Caxumba: por que você e o seu filho devem se proteger dessa doença

Ela não oferece risco de vida, mas é capaz de levar a complicações como inflamação nos testículos e nos ovários e até meningite. Saiba mais sobre os sintomas, a transmissão e as medidas preventivas para se ver longe dessa enfermidade.

Não bastassem a dengue, a zika e a gripe, mais uma enfermidade está trazendo preocupações aos brasileiros em 2016: a caxumba. Desde o início do ano, cidades de São Paulo e de estados do Sul do país têm passado por um surto da doença. A capital paulista foi a mais atingida, com 274 casos de janeiro a abril, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde. Isso representa um aumento de 568% em relação ao mesmo período de 2015, quando foram notificados 41 episódios de caxumba – ao longo de todo o ano, foram 275.

A prefeitura também contabilizou 39 surtos (quando há dois ou mais casos em uma mesma área) no município. Já a Secretaria de Estado da Saúde calculou, até maio de 2016, 152 casos. No ano passado inteiro foram computados 611 episódios e duas mortes na unidade federativa.

Os habitantes do Sul também têm sofrido com a papeira – outro nome popular da caxumba. Até o dia 6 de maio, a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre registrou 101 casos da doença. Segundo o órgão, os surtos da enfermidade triplicaram em relação a 2015. Florianópolis é outra cidade afetada: até abril, a capital de Santa Catarina já contava com 45 pessoas diagnosticadas com a enfermidade.

Motivos desconhecidos

Mas o que tem provocado esses picos de caxumba no país? Ainda não há uma resposta para essa pergunta. “É necessário analisar quem são as pessoas acometidas. Pode ser que sejam indivíduos não vacinados ou até imigrantes que não foram submetidos à imunização em seus países”, especula o infectologista e clínico Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De qualquer forma, os especialistas asseguram: não há motivo para pânico. “A doença tem essa característica de fazer um surto de vez em quando”, revela o doutor em pediatria Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunizações do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Além disso, ela é benigna, ou seja, não oferece risco de vida. Mesmo assim, é importante proteger a você e ao seu filho – os sintomas podem ser graves e causar problemas sérios, e as crianças estão entre os principais atingidos.

A seguir, saiba mais sobre a caxumba e o que fazer para manter toda a sua família longe dela.  

A doença

A causa

A caxumba (ou papeira) é provocada por um vírus da família Paramyxoviridae, que costuma circular durante o outono, o inverno e o início da primavera. Daí porque os índices do problema costumam ser mais altos nessas estações.

Os sintomas

O vírus fica incubado por um período de duas a três semanas no organismo. Depois disso, aparecem os primeiros sinais – febre, dores no corpo e mal-estar. Em seguida, o principal sintoma dá as caras: o aumento das parótidas, glândulas localizadas abaixo das orelhas, perto das mandíbulas. Isso se dá porque o agente infeccioso causador da caxumba tem uma preferência por essas estruturas, assim como pelas glândulas submaxilares e sublinguais.

Embora menos frequentes, outras consequências da infecção são a inflamação dos testículos (orquite) e dos ovários (ooforite), mais comuns em adolescentes e adultos. A doença também pode levar a um quadro de pancreatite (inflamação do pâncreas) e de meningite. Essa última, aliás, costuma acometer as crianças pequenas. “Mas é uma meningite benigna que, na maioria das vezes, nem apresenta sintomas”, garante Olzon.

Esterilidade

Durante muito tempo, acreditava-se que essa enfermidade poderia afetar a fertilidade, devido à inflamação dos ovários ou dos testículos. No entanto, atualmente, a ciência considera que o risco de isso acontecer é baixo. “Não há uma frequência significativa de esterilidade por causa da caxumba”, comenta o infectologista da Unifesp.

Transmissão

A principal via de disseminação do vírus da caxumba é a respiratória, que se dá a partir do contato com as secreções de indivíduos infectados quando eles tossem, espirram ou falam. Tocar em objetos contaminados e levar a mão à boca, ao nariz ou mesmo aos olhos também pode fazer com que o agente infeccioso entre no  organismo. “A transmissão da doença acontece uns três dias antes do surgimento dos sintomas e dura até cinco dias depois”, informa Gilio.

Diagnóstico e tratamento

A identificação de um quadro de caxumba é baseada, geralmente, nos sinais clínicos da doença. Mas há casos em que o aumento da parótida – o sintoma clássico – não aparece. Daí, é possível detectar o vírus por meio de exames laboratoriais, que medem a presença de anticorpos contra ele.

Quanto ao tratamento de pacientes com caxumba, o próprio organismo se encarrega de eliminar o agente infeccioso – não há um medicamento para combatê-lo. A terapia é sintomática, sendo indicado apenas repouso e o uso de medicamentos analgésicos e antitérmicos. Mas lembre-se: nada de tomar ou dar remédio ao seu filho por conta própria. Consulte um médico sempre!

Prevenção

A melhor arma contra a caxumba é a imunização. As vacinas que evitam a doença são a tríplice viral – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola – e a tetra viral, que inclui também a varicela (catapora). Pelo Calendário Nacional de Vacinação, seguido na rede pública, os pequenos devem receber uma dose da tríplice aos 12 meses e uma da tetra viral aos 15 meses. Na rede particular, é possível tomar duas doses da tríplice viral: uma com 1 ano e outra entre 4 e 6 anos de idade.

Adultos e adolescentes também podem se vacinar, exceto indivíduos com problemas de imunidade e gestantes. É que a vacina é feita com vírus vivo, o que pode trazer complicações a esses dois grupos. Mulheres que pretendem engravidar devem se imunizar no mínimo 15 dias antes da concepção. “É o período que o vírus estaria circulando no corpo”, explica o especialista do Einstein. E atenção, futuras mamães: é importantíssimo se prevenir, pois, embora seja difícil de acontecer, a caxumba pode levar a abortamentos. 

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