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Repreender, sim, mas comparar, jamais

Tita Belliboni Atualizado em 02.12.2011

A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!

Eu digo sempre que cada um de nós tem seu temperamento, seu ritmo, seu olhar particular para o mundo, suas capacidades e suas limitações. Ninguém é igual a ninguém! E, quando temos filhos, observamos que, embora vindos de um mesmo pai e uma mesma mãe e recebendo, portanto, a mesma educação e amor, formamos criaturas completamente diferentes.

 

Percebemos que podemos instituir os mesmos valores, cuidar e amar de forma igualitária e conduzir todos por igual pelo caminho do bem, mas “como” vão marchar é o traço de cada um que irá definir.

 

Algumas crianças começam a andar mais cedo que os outros, outras falam mais cedo. E é logo aí que aparecem as primeiras comparações. Não há o mais cedo ou o mais tarde, há a época certa dentro de um desenvolvimento normal e há, acima de tudo, o tempo de cada um. Se o mais velho falou antes de um ano e o caçula ainda não, não raro surgem as primeiras análises: “Nesta idade fulaninho já andava, já falava, já fazia...” Pronto! Começou!

 

Se você estiver usando demais o “já”, o “cedo”, o “tarde”, é sinal de que começou a comparar. Dessa forma, é inevitável que evidencie de forma positiva um filho e negativamente o outro. Parece bobagem, mas não é. Exatamente assim, ainda que sem querer, que começamos a reforçar a autoestima de um e rebaixar a do outro.

 

Cada um tem também o seu temperamento, o seu perfil, o seu desenho individual, único e encantador justamente por causa disso. Na vida, aprendemos a coexistir com as diferenças e a nos encontrar nas semelhanças. É isso que faz o movimento e a magia da convivência. Devemos aproveitar essas semelhanças e afinidades e, enquanto isso, aprender a respeitar quando nos deparamos com as diferenças dos outros. Afinal, é assim que lidamos também com os nossos limites, nos treinamos a compreender e ensinar que cada um é bom em determinadas coisas e pior em outras, e jamais o melhor em tudo. Entendemos que uns fazem de uma maneira e outros de outra porque cada um tem suas próprias ferramentas, seu jeito de dizer, fazer e interpretar. Resumindo: seu jeito de ser! Cada um segue seu caminho a seu modo. Uns vêm saltitando, dando risadas. Outros vêm mais quietinhos, sossegados. Uns fazem algazarra e folia por tudo, são mais sociáveis, e outros mais concentrados.

 

Cada um deve ser respeitado, aceito, amado e incentivado a usar suas ferramentas da melhor forma possível. Por que então os pais têm o vício ruim de viver comparando seus próprios filhos, seja entre eles, seja com os filhos dos outros? Vocês com certeza conseguem se lembrar de alguma coisa assim:

- Fulaninho, por que você não faz como o seu irmão?

- Sua irmã é muito mais organizada do que você!

- Sua irmã é muito mais comunicativa. Todo mundo gosta dela. Por que você é tão quieta e mal-humorada?

 

Quando uma observação pode servir de exemplo, é muito válida, mas devemos tomar muito cuidado para que ela não tenha o tom de reprovação, que, no lugar de orientar e ajudar, pode rotular uma criança e aumentar ainda mais uma dificuldade.

 

Como orientadores que somos – guias desse caminho –, temos que ter o cuidado para fazer cada um dos nossos filhos se sentir amado como é, embora façam parte a correção, a orientação e até o exemplo. E que, ao compararmos, quando inevitável, possamos deixar claro que estamos questionando, aprovando ou não as atitudes e não a criança em si.

 

O bonito não é o fato de a criança entrar numa sala e cumprimentar a todos só porque é uma regrinha social. O bonito é perceber que é importante e gostoso ser gentil com os outros da mesma forma que gostamos que sejam conosco. É esse olhar de correspondência, de respeito mútuo, que nos faz entender que somos iguais aos outros e ao mesmo tempo nos permite ser tão diferentes deles.

 

“Que possamos nos livrar da vaidade (meu filho já isto ou já aquilo, meu filho é o melhor da classe), que tenhamos mais satisfação do que orgulho, que não coloquemos o peso de serem perfeitos nem o fardo por não serem, que possamos de verdade amar cada criança ensinando a desenvolver suas capacidades e aceitar os seus limites e que sejam felizes pelo que fazem e não porque fazem melhor do que alguém.”

 

Colunista

Tita Belliboni

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health


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