Aula 15 – Cuidados com o recém-nascido na sala de parto

O pediatra e neonatologista Felipe de Souza Rossi, do Hospital Israelita Albert Einstein, conta o que acontece com o pequeno logo após o nascimento.

Assim que nasce, o bebê tem como primeiro desafio se acostumar ao ambiente fora do útero. Em outras palavras, terá de respirar e controlar a temperatura do corpo por conta própria. Além de se acostumar com a intensidade da luz, dos sons e dos cheiros. Para auxiliá-lo nessa tarefa, deve haver, na sala de parto, um pediatra. É esse especialista que vai colocá-lo em um berço aquecido para ajudar a estabilizar sua temperatura. E é ali também que o médico o seca e faz os primeiros exames. O objetivo é checar como o pequeno está. Esses testes não são aleatórios e seguem padrões que mostram como o recém-nascido reage nos primeiros minutos de vida. Trata-se do chamado boletim de Apgar.

O Apgar analisa cinco itens relacionados à saúde da criança: frequência cardíaca, respiração, tônus muscular (se é rígido ou flácido), coloração da pele e se o bebê está ativo e reativo à manipulação. Essa avaliação acontece, aproximadamente, no primeiro minuto pós-nascimento e, em seguida, no quinto minuto de vida. Para cada item é dada uma nota, que varia de 0 a 2. O pediatra soma essas notas e chega a um resultado final tanto para o primeiro quanto para o quinto minuto de vida do pequeno.

Outro ponto que o pediatra observa nesse momento é o choro do bebê ou o esforço para abrir o berreiro. Apesar de as lágrimas brotarem espontaneamente na maioria dos recém-nascidos, algumas crianças não botam a boca no mundo. A ausência do chororô costuma indicar muito mais uma característica do pequeno do que a presença de algum problema grave, principalmente se os outros dados do Apgar apontarem que ele está se adaptando bem fora do útero. Vale saber que dar um tapa no bumbum do recém-nascido para que ele chore não é uma prática adotada pelos médicos na sala de parto.

Logo após o nascimento, o choro tem uma função importante. Ele auxilia o bebê a reter o ar dentro dos pulmões. Para facilitar ainda mais esse processo, o médico pode colocar uma sonda que também libera a passagem de ar. Como isso é realizado? A sonda é ajustada primeiro na boca e depois no nariz e, assim, suga o líquido amniótico que não foi expulso durante o parto. Os pais, muitas vezes, se assustam com esse procedimento. Mas não há com o que se preocupar porque isso é algo normal e feito para o bem-estar do pequeno.

Terminado o Apgar e a retirada do líquido dos pulmões, o neonatologista pinga um colírio especial nos olhos da criança para prevenir a conjuntivite neonatal. Por fim, se ela estiver com a temperatura estável, será pesada e medida e, em seguida, tomará um banho. Essa primeira limpeza, que em algumas maternidades ocorre fora da sala de parto e na companhia do pai, não higieniza o recém-nascido nem retira totalmente o vérnix, camada de gordura branca que recobre os bebês nascidos no tempo certo, mas, sim, tem o objetivo de estimular o primeiro contato entre pai e filho. Depois disso, o bebê é apresentado ao seio materno. A ideia não é necessariamente alimentá-lo, mas sobretudo proporcionar um momento de carinho e aconchego.

Dali, a criança segue para o berçário, onde continuará sendo observada pela equipe médica. É importante que antes de sair da sala de parto ela já esteja com a pulseira de identificação, colocada no braço e/ou na perna. E, em poucas horas, o bebê, finalmente, estará próximo não apenas da nova mamãe mas de toda a família.

Quando é preciso ir para a UTI

Às vezes, o bebê não se adapta tão bem à vida fora do útero e então segue para a unidade de terapia intensiva, a UTI, onde será avaliado mais detalhadamente. Essa opção assusta muitos pais, mas, em geral, ela é tomada por um excesso de zelo, e não necessariamente por um problema grave. O importante é manter a calma. Logo o pequeno estará na companhia da família.

Quer saber mais? Assista à aula completa:

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