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Com o avanço da vacina, as escolas reabrindo e um novo normal no horizonte, é inevitável não repensar nos quase 500 dias após o início da pandemia.
Olhando pra trás, sendo mãe de uma menina superdotada e de um menino autista, eu queria ter ouvido mais o meu incômodo que todo mundo tentava calar.
Anote aí para não esquecer nos momentos pesados da maternidade: culpa é consequência de uma sobrecarga absurda.
Às vezes, não tenho clareza sobre muitas escolhas que fiz, rumos que me trouxeram até aqui. Mas o que importa mesmo é que aprendi a fazer o João sorrir.
Para mostrar que continuamos competitivas no trabalho, nos submetemos a demandas que não cabem mais na nossa vida. Tá na hora de dar limites, colega.
Acontece que há um ano me sinto desautorizada a contar fatos da vida das minhas filhas. Será que é hora de passar o bastão... ou melhor, a caneta?
Eu achei que você, aí no futuro, iria querer saber como sobrevivemos nesse período. (Spoiler: cansadas sim, mas enfrentando juntas).
Eu só quero que você tenha certeza: você está correta. Essa sobrecarga é injusta e cruel. Se seu entorno ainda não reconhece, eles é que estão errados.
Torço para que conversas puxadas no Mês da Mulher sigam o ano todo, porque precisamos de soluções: no poder público, privado e na nossa própria casa.
Eu rejeito esse rótulo, que nos colocou num limbo entre o cansaço e a desvalorização.
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