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Olhar nos olhos

Tita Belliboni Atualizado em 02.12.2011

A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!

Pode parecer tão comum ou apenas um detalhe, mas olhar nos olhos do outro quando se fala e também quando se escuta é extremamente importante em qualquer momento da nossa vida. Tenho isso como princípio e até como um valor que traduz o respeito por qualquer relação. Na educação dos nossos pequenos, isso é essencial.

 

Os primeiros contatos que mantemos com nossos filhos se estreitam na nossa forma de olhar para eles. Um olhar pode traduzir afeto, como um abraço, e também pode mostrar desaprovação sem a necessidade de estar acompanhado de palavras.

 

Ao olhar nos olhos, estamos dizendo: estou prestando atenção no que você me diz. E mais ainda: estou realmente prestando atenção em você! Adotei isso como regrinha aqui, em casa, e me lembro bem de repetir inúmeras vezes aos meus filhos:

 

Quando alguém falar com você, não olhe para baixo.

- Quando estiver falando com alguém, olhe nos olhos dessa pessoa.

- Os nossos olhos são como uma portinha que, com transparência, mostra também nossos sentimentos.

 

Meus filhos, como vocês sabem, são dois jovens hoje e continuo repetindo que mantenham essa ligação com o mundo aqui fora quando estão imersos no computador, iPods, iPads etc.

 

Com as crianças, acontece a mesma coisa: quando estão na TV ou nos jogos eletrônicos, parece que a comunicação se restringe à fala. Todos fazem mais de uma coisa ao mesmo tempo e temos que repetir normalmente duas ou três vezes o que foi dito porque passou sem registro no meio de outras atividades.

 

Tantas informações cruzam e comprometem esse circuito e perdemos muito com isso. Perdemos a chance da atenção, da integração, da interação. Perdemos e desperdiçamos o valor que se estabelece e a ligação que se cria ao simples olhar nos olhos.

 

Outro dia, uma mãe comentou que me ouviu dizendo que, ao falar com uma criança, deveríamos, na medida do possível, nos abaixar para tentar ficar mais próximos. Disse que nunca havia pensado nesse detalhe e que agora estava louca pra ter netos para reparar essa falha. Aproveito pra dizer que não foi falha, mas que é um recurso tão simples quanto importante e que nos ajuda e muito na relação e na educação dos pequenos.

 

Se você ouve o que uma criança fala, ela aprenderá a escutar. Se respeitar suas necessidades, ela aprenderá a respeitar as suas. Vocês já viram alguma cena da criança praticamente tentar arrancar a roupa dos pais pra que eles a atendam? Começam aqueles incessantes “Pai, pai, mãe, mãe, manhê!”.

 

Se você deixar que ela espere muito tempo sem uma explicação, ela ficará ansiosa e é como se dissesse: ei, dá para dar uma paradinha nessa conversa e prestar atenção em mim, aqui, embaixo?

 

Vamos lembrar que tudo tem uma medida e que ela deve ser explicada. Aprender é a chave e para isso repita muitas vezes:

- Quando a mamãe estiver no telefone, espere um pouquinho.

- Quando eu estiver conversando com outra pessoa, aguarde.

 

Se a criança estiver sendo respeitada, atendida, ouvida, ela vai aprender a seu tempo a fazer o mesmo e pouparemos um estresse desnecessário.

 

Eu garanto que se olhar nos olhos for uma prática comum – e deliciosa –, em muitas ocasiões os sinais serão dados apenas com o olhar.

 

Tente. Vale a pena! Olhe nos olhos contando uma história. Olhe nos olhos quando ensina uma coisa importante. Olhe nos olhos quando ela te conta alguma coisa que fez ou aprendeu. Olhe nos olhos para dizer não. Olhe nos olhos porque o mundo fica muito pequenininho quando se olha para o chão. E olhe nos olhos muitas vezes pra dizer: “Filho, te amo, te amo, te amo muuuito!”

 

 

Colunista

Tita Belliboni

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health

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