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Palmadas?

Tita Belliboni Atualizado em 02.12.2011

A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!

O que é a palmada? No dicionário, encontramos a definição: dar pancadas com a palma da mão.

Bater, por sua vez, significa: dar pancadas.

Fica fácil e claro entender por que as tidas como inofensivas e educativas palmadas foram proibidas.

Educar é preparar para a vida ensinando a lidar com os sentimentos e a manter um comportamento correto. Concordamos todos que a agressão física é inadmissível, inaceitável e desnecessária. Significa, sim, ignorância, uso indevido e injusto do poder e da força. Todos nós concordamos com isso e tanto a nossa razão como o nosso coração de pais em sã consciência jamais apelariam para esse recurso.

 

Por quê, então, constatamos na história que tanto as palmadas como as palmatórias foram usadas como artifícios da educação? Não foi melhor punir do que deixar passar sem corrigir? Vamos por partes: antigamente, o diálogo entre adultos e crianças era inexpressivo e insuficiente. A educação acontecia na base do medo e não do respeito. Quantas gerações, infelizmente, viveram tão distantes dos seus pais? Quanto sofrimento gerado, tanta afetividade desperdiçada, tantos conflitos desnecessários pela ausência da intimidade e da amizade. A maioria dos pais era repressora, autoritária e dominadora e o medo guiava a submissão.

 

É bom falar em autoridade. Ela realmente precisa e deve existir. Falamos da autoridade que cabe a quem tem mais conhecimento, mais vivencia e, portanto, está no papel de educador, enquanto o educando vai armazenando condições e possibilidades de crescimento, valores e ferramentas para se tornar independente.

 

Essa tal autoridade está comprometida nos dias de hoje também pelo medo. Dessa vez, pelo medo de os pais imporem regras e limites. De dizerem não aos filhos!

 

“Não” – coerente, consistente e constante. Permitir ficou negociável e todos, crianças e adultos, se perdem nesse processo. E como acontece com todos os seres do planeta, quando não conseguimos controlar uma situação de frustração ou desaponto, de irritação ou outra vez de medo, o instinto confunde a mente, que se cansa e apela para o físico.

 

Então percebemos que o problema acontece bem antes da discussão da palmada, que infelizmente não se manteve naquele “tapinha” na mão quando a criança tentava colocar o dedinho na tomada. Os pais ficaram sobrecarregados e, na maior parte das vezes, o tapa acontece com força indevida, no momento errado, pelas razões erradas. Não é um tapa usado para corrigir, mas para fazer parar. A palavra ficou fraca, o exemplo inconstante, o cansaço frequente, o “não” também sem força e assim temos visto, sem dúvida, exemplos exacerbados de agressões no lar.

 

Não posso dizer que nunca dei uma palmada nos meus filhos, mas posso dizer, sim, que eu teria outra alternativa e aí me lembro bem dos “banhos frios” dados pela minha mãe e dos castigos que ela mantinha tão severamente que me faziam pensar bastante antes de “aprontar”.

 

Tenho absoluta certeza de que se nos dedicarmos à educação dos nossos filhos sendo coerentes com aquilo que dizemos, mantendo regras, rotinas, apoiando, incentivando, compreendendo, dando liberdade para que sejam felizes, mas realmente impondo limites, a palmada deixará de ser usada não porque foi proibida, mas porque foi entendida como uma atitude covarde, errada e desnecessária. A criança será capaz de compreender que os pais estão no comando sem agressão, e uma relação de confiança, segurança e respeito criará as bases para a sua formação.

 

“Colocar uma criança no mundo exige amor e paciência, mas acima de tudo exige consciência!”

 

Colunista

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health

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