6 fotos que mostram como a cesárea também exige força e coragem

Confira os depoimentos de mulheres que passaram por uma cesariana e que não consideram essa uma escolha fácil.

Quantas vezes você, que deu à luz o seu bebê por meio de uma cesariana, já não ouviu mulheres dizendo que parto “de verdade mesmo” é só o normal? Muitas pessoas se esquecem de que a cesárea é a alternativa responsável por salvar a vida de mães e filhos em tantos casos complicados. E, da mesma forma que acontece com quem traz seu filho ao mundo de forma não-cirúrgica, as mulheres que passam por uma cesariana também têm experiências para compartilhar sobre o parto e o pós-parto – o medo, a dor, a angústia… Foi pensando nisso que o HuffPost Parents dos Estados Unidos pediu para que as moradoras de Nova York fizessem fotos mostrando suas cicatrizes e pudessem contar o que viveram no nascimento de seus pequenos. Confira, a seguir, as imagens e o depoimento de algumas dessas mães:

1. “Eu amo minha cicatriz… Eu acho que parece que ela está sorrindo para mim”

“Minha bolsa estourou há 18 meses num sábado à noite e eu fui para o hospital no domingo, ao meio-dia. Eu tentei ao máximo evitar intervenções medicamentosas porque, um, eu sou medrosa e, dois, eu pensava que seria bom fazer aquilo da maneira mais natural possível. Mas na segunda-feira à tarde, a equipe de obstetrícia chegou e todos estavam bastante preocupados. Minha pressão estava aumentando. Eles começaram a suspeitar que o bebê poderia estar em sofrimento. Naquele momento, eles acharam que deveríamos fazer uma cesariana e eu concordei completamente. Eu estava morrendo de fome! Pareceu que foram só 30 minutos entre me levarem para a cirurgia, tirarem meu filho e o colocarem no meu peito. Eu amo a minha cicatriz. Quando eu olho no espelho, às vezes acho que parece que ela está sorrindo para mim, como se dissesse ‘nós fizemos isso’. É assustador ouvir de repente ‘nós vamos te abrir e tirar esse bebê da sua barriga’, mas era a melhor opção para mim – e eu não acho que perdi algo com isso”. Ligia, 37

2. “Eu sabia que precisava ficar calma ou tudo estaria perdido”

“Nós lutamos para ter a nossa segunda filha durante três anos. Nós passamos por dois abortos. Eu fiz quatro tentativas de inseminação artificial e depois uma de fertilização in vitro. Durante toda a minha gravidez, eu achava que ia perdê-la, mas ela era como meu pequeno motor. Na 37ª semana de gestação, eles me induziram e as coisas estavam indo perfeitamente bem até que não conseguiram encontrar o batimento cardíaco da minha filha. Minha obstetra, que eu conheço há 15 anos, se virou muito calma para mim e disse ‘lembra como nós conversamos sobre o que poderia acontecer numa cesárea de emergência? Bem, eu vou declarar uma emergência porque, se eu mover minha mão, o bebê pode morrer. Eu vou gritar e um monte de gente vai entrar em ação, mas eu prometo que tudo vai ficar bem’. O cordão estava saindo antes do meu bebê. Eu não sou uma pessoa calma de forma alguma. Eu sou maluca, mas eu sabia que, naquele momento, eu tinha que ficar calma ou tudo estaria perdido. Eles me levaram correndo para a sala de cirurgia e lá estava ela. Foi tão diferente do meu primeiro parto, que foi vaginal e fácil. Mas eu amo os dois nascimentos da mesma maneira”. Mara, 41

3. “Eu estava tão animada para a cesariana. Foi tão feliz

“Eu tive gêmeos – duas meninas – oito meses atrás. Eu estava de repouso desde a 26ª semana por causa de uma incompetência cervical. Achavam que eu não chegaria até a 28ª semana, depois até a 30ª, 32ª… Mas eu cheguei. Eu comia na cama. Eu fazia exercícios na cama. Eu acreditava que teria meus bebês e eu mantive essa confiança até minha cesariana ser marcada. Eu estava tão animada para a minha cirurgia. Ela foi feliz. Meu marido e eu tentamos engravidar durante alguns anos e eu queria segurá-las em meus braços. E você quer saber? Eu amo a minha cicatriz. Ela me mostra que meus bebês estão aqui”. Jody, 42

4. “Eu costumava pensar que talvez fizesse uma tatuagem… Mas isso parece desnecessário agora”

“Eu fiquei em trabalho de parto durante três dias antes da cesariana. Os médicos foram maravilhosos ao fazerem aquilo parecer uma escolha minha, mas olhando para trás, não houve escolha. O bebê estava em sofrimento. Ele realmente precisava sair. Foi muito diferente do que eu e meu marido esperávamos, ainda assim foi tudo bem. Nós temos um maravilhoso menininho. Ele é saudável. Eu tenho um marca-passo, então essa é a segunda grande cirurgia pela qual eu passo e nas duas vezes foi uma experiência física intensa. Eu acho que às vezes a gente esquece isso porque a cesariana é comum. Eu costumava pensar que talvez eu fizesse uma tatuagem para comemorar o nascimento do meu filho, mas isso parece tão desnecessário agora, porque eu tenho essa outra coisa que me lembra isso tudo. Há algo sobre ter uma marca física daquela experiência que me faz aceitar isso”. Liz, 27

5. “Eu ainda sinto como se eu tivesse todo esse trauma”

“Eu tive hiperêmese gravídica durante toda a minha gravidez. Eu fiquei hospitalizada algumas vezes. Eu perdi 9 quilos no primeiro trimestre. Eu não conseguia sair da cama. Na 36ª semana, me disseram que eu estava tendo contrações e que provavelmente eu iria entrar em trabalho de parto. Outra semana passou e fiquei de repouso. Eu ainda estava tendo as contrações, mas o intervalo entre elas nunca era menor do que 15 minutos e, então, elas desapareciam durante horas e voltavam novamente. Eu fiquei assim por umas duas semanas. Na 38ª semana, eu disse ‘estou sofrendo muito, não consigo dormir. Não consigo comer’. Eles checaram tudo pelo monitor fetal e perceberam que talvez eu estivesse com descolamento de placenta.

O hospital estava lotado e eu passei muito tempo esperando um quarto. Eles me induziram e me colocaram em trabalho de parto e eu acabei tendo uma hérnia de disco. Eu fiquei tanto tempo no hospital que passei por quatro médicos. Finalmente eles decidiram que era hora de fazer uma cesariana e me deram tempo para que eu me preparasse, mas 10 minutos depois eles chegaram correndo dizendo que meu bebê estava em sofrimento. Eles começaram o trabalho imediatamente. Eu não me lembro disso, mas meu marido disse que eu estava virando os olhos enquanto eles gritavam meu nome e tentavam me manter acordada. Quando eu acordei, minha filha estava lá e eu perguntava ‘o que aconteceu, afinal?’.

Minha gravidez e meu parto foram tão difíceis que eu brinco que minha cicatriz – que foi um bom trabalho da minha obstetra – foi a única coisa que deu certo. No fim do dia, eu tento não pensar mais nisso porque eu tenho uma criança saudável, mas ainda assim eu sinto que tenho esse trauma”. Marissa, 34

6. “Eu queria um parto vaginal”

“Meu primeiro filho nasceu há três anos e meio. Minha mãe é parteira, então eu sempre quis um parto sem medicações e sem intervenções. O tiro saiu pela culatra e eu fiz todo tipo de intervenção. Eu fiz acupuntura, inversões, quiropraxia. Eu sinto como se fosse minha culpa não ter conseguido um parto vaginal. É como se eu tivesse feito alguma coisa errada ou que meu corpo não estivesse em forma. Eu me sentia muito desapontada e triste quando via minhas amigas que tiveram partos vaginais levando suas crianças ao parque uma semana após o parto – e eu mal podia ir até o banheiro porque eu ainda estava em recuperação. Por um tempo, a cicatriz foi uma lembrança desses sentimentos.

Cesarianas são muito importantes e eu estou muito agradecida por poder ter dado à luz. Nós dois estamos saudáveis. Mas eu queria ter tido um parto vaginal. Quanto eu engravidei de novo, eu tentei tudo que eu podia para ter um parto normal, mesmo sabendo que muito disso está fora do nosso controle. Eu fiz yoga, me alonguei, andei, conheci um quiropraxista, eu pesquisei para ter certeza de que eu estava procurando práticas que realmente me ajudariam a ter um parto vaginal. Mas eu acho que eu estaria feliz de qualquer forma, acho que acabei me sentindo melhor após os dois nascimentos”. Savannah, 35

Veja todas as fotos e depoimentos em HuffPost Parents.

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  1. De fato a cesárea salva vidas, os casod colocados na reportagem foram de cesárea necessárioa, o q não é o caso da maioria dos nascimentos no Brasil, os EUA tem taxa de 25% cesárea, o Brasil 60%, sendo no particuar chegar a 80%, fazer uma cesárea por conveniência médica, por escolher o dia o para “não sentir a dor do parto” não deveria ser estimulado e é sim bem errado.

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