10 perguntas e respostas sobre o uso de antibióticos por crianças

Saiba mais sobre esse medicamento que traz tantas dúvidas e preocupações aos pais!

1. Eles fazem mal para os dentes?
Alguns podem fazer, sim, principalmente aqueles do grupo das tetraciclinas. Mas a boa notícia é que você não precisa se preocupar com a saúde bucal do seu filho só por causa dos antibióticos. Embora tenha sido comum a prescrição dessas substâncias antigamente, elas já deixaram de ser usadas no tratamento de crianças há anos. O que pode prejudicar os dentes, entretanto, é a falta de higiene após a ingestão de xaropes açucarados. 

2. Por que devem ser tomados sempre no mesmo horário?
“É importante manter a periodicidade das doses dos antibióticos para que o nível da substância no sangue permaneça eficaz durante todo o período de tratamento”, explica Alberto Helito, pediatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ou seja, é isso que vai ajudar a garantir a ação do remédio no organismo do seu filho. Entretanto, embora seja comum associar rapidamente esse tipo de medicamento àquela ideia de rotina quase militar, o especialista tranquiliza: “O intervalo entre as doses não precisa ser tão rígido como alguns imaginam. Pequenos atrasos ou adiantamentos não comprometem o resultado final”. Mas lembre-se de que eles devem ser, de fato, pequenos.  

3. O que fazer se uma dose for esquecida?
Perder a hora de medicar os filhos não é o ideal, mas às vezes acontece – seja porque a rotina mudou e o remédio ficou esquecido em casa, seja porque o dia voou e você nem percebeu. Se isso ocorrer com você, procure orientações do pediatra do seu filho, já que a conduta depende de qual é o antibiótico e de quanto tempo você levou para perceber o esquecimento. “Quando o responsável lembra tarde demais, uma medida possível é reprogramar as doses seguintes para manter um intervalo mínimo entre elas, mas isso só pode ser feito com orientação médica. É importante evitar que elas sejam administradas muito próximas umas das outras, pois isso pode intensificar efeitos colaterais – como dor de barriga, diarreia e vômitos, por exemplo. Dar dose dobrada é quase sempre uma má ideia”, alerta Helito.

Se você tiver dificuldades para seguir os horários corretamente, uma dica é o bom e velho alarme. Programe seu celular para que ele avise quando for a hora do medicamento ou use um aplicativo que ajude você a ficar sempre atenta. 

4. É possível que a criança fique resistente ao antibiótico?
Sim, mas isso acontece apenas quando o remédio não é usado corretamente. “Muitas bactérias que existem no nosso meio são capazes de se adaptar e de resistir aos antibióticos, e essa é uma tendência que já é observada desde a metade do século passado. Nesse sentido, sabemos que o seu mau uso (seja em excesso ou por ser interrompido antes da hora) favorece o aparecimento de germes resistentes”, esclarece o pediatra.

5. Qual o tempo médio de tratamento?
Na verdade, isso vai depender do tipo de medicação e de qual infecção a sua criança apresenta, como exemplifica o especialista: “Pneumonias dificilmente são tratadas com menos de 5 a 7 dias de antibióticos; já as otites precisam de mais tempo, pelo menos 10 dias. As sinusites demandam tratamentos ainda mais longos, de até 14 dias. Pacientes graves internados ou que tenham algum problema de imunidade podem precisar de terapias com antibióticos por semanas ou até meses”. Ou seja, cada caso é avaliado individualmente e não é porque seu filho mais velho tomou o medicamento por 6 dias que o mesmo vai acontecer com o caçula. 

6. Tomar muito antibiótico durante a infância faz mal?
Quando o seu uso é necessário, não. É por isso que a administração desse tipo de medicamento (que só pode ser vendido com receita médica) deve ser orientada por um profissional – desde a sua prescrição até o intervalo de doses e o período de tratamento. É o especialista quem vai avaliar se o caso do seu filhote demanda ou não o seu uso. “Devemos lembrar que, durante a infância, muitos episódios de febre, por exemplo, são decorrentes de causa viral e, nesses casos, o uso de antibióticos não é indicado”, ressalta Clery Bernardi Gallacci, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.

7. Por que não pode diminuir a dose em casa quando a criança começa a melhorar?
Além de ser irresponsável administrar remédios por conta própria, é importante lembrar que o tratamento com antibiótico não visa combater os sintomas diretamente – mais que isso, o objetivo é atingir a causa, ou seja, as bactérias que estão deixando o pequeno doente. Assim, “a melhora aparente não significa que a criança esteja totalmente tratada da infecção e que as bactérias estejam mortas”, destaca Clery. Por isso, nada de interromper o tratamento antes da hora ou de reduzir a dose do medicamento porque você acha que ele já fez efeito o suficiente.  

8. Todas as infecções bacterianas precisam ser tratadas com antibióticos?
Nem sempre. De acordo com o especialista do Hospital das Clínicas da FMUSP, o nosso organismo – inclusive o das crianças – é capaz de eliminar diversas infecções bacterianas comuns sem a necessidade de remédios. “Por exemplo, algumas infecções de pele localizadas ou infecções intestinais bacterianas que se resolvem sozinhas. Assim, guardamos os antibióticos para os casos mais sérios e com mais risco de complicações”, explica.

9. Há um número limite de vezes que a criança pode tomar antibiótico em um ano?
Não, isso é um mito! Fala-se muito sobre os perigos que os antibióticos trazem e os riscos de criar resistência – mas como já vimos, se prescritos apenas quando há necessidade e se administrados corretamente, com orientação médica, eles não vão prejudicar a saúde do seu pequeno. Dessa forma, eles podem ser usados quantas vezes forem preciso – e essa avaliação só o pediatra pode fazer.

10. Por que eles não são vendidos sem receita?
Além do controle feito para a proteção dos pacientes, evitando que eles se automediquem, essa é uma medida cujo objetivo é muito mais amplo. “Às vezes nos esquecemos do impacto ambiental que o uso de antibióticos gera. A ação dessas medicações não está restrita ao corpo de quem toma. Grande parte desses remédios é eliminado na urina e continua a fazer efeito no nosso meio-ambiente e essa é uma das razões pelas quais as bactérias têm se tornado mais resistentes com o passar dos anos”, finaliza Helito.

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