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Saúde

Uso de anti-inflamatório pode expor crianças a sérios riscos

Vanessa de Sá Atualizado em 24.01.2012
Uso de anti-inflamatório pode expor crianças a sérios riscos
Getty Images

Médicos alertam: usado de forma indiscriminada, esse remédio mascara problemas e expõe as crianças aos seus efeitos adversos, que, diga-se, não são poucos

 

Eles são assíduos freqüentadores da farmacinha caseira de quem tem filhos. E são rapidamente sacados de lá à menor queixa de dor ou nos casos de uma febrícula à toa. O tombo provocou inchaço? Dá-lhe anti-inflamatório. A garganta incomoda? Lá vai outra dose. Pudera. Nem se exige receita médica para alguém sair da farmácia de posse de uma dessas drogas curinga, quase uma panacéia para as mazelas infantis.

 

"Lamentavelmente, os anti-inflamatórios vêm sendo usados de forma abusiva, errada e sem critério", afirma Roberto Tozzi, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

"Sangramento gastrointestinal, toxicidade para os rins e o fígado, além de alergia, são os principais riscos do mau uso", enumera Sandra Oliveira Campos, pediatra da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. "E, quando o fígado ou os rins são afetados, pode haver desde uma alteração transitória de seu funcionamento até lesões graves."

 

Medicamento pode mascarar doenças sérias

Tudo bem, você pode até imaginar que é preciso dar muito anti-inflamatório para que a situação chegue a esse ponto. Mas há outra ameaça, esta bem mais corriqueira. A de mascarar doenças sérias, deixando que evoluam e aí o atendimento médico entra na história mais tarde do que deveria.

 

Essa classe de medicamento não atua na raiz dos males que acometem a criança. Seu papel é minimizar o mal-estar que eles provocam. Afinal, inflamação nunca foi sinônimo de infecção. Esta ocorre quando algum microorganismo nocivo contamina o corpo. Já a inflamação é a reação orgânica a alguma agressão, seja ela um trauma - como uma bela pancada -, seja ela a presença de um invasor, que pode ser um vírus, uma bactéria ou até mesmo um corpo estranho, como um espinho fincado na pele.

 

Em qualquer uma dessas situações, as células do sistema imunológico são convocadas para dar cabo do responsável pelos danos. Para que cheguem depressa, o fluxo de sangue aumenta na região problemática. Por isso mesmo, ela fica avermelhada e ligeiramente mais quente do que o restante do corpo. Então começam as batalhas e, nelas, o organismo usa armas como as moléculas de prostaglandina, que disparam dor e febre. A maioria dos anti-inflamatórios inibe justamente essa produção de prostaglandinas no local. Por isso, agem como analgésicos e antitérmicos.

 

São freqüentes os estudos que mostram o impacto dos anti-inflamatórios no corpo dos adultos. Alguns deles sacudiram a indústria farmacêutica, levando governos de diversos países, inclusive o brasileiro, a retirar alguns remédios do mercado. "Mas esses trabalhos que avaliam eficácia e segurança quase nunca contemplam crianças abaixo de 12 anos por questões éticas", esclarece Rogério Hoefler, do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (Cebrim).

 

Por não saber até que ponto o uso de alguns anti-inflamatórios na meninada seria confiável, a FDA, agência que fiscaliza o setor de medicamentos nos Estados Unidos, prefere a cautela de indicar a maioria desses medicamentos para quem já está crescidinho - com mais de 12 anos. "No Brasil, as recomendações variam conforme a droga e a existência ou não de estudos acompanhando pacientes pediátricos", compara Hoefler. Alguns são liberados só para adolescentes de 14 anos, outros recebem sinal verde a partir do segundo aniversário.

 


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