H1N1: crianças estão entre os maiores transmissores e as principais vítimas do vírus

Vacinar os pequenos contra a gripe é o melhor para eles e para todos ao redor.

É entre os meses de maio e agosto que os vírus influenza – os causadores da gripe – costumam circular no país. Mas em 2016, um subtipo dessa família começou a causar estragos mais cedo: o H1N1. No fim de fevereiro, a região Sudeste, em especial o estado de São Paulo, já apresentava casos. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, até o dia 29 de março, foram notificados 372 episódios da infecção por esse vírus e 55 óbitos relacionados a ele no território paulista.

O motivo para a antecipação do surto ainda não está claro. Mesmo assim, é preciso se preocupar – especialmente quando se trata dos pequenos. Eles estão entre os principais alvos para propagar e sofrer as graves consequências do H1N1 e de outros subtipos da influenza. “As crianças fazem uma carga viral maior, então elas transmitem o vírus por mais tempo”, revela o infectologista e pediatra Marco Aurélio Sáfadi, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo. Além disso, os baixinhos são mais suscetíveis às complicações de um quadro de gripe – principalmente aqueles menores de 2 anos de idade. Segundo Gustavo Johanson, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o sistema imunológico das crianças ainda não consegue ter uma resposta rápida à infecção.

A seguir, entenda como age o H1N1, os riscos que ele oferece e como proteger você e o seu filhote contra ele.

O perigo do vírus

O H1N1 é resultado da combinação de segmentos genéticos dos vírus das gripes aviária, suína e humana. Ele começou a circular no Brasil em 2009, quando houve a pandemia. De lá para cá, vem fazendo vítimas a cada ano. “Ele não é mais forte do que as outras cepas. O que acontece é que grande parte da população ainda não tem imunidade contra esse vírus”, analisa Johanson.

A disseminação de uma pessoa para a outra se dá, principalmente, a partir de secreções respiratórias emitidas por meio de tosse ou espirro. Objetos contaminados também são focos de transmissão. No corpo, o H1N1 ataca o sistema respiratório, assim como outros vírus influenza. Os sintomas mais comuns são febre, dor de garganta, tosse, espirro, dores no corpo, fadiga, dor muscular e sintomas gastrointestinais, como enjoo e diarreia.

Tratamento

A gripe é uma das poucas infecções virais que conta com uma medicação: é o oseltamivir, comercialmente conhecido como Tamiflu. “Ele ajuda principalmente quando introduzido nas primeiras 48 horas dos sintomas”, avisa Sáfadi. O medicamento é indicado para crianças a partir de 1 ano de idade e só deve ser usado com a orientação de um médico.

Na maior parte das vezes, no entanto, os quadros de gripe se curam sem o auxílio de remédios – até mesmo os causados pelo H1N1. “É raro que evoluam para internação ou mesmo óbito”, diz Marco Aurélio Sáfadi, que também é professor na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. As recomendações são manter uma boa hidratação, comer bem, repousar e evitar o consumo de drogas à base de ácido acetilsalicílico. De acordo com o infectopediatra, elas podem desencadear a síndrome de Reye, que provoca inflamação do cérebro e do fígado, gerando dificuldades respiratórias. Embora seja raro, o problema pode levar à morte.

A importância da vacina

A imunização é a melhor arma contra a gripe. Em 2016, a campanha de vacinação do Ministério da Saúde começa no dia 30 de abril e vai até 20 de maio. O imunizante que será ofertado protege contra o H1N1 e as novas cepas dos vírus H3N2 e influenza B, todos da mesma família. Fazem parte do grupo prioritário crianças com idades entre 6 meses e 5 anos, idosos, profissionais de saúde, povos indígenas, pessoas com doenças crônicas ou que comprometem a imunidade e gestantes. Estas últimas, aliás, são um grupo importantíssimo. “A resposta imunológica do organismo da grávida é diferente. Ela tem riscos que outros não têm”, destaca a médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A rede pública disponibiliza a vacina trivalente, que protege contra os três principais tipos da doença; nas clínicas particulares é possível encontrar a tetravalente, que abrange mais uma versão do influenza B. “Mas ambas têm o mesmo formato e são igualmente seguras e eficazes”, garante Isabella. As duas são recomendadas para crianças a partir de 6 meses.

Doses

O esquema de doses da vacina permanece o mesmo: uma vez ao ano para pessoas com mais de 9 anos de idade. Pacientes menores que isso recebem duas doses na primeira vez que tomam a medicação (com um mês de intervalo entre cada uma) e, no ano seguinte, apenas uma. “Isso é necessário porque, em geral, as crianças respondem pior ao imunizante”, explica a presidente da SBIm. Nos pequenos que ainda não completaram 2 anos é aplicada apenas metade da dose.

Vacinação fora de época em SP

Com a chegada adiantada do surto de H1N1, o governo de São Paulo decidiu oferecer, a partir desta segunda-feira (4), a mesma vacina dada em 2015. Como o H1N1 não mudou de lá para cá, é possível repetir o imunizante. Nesta semana, o foco serão os profissionais de saúde. A partir do dia 11, a vacinação será ampliada para os demais grupos de risco.

Vale ressaltar, contudo, que mesmo quem tomar essa vacina também precisa ir ao posto de saúde quando começar a campanha nacional, no dia 30. É que essas pessoas não estarão protegidas contra as novas versões do H3N2 e do influenza B. E fiquem tranquilas, mamães e gravidinhas: “A vacina é segura, não há risco em tomar duas vezes”, assegura Isabella Ballalai.

Outras medidas preventivas

Nem de longe elas são tão eficazes quanto a vacina, mas algumas atitudes são importantes para impedir a transmissão do vírus da gripe – ainda mais quando se fala em crianças. “Elas convivem muito entre elas na escolinha, não lavam as mãos como os adultos, espirram e não limpam o nariz…”, exemplifica Marco Aurélio Sáfadi.

Por isso, se o seu filhote já for capaz de absorver esse tipo de orientação, ensine a ele a forma correta de higienizar as mãos, a evitar compartilhar objetos (como garfos e copos) e a proteger a boca quando tossir – aliás, a forma correta de fazer isso, segundo os especialistas, é com o braço e não com a mão. Passar longe de aglomerações e evitar o contato com pessoas que estão infectadas também são boas pedidas. 

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