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Meu pai casou de novo

Tita Belliboni Atualizado em 02.12.2011

A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!

A hora da separação do casal é complicada e a preocupação maior é a de que as crianças passem por isso com a menor quantidade de traumas e sofrimento. Depois dessa fase, vem aquela na qual um dos pais começa a namorar.

 

A entrada dessa pessoa nova deve ser feita com mais cuidado ainda para que efetivamente ela possa ser vista como um adulto amigo e não o substituto ou a “bruxa”, como diz uma menininha que conheço falando da namorada do pai.

 

Todos têm o direito de procurar novamente a felicidade, reconstruir sua vida afetiva, ter outros filhos. Porém é essencial não esquecer que uma relação de casamento termina, mas o espaço que a criança ocupa como filho deve estar garantido e ela precisa de sinais concretos para perceber isso. Se o pai passa a incluir a namorada nos programas do final de semana, que antes era só dela, que o faça gradativamente. Não imponha a simpatia imediata nem faça dessa moça a nova princesa tão declaradamente. É difícil na cabeça dos pequenos assistir alguém ficar no lugar da mãe. Isso serve tanto para o pai como para a mãe. É que geralmente os homens refazem sua vida mais depressa e, na maior parte das vezes, perdem o convívio diário e acompanham menos a reação das crianças.

 

Não há uma cama para ela e tudo é adaptado quando dorme lá. A leitura que a menina faz é de que, se não há nem um canto seu no apartamento, ela não faz parte dessa família. Muitas vezes, no impulso de resolver a nova vida de forma mais prática e também no intuito de agradar a todos – o que não é realmente fácil –, achamos que as crianças não percebem alguns detalhes e que nós, adultos, é que complicamos tudo, mas de verdade não é bem assim. Nos pequenos detalhes é que temos a oportunidade de traduzir nossos sentimentos e até evitar muitos discursos e longas explicações.

 

Assim, deixem sempre claro que essa criança ocupa um lugar sem concorrência. E, ao respeitar e garantir sua segurança, também estarão ensinando a respeitar o lugar dos outros, como o novo namorado, o filho da namorada, o irmãozinho que vai chegar. Com tolerância, coerência e ternura, podemos criar novos vínculos sem tantos conflitos.

 

Nessa nova casa, deve haver permanentemente o lugar dos filhos. Se o discurso dos adultos é “agora você tem duas casas”, ele deve ser fato. E, mais do que o lugar no lar, o pequeno deve ter a certeza do seu espaço no coração daqueles pais que, independentemente de estarem juntos, sabem com maturidade compreender o medo, o ciúme e até a culpa que a criança sente de gostar dessa nova pessoa e assim talvez estar traindo o pai ou a mãe.

 

Quando os dois lados estão realizados e felizes, é mais fácil, mas muito raramente isso acontece ao mesmo tempo. A palavra certa nesta situação é “cuidado”. Cuidado para não fazer sofrer, para explicar, para apresentar e incluir esses novos parceiros. Cuidado com a confiança que a criança deposita no nosso amor. Quando temos prudência e certeza de que estamos nos valendo dos nossos direitos e traçando caminhos corretos, precisamos apenas desse cuidado e da delicadeza, que tornam possível que qualquer situação nova seja tratada com naturalidade e leveza.

 

Colunista

Tita Belliboni

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health

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