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Saúde

Vasectomia e laqueadura: é possível reverter?

Cida de Oliveira Atualizado em 11.06.2013
laqueadura e vasectomia
ThinkStock

Entenda como são os procedimentos. Embora homens e mulheres se arrependam da opção por esses métodos contraceptivos, a cirurgia de reversão não é indicada em todos os casos.

A união parecia duradoura, mas não era. Depois da separação vieram novos relacionamentos e até mesmo o desejo de se casar novamente. Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram bem essa história cada vez mais comum. Em 2010, o número de divórcios aumentou 36,8% em relação ao ano anterior, e os recasamentos – uniões em que pelo menos um dos cônjuges já era divorciado ou viúvo – aumentou 11,7% quando comparado ao ano de 2000. Com os recomeços, muitos deles com companheiros mais jovens, sem filhos, vem a necessidade de compartilhar com o outro a realização de seu sonho de maternidade ou de paternidade. E tem ainda casais que, mesmo sem ter se separado, resolvem ter outros filhos por causa de doenças ou da perda de algum deles. É em momentos como esse que a opção por métodos definitivos, como a vasectomia e a laqueadura, anos antes, parece ter sido um grande erro. E agora?

 

Segundo especialistas, cerca de 1% das mulheres e de 4 a 10% dos homens que chegam aos consultórios querem restaurar a fertilidade. “Os mais propensos ao arrependimento são os que fazem o procedimento em idade mais precoce ou trocam de parceiro”, diz a ginecologista e obstetra Andréa Nácul, coordenadora da Unidade de Reprodução Humana do Hospital Fêmina, de Porto Alegre. No entanto, dados da Sociedade Brasileira de Urologia sugerem que o arrependimento pode ser ainda maior: 17%. Seja qual for, o dado é significativo diante do tamanho da população brasileira e também porque, segundo dados do Conselho Federal de Medicina, entre todos os casais brasileiros, 40% das mulheres fizeram laqueadura e cerca de 1% dos homens recorreram à vasectomia. Para completar, o número de vasectomizados vem crescendo. Em 2011, só no Sistema Único de Saúde, 39 mil homens foram submetidos à cirurgia, um aumento de 14% em relação ao ano anterior.

 

No entanto, Roberto Bezencry, integrante da câmara técnica de ginecologia e obstetrícia do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) e professor dessas disciplinas na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que são as mulheres que mais gostariam de voltar a poder engravidar. “Embora seja difícil expressar com segurança essa incidência, é muito mais frequente o arrependimento pela ligadura tubária do que pela vasectomia”.

 

Atualmente é possível reverter esses métodos contraceptivos. Mas nem todos os arrependidos podem se beneficiar com as cirurgias de reversão; quem pode operar nem sempre tem bons resultados e procedimentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, são inacessíveis a muitas pessoas do ponto de vista financeiro. Por isso os médicos recomendam que o casal reflita muito antes de se submeter aos métodos definitivos para evitar a gravidez.

 

Vasectomia

Procedimento relativamente simples e rápido – leva em torno de meia hora –, feito em ambulatório, em geral com anestesia local. O médico faz uma incisão de cerca de dois centímetros na parte alta do saco escrotal. Em seguida, localiza e corta os canais deferentes, uma espécie de mangueira finíssima por onde passa o sêmen com os espermatozoides que serão ejaculados.

 

Como costuma dizer o urologista Renato Fraietta, responsável pelo setor de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “estragar o que funciona é sempre mais rápido, mais fácil e mais barato”.  A reversão da vasectomia leva em torno de 4 horas, é extremamente delicada, não tem cobertura pelos planos de saúde e custa em torno de R$ 20 mil. Mas em alguns casos é paga pelo Sistema Único de Saúde. Segundo Andréa Nácul, o casal que deseja realizar a reversão, tanto da ligadura de trompas quanto da vasectomia, deve procurar atendimento no posto de saúde mais próximo da sua casa para encaminhamento a algum serviço de referência, que vai avaliar o caso.

 

 Nessa cirurgia são religadas as pontas desses dutos para restabelecimento do fluxo de espermatozoide. Simples, a cirurgia utiliza anestesia local na maioria dos casos e requer apenas um dia no hospital. Mas como é delicada, requer médicos experientes e equipamentos microscópicos, além de fios especiais, finíssimos, para a costurar os ductos que não podem ter o mínimo obstáculo para a passagem dos espermatozoides. As medidas pré-operatórias, idênticas às de qualquer outra cirurgia, incluem exames de sangue, urina, raios X de tórax e avaliação do risco cirúrgico por cardiologista ou demais especialista, em casos de doenças crônicas, como é o caso de diabetes. Como todo procedimento, há os riscos inerentes ao próprio ato cirúrgico e à anestesia, mas não chega a ser classificado como de alto risco. “Os cuidados maiores são no pós-operatório, em que o paciente não deve ter relações sexuais, não ejacular, não levantar peso ou fazer atividade física por três semanas”, explica Andréa Nácul.

 

No entanto, não é para todos os vasectomizados que a reversão é indicada. Dependendo do tempo decorrido desde que a vasectomia foi feita e da idade da mulher, o procedimento torna-se inviável. “Quanto mais tempo passar, menor a chance de sucesso da reversão. A secreção acumulada ao longo dos anos nos testículos aumenta a pressão em todo o sistema, reduzindo a produção de espermatozoides”, explica Renato Fraietta, da Unifesp. “Se a mulher tiver mais de 40 anos, quando o potencial reprodutivo decai, torna-se ainda menos viável. E se ela tiver as trompas interrompidas ou já tiver tido gravidez tubária, melhor será manter a vasectomia e utilizar o método de fertilização in vitro”, aconselha. No entanto, segundo ele, cada caso deve ser analisado individualmente, sob diversos aspectos, inclusive o financeiro, muito embora ele já tenha revertido, com sucesso, vasectomia feita há 22 anos.

 

Segundo os médicos, no primeiro mês depois da cirurgia é feito um espermograma, que deverá ser repetido depois de três meses, para avaliar a quantidade de espermatozoides, que podem retornar ao sêmen seis meses após a cirurgia. Em média, depois de um ano da reversão já é possível uma nova gravidez, mas há casos em que a fertilização do óvulo já aconteça na primeira tentativa pós-cirurgia.

 

Laqueadura

De maneira semelhante à vasectomia, a ligadura tubária – mais conhecida como laqueadura – consiste em impedir o encontro dos espermatozoides com o óvulo. Roberto Bezencry, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que em geral a técnica mais empregada é a de Pomeroy, que consiste em pinçar um segmento da trompa, corte e amarração ou ligadura propriamente dita das extremidades seccionadas. “O que varia é o momento em que é feita e a via de acesso: o procedimento pode ser feito no decurso de uma cesariana; logo após o parto numa incisão periumbilical; por minilaparotomia ou por laparoscopia, quando pode ser cauterizada ou colocado um anel que estrangula um segmento da trompa”, diz.

 

Segundo especialistas, a reversão da ligadura tubária é mais delicada do que a da vasectomia. A cirurgia pode ser realizada por microcirurgia, com microscópio cirúrgico, ou por videolaparoscopia. Por volta de quatro meses após a reversão, o médico pede um exame chamado histerossalpingografia para avaliar as condições das trompas. Se em pelo menos uma delas houver passagem, a paciente é liberada para tentar engravidar por 1 ano. Se após um ano ela não engravidar, é indicada a fertilização in vitro. “A obstrução, tanto no homem quanto na mulher, por mais de 12 anos, diminui significativamente as chances de sucesso da reversão”, diz Andréa Nácul, do Hospital Fêmina.

 

Segundo Renato Fraietta, a viabilidade da cirurgia está associada sobretudo à idade da mulher. Ele conta que, em geral, quem quer reverter a laqueadura tem entre 40 e 45 anos, sendo que o auge reprodutivo feminino vai até os 37 anos. As chances de gravidez então serão menores. O custo da reversão é de R$ 7 mil em média e os índices de sucesso variam de 45% a 81%. Entre as condições ideais para a reversão, que inclui equipamentos adequados e equipe experiente, os médicos consideram que as trompas devem medir pelo menos 4,5 centímetros e que suas condições sejam favoráreis, sem processo inflamatório, aderências e tecido sadio. Para se assegurar disso, os médicos pedem um exame chamado histerossalpingografia ou fazem por videolaparoscopia. “Antes de se optar pelo procedimento, o companheiro deve fazer espermograma para confirmar sua produção de espermatozoides”, recomenda Fraietta.

 

Um risco trazido pela cirurgia de reversão que não pode ser desprezado – em torno de 6% dos casos – é a gestação ectópica, que se implanta na trompa. “Trata-se de uma urgência ginecológica, com risco de sangramento importante dentro do abdômen”, destaca Roberto Bezencry. Os riscos da reversão são os mesmos de qualquer cirurgia abdomino-pélvica e da anestesia empregada. As medidas pré-operatórias são as mesmas necessárias à vasectomia.

 

Crítico das limitações das cirurgias de reversão, Roberto Bezencry reforça a possibilidade dos tratamentos de reprodução assistida. “No caso da vasectomia é possível recuperar os espermatozoides por meio de punção e coloca-los no interior dos óvulos em laboratório”, explica. “Na sequência, os embriões formados são colocados dentro do útero da mulher.”

 

Segundo ele, no caso da ligadura tubária, pode ser feita a fertilização in vitro tradicional, em que os óvulos são retirados do organismo e no laboratório são inseminados com os espermatozoides do marido. O embriões formados são transferidos para o útero após alguns dias.


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