A importância de esperar o trabalho de parto

Entre as vantagens estão o amadurecimento do organismo do bebê e maior ganho de peso, além da liberação de hormônios que são importantes para a amamentação.

É comum as futuras mamães se depararem com diversas dúvidas durante a gravidez. Muitas dessas questões estão relacionadas com a maneira que a criança chegará ao mundo: via vaginal ou cesárea. Embora os riscos e benefícios de cada opção sejam discutidos com frequência, pouco se fala da importância de aguardar o trabalho de parto espontâneo.

Em abril, o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançou a campanha “Quem Espera, Espera“. Com o intuito de chamar a atenção das mulheres, a instituição criou um site que traz relatos pessoais, informações variadas, estatísticas e documentos que comprovam os benefícios dessa decisão.

“O trabalho de parto espontâneo nada mais é do que aguardar e respeitar o tempo da mãe e do feto. Por processos de simbiose, as contrações uterinas são desencadeadas e assim há a dilatação do colo do útero e o seguimento das fases do parto”, ressalta Paulo Henrique Di Rocco, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, de São Paulo.

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De fato, esperar os sinais que o pequeno apresenta, mostrando que está pronto para nascer, só traz benefícios – tanto para ele quanto para a mãe. Entre as vantagens estão o amadurecimento do organismo da criança e maior ganho de peso, além da liberação de hormônios que são importantes para a amamentação.

“Há melhor adaptação do bebê ao ambiente extrauterino e a mulher corre menos risco de ter problemas como sangramentos no pós-parto“, explica o ginecologista Rodrigo da Rosa Filho, membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP) e sócio-fundador da clínica de reprodução humana Mater Prime, localizada na capital paulista.

Outros pontos favoráveis dessa escolha apontados por Di Rocco são as melhorias respiratórias e cardiológicas no início da vida. “Também há menos chance de ser necessária uma manipulação médica para o seguimento do parto. Para a mãe, esse momento pode estreitar ainda mais o laço afetivo“, destaca o obstetra.

Riscos de não esperar

É claro que cada caso deve ser avaliado individualmente, mas quando o trabalho de parto espontâneo não ocorre, a probabilidade do pequeno ter desconfortos respiratórios aumenta, já que há mais dificuldade para eliminar o líquido amniótico dos pulmões.

“A vitalidade do bebê ao nascer já nos dá uma amostra do benefício do trabalho de parto. Entretanto, sabemos que a criança que evolui para o parto normal tem menor possibilidade de apresentar doenças de via área superior, como a asma“, afirma o médico do Hospital São Luiz.

As últimas semanas de gravidez são importantíssimas para a saúde do recém-nascido. O estudo Nascer no Brasil apontou que, em 2012, 35% das crianças avaliadas chegaram ao mundo entre a 37ª e a 38ª semana. Apesar de não serem consideradas prematuras, pesquisas mostraram que elas foram internadas com mais regularidade na UTI neonatal.

Cesárea eletiva

Algumas mães preferem agendar a data do nascimento do filho, mesmo sem o pequeno ter dado sinais de que está pronto para vir ao mundo. “A cesárea pode ser feita eletivamente atendendo ao pedido materno depois da 39ª semana de gestação. A mulher tem que ter autonomia para escolher a via de nascimento desde que ela esteja ciente de que os riscos são maiores se ela não entrar em trabalho de parto”, enfatiza o médico Rodrigo da Rosa.

Em geral, as gestações saudáveis podem durar até 42 semanas de gestação, mas é importante que cada caso seja acompanhado individualmente. “Quando a gestação chega a 40 semanas, devemos ter uma atenção especial ao controle de vitalidade fetal e avaliar criteriosamente a necessidade de uma intervenção para o nascimento ou para melhorar a condição do parto. Isso é feito de maneira direta com exame clínico/obstétrico e de maneira indireta com exames complementares”, ressalta Di Rocco.

E quando a bolsa é rompida de maneira artificial? “Essa ruptura deve ocorrer espontaneamente. Porém, às vezes o trabalho de parto não está evoluindo bem e o médico opta por rompê-la. Em alguns casos é necessário, embora não seja ideal”, reforça o obstetra da clínica Mater Prime.

 

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