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O irmão mais velho
A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!
Até há outro dia, Bruno era o bebê da casa e de repente, com a chegada do irmãozinho, ele virou o “irmão mais velho”. Nesse momento, e daí para a frente, começam as exigências para ceder, entender e entregar seu brinquedo favorito para o caçula porque, afinal, ele é “maior”.
Já não bastava ter que dividir tudo ao seu redor. De uma hora para outra, todas as atenções são dirigidas para o nenê e a prioridade é a regalia do mais novo.
Vamos por partes: dividir é importante, ceder também, compreender sempre, mas não porque se é o mais velho ou o maior, mas porque o certo é o certo para qualquer idade.
Vejo e escuto com frequência os pais pedirem ao primeiro filho que dê o exemplo e, muitas vezes, percebo também que estabelecem padrões de comportamento de acordo com essa ordem. O importante é educar, atender e amar, respeitando, claro, o momento de cada um, mas sem prejudicar ou pretender que aquele pedaço de gente de 3 anos seja capaz de compreender o que, afinal, significa ser mais velho.
Ele se entende apenas como criança e assim deve ser tratado.
Deixar o irmão brincar com o seu brinquedo vale porque aprender a dividir é essencial e não porque o menor merece mais. O menor bate no mais velho, que não pode revidar porque, afinal, o “ele é muito maior” foge do princípio de que simplesmente bater não é correto independentemente da idade.
A relação de irmão deve ser preservada como uma das mais gostosas desta vida e muitas vezes se perde no ciúme, que, além do natural, carrega o peso desnecessário da injustiça. Não é justo sobrecarregar o primeiro filho e, se pensarmos bem, todos os pais já fazem isso de alguma forma. Nossa ansiedade, nossa expectativa e nossa falta de experiência com certeza nos fazem errar mais com o primeiro do que com os outros filhos.
O exemplo deve vir dos pais, a educação cabe a eles, como cabe orientar a brincadeira, a folia, a amizade e o amor entre irmãos. Da mesma forma, não devemos relevar atitudes erradas do mais velho porque ele está morrendo de ciúme com a chegada do irmão. Não temos nenhum “coitadinho” nessa história. Temos, sim, crianças sortudas por terem com quem dividir as regalias e as tarefas e, acima de tudo, pessoas queridas que caminharão sempre lado a lado pela vida.
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Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health
































