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Sem crise para ir à escola

Tita Belliboni Atualizado em 02.12.2011

A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!

Tita,

 

Meu filho André, de 4 anos, está fazendo birra, todos os dias, na hora de ir para a escola. Isso nunca aconteceu antes, mas, de um mês para cá, ele não quer ir para o colégio de maneira alguma, chora e não consegue dizer o porquê. Como devemos agir? Um abraço pra você e espero seu retorno.

 

Giovanna

 

Giovanna,

 

Precisamos conferir algumas informações para tentar entender e ajudar o André.

 

Se uma criança frequentava a escola com prazer e alegria e, de repente, começa a agir diferente, é sinal de que alguma coisa está acontecendo. Então vamos por partes para tentarmos descobrir.

 

Vou listar algumas perguntinhas para que você busque, nas respostas, alguma pista do problema:

 

- Saúde - Está tudo bem com o André? Tem alguma queixa de dor de barriga, dor de cabeça? Vocês já consultaram um oftalmologista?

 

- É possível que alguma dificuldade esteja incomodando a criança na realização de tarefas ou ela pode sentir algum mal-estar físico que não consegue explicar, o que a deixa insegura.

 

- Em casa, como vai o André com a família? Ele tem feito outro tipo de birra? Costuma recusar alguma atividade ou isso só se acontece na hora de ir para a escola?

 

- Como vão vocês, pais? Está acontecendo alguma situação atípica em casa ou no trabalho? Muitas vezes, quando a criança sente estresse, tristeza na família ou dificuldades no relacionamento dos pais, ela fica com receio de se ausentar.

 

- Como estão os horários de comer e de dormir?

 

- O André tem solicitado muito a sua presença?

 

- Vocês esperam um irmãozinho? Ele tem um irmão caçula, que, no momento, esteja causando ciúme?

 

Acontece muito de o pequeno ter um problema em casa e refletir sobre ele na escola, e vice-versa.

 

- Ele está cansado? Como é a rotina do seu dia?

 

- Tem aulinhas extras? Confira seu comportamento nas outras atividades.

 

- Houve alguma mudança na escola? Sala, professora ou um amigo querido que está se ausentando? Houve alguma briga?

 

- Procure a escola! Pergunte se a professora está notando algum comportamento estranho ou se, em alguma ocasião, seu filho se sentiu constrangido, ficou triste ou com medo.

 

- A professora o repreendeu? Algum amiguinho o destratou? Ele foi colocado à prova?

 

E o mais importante:

 

- Como ele se comporta na escola depois do choro, na hora da entrada, e como você o encontra no momento da saída?

 

Essas perguntinhas servem como um pequeno guia.

 

Alguma razão existe para essa mudança. Pode ser uma pequena dificuldade que, solucionada, não se transformará em um problema. E, mesmo que haja um problema, ele poderá ser sanado com cuidado e carinho.

 

O fato é que uma criança nem sempre consegue explicar, com organização e lógica, seus sentimentos, por isso reage com um comportamento não convencional. É uma espécie de pedido de socorro. Nunca devemos ignorar esses sinais. Se alguma das perguntinhas acima ajudou você a encontrar uma causa, o próximo passo é tentar solucionar, modificar ou corrigir a situação que provoca desconforto.

 

Não se aflija se for birra, não ignore se for ciúme, não descuide se for medo!

 

Faça um feriado se for saudade ou até preguicinha.

 

Observe com tranquilidade e converse bastante, brinque bastante, abrace mais ainda!

 

Não potencialize nem menospreze o problema.

 

E dê notícias quando tudo passar!

 

Abraço carinhoso,

Tita

 

 

Colunista

Tita Belliboni

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health

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