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Como dividir o tempo entre o bebê e o filho mais velho
A pedagoga Tita Belliboni* tira as suas dúvidas. Você também pode participar ao mandar a sua história sobre a educação e o comportamento infantis. Escreva para a gente!
Tita,
Tenho dois filhos, o mais velho tem 3 anos, e a bebê, 3 meses. Eles têm exatamente três anos de diferença. O fato é que o mais velho já passou pelas diversas fases do ciúme. Primeiro, me agredia bastante, inclusive na hora da amamentação, depois voltou a fazer xixi na cama, alternando com o terror noturno. Agora, não quer se alimentar, só aceita comer “tranqueiras”, sem falar que tem dias que só quer ficar na casa da avó. Não sei mais o que fazer, pois, apesar de conversar bastante, sei que ele está sofrendo... Para piorar, o pai passa a semana viajando a trabalho. Tento estabelecer uma rotina para os dois, pois sei que é necessário, mas, devido à ausência do pai, fica muito difícil, sem falar do cansaço físico e mental. O que posso fazer para melhorar este quadro?
Cliciane
Cliciane,
Não é fácil mesmo, mas não é impossível! Antes de tudo, fiquei preocupada com seu cansaço e é dele que temos que cuidar primeiro. Já escrevi aqui sobre a “Máscara do avião”, que tomo como exemplo para várias situações na nossa vida. Como é que a gente pode acudir alguém sem forças e condições para isso? Já passei por essa fase e sei que não é fácil conciliar todas as necessidades: casa, bebê, mamadas, outro filho... E gostaria de dar algumas dicas, que, espero, possam ajudá-la.
Tenha em mente que seu filho mais velho não está SOFRENDO. Está sim se adaptando a uma nova situação e você deve lembrar sempre que um irmão é um grande presente – mesmo que leve algum tempo para que se acredite nisso. A coisa mais gostosa da vida é dividir, compartilhar, repartir e assim somar. Mesmo que no início, e é bastante normal, o primeiro filho estranhe e reclame. Afinal, até aquele momento, tudo era só dele! Pai, mãe, atenção, espaço etc. Se você realmente acreditar e tirar esse peso e culpa das suas costas, vai parar de compensá-lo e deixar de reforçar esse sentimento de prejuízo. É supersaudável que ele esteja se manifestando e não embutindo essas sensações. Por meio delas, ele está “gritando” seu desapontamento, suas dificuldades, seu ciúme e suas emoções.
Se o pequeno está chamando a atenção de todos, ele também quer. E a maneira mais fácil de fazer isso é também imitar o bebê: xixi na cama, não querer comer direito, fazer birra etc. Reforce mais o lado positivo para que ele perceba que chama mais a sua atenção com aquilo que já pode e já sabe fazer, por ser crescidinho, do que pelas coisas negativas.
Cuidado com a chantagem da comida! A gente sempre acha que filho tem que comer e acaba cedendo às guloseimas. Não ceda naquilo que você acha que faz parte dos cuidados e da educação porque pode acabar perdendo o controle. E os limites que damos aos nossos filhos significam segurança e amor.
Quando orientamos e até mesmo repreendemos uma criança, dando esses limites, estamos dizendo muito mais alto “eu te amo” do que quando deixamos que faça a sua maneira. Abrace muito, converse, brinque, mas não perca as rédeas. E não permita nunca que a agrida. Você pode pedir que a ajude com o bebê, com tarefas simples, mas que o farão se sentir importante e necessário. E, enquanto isso, repita o quanto o ama e agradeça por ajudá-la. Mas tome cuidado para que não se sinta responsável por ser mais velho. Ele ainda é uma criança, que, como a outra, precisa de cuidado, atenção e afeto.
Ele vai para a escola? Coloque um bilhetinho na mochila ou na lancheira com alguma guloseima que ele adore. Nessa hora vale! Mas não como substituto da refeição. Faça esses carinhos ao mesmo tempo que continua a impor limites e ensinar o que é correto. Aquilo que é certo é certo sempre, independentemente do momento que vivemos ou do nosso estado de espírito. É importante que a sua palavra tenha esse peso de confiança. É isso que orienta uma criança e estabelece a sua forma de lidar com as novas situações, mesmo com as que não a agradam.
Você tem alguém que possa ajudá-la? Se ele gosta tanto de ficar com a avó, organize essas visitas e essa ajuda tão preciosa – também vale muito, mas não como fuga. Não tente carregar mais peso do que é possível e lembre que a Mulher Maravilha é pura fantasia!
Nesse período da vida da gente, algumas coisas não vão ficar exatamente como gostaríamos, mas se poupe um pouco para ter mais energia. Você é uma só pessoa para cuidar de tudo e de todos. Então estabeleça prioridades e deixe o que pode ficar para depois. E acredite: você mais sossegada e descansada – eu sei que é complicado –, uma rotina mais organizada e a alegria de ter esses pequenos vão fazer este momento passar mais depressa do que você imagina.
Abraço carinhoso,
Tita
Colunista
Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health
































