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Estabelecer uma rotina é a solução para o pequeno dormir cedo

Tita Belliboni Atualizado em 02.12.2011

A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!

Tita,

 

Tenho um filho de 1 ano e 3 meses que não adquiriu um horário regular para dormir à noite. Às vezes, ele adormece em torno de 21h30, às vezes 22 horas, 23 horas ou mesmo meia-noite. Meu marido insiste que é necessário estabelecer um horário limite para que ele durma, mesmo que chore no berço sozinho por 30, 40 minutos ou mais. Eu sempre faço nosso filho dormir com leituras, historinhas, músicas, mas, às vezes, ele demora bastante a pegar no sono. Qual a melhor forma de lidar com a situação? Há algum problema em deixar uma criança dessa idade chorar até adormecer ou ele deve dormir na hora em que quiser?

Tatiane

 

Tatiane,

Antes de qualquer coisa, é preciso que você e seu marido conversem bastante sobre a linha de educação que devem seguir. Existem vários métodos e há realmente aquele em que os pais deixam o bebê chorar por algum tempo até que se canse e perceba que não vai resolver e que os pais não vão aparecer. Outros casais fazem a opção de deixar a criança acordada até que fique exausta. E outros ainda conseguem encontrar um meio-termo, o que particularmente acredito ser o mais adequado.

 

Tudo depende muito de vários fatores, que devem ser considerados na conversa de vocês.

 

- Como é o quarto da criança? Ele fica, às vezes, durante o dia, brincando ali? É um lugar de que gosta?

 

- Qual é o biorritmo desse baixinho?

 

- A que horas acorda?

 

- Quais as atividades que faz durante o dia?

 

- Tem espaço para brincar, andar, gastar energia?

 

- Sua alimentação está correta?

 

- Qual o ritmo da sua casa?

 

- Existe uma rotina organizada?

 

- No dia a dia, há um tempo de cada um de vocês com o pequeno?

 

Todos esses fatores nos ajudam a construir nosso esquema, nossa rotina e nos dar segurança para adotar regras. Acredito que elas sejam importantes e que uma criança deva, sim, ter um horário mais ou menos estabelecido para dormir. E que essa hora não seja uma tormenta nem para o bebê nem para os pais, que também precisam ter um momento da noite só para eles. Uma criança que come bem, brinca gostoso e dorme suas horas de sono regularmente tem um desenvolvimento saudável e garante energia e bom humor para o dia seguinte. E a mesma coisa serve para os pais, que depois de uma noite sossegada têm mais paciência e disposição.

 

Seu filho ainda tira uma soneca durante o dia? A que horas ele toma seu banho? Qual o horário da última refeição? Cada criança reage de uma maneira: algumas relaxam com o banho, outras se excitam. Algumas precisam da soneca da tarde para garantir o sono da noite e outras, para dormir bem à noite, não podem fazer uma soneca muito longa ou até mesmo nenhuma.

 

Antes de estabelecerem essa regra – com certeza vocês vão conseguir dar um jeito nisto –, durante uma semana faça um diário das atividades e do comportamento do bebê. Isso vai ajudá-los a encontrar dados importantes. Até mesmo um pequeno detalhe pode contribuir imensamente para o sucesso dessa tarefa.

 

Se vocês estiverem confiantes sobre o que é o melhor para o bebê, qualquer que seja a linha que adotarem, dará certo. Mas lembre-se de que o pequeno por algum tempo vai testá-los e tentar fazer ao modo dele. Então saibam que constância e a segurança são essenciais para que ele possa compreender, aceitar e estar feliz.

 

É muito importante também que vocês expliquem sempre o que estão fazendo e, embora possa parecer que não entende, a criança estará registrando informações, sabendo os passos seguintes e aceitando a rotina mais facilmente. Ou seja: “Que delícia! Vamos tomar banho para ficar limpinho”, “ Vamos comer para ficar forte e poder brincar”, “Este é o quarto lindo do bebê com todos os brinquedos dele!”, “Este quarto é do papai e da mamãe!”, “Agora é hora de descansar, dormir gostoso para amanhã brincar!” etc.

 

Vá também dizendo sempre “agora” e “depois” para que a criança vá com o tempo se orientando e se preparando com mais tranquilidade para o próximo passo. Todos precisam de carinho e de limites. As crianças, para que se sintam amadas e seguras, e nós, para que possamos conduzir o processo de educar da forma mais leve e positiva. E isso de verdade acontece se eliminarmos os conflitos, tendo a certeza de que nesse meio-termo encontramos a maneira mais saudável de lidar com as pequenas dificuldades do dia a dia sem que seja preciso arrancar os cabelos ou fazer uma guerra na hora de dormir!

 

Boa Sorte! E dê notícias! Suas dicas também podem ajudar outras mães.

 

Abraço carinhoso,

Tita

 

 

Colunista

Tita Belliboni

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health

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