Ana Maria.  

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