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Brincadeira de menino, brincadeira de menina

Tita Belliboni* Atualizado em 02.12.2011

O Pedro quer dar banho na boneca e o papai torce o nariz. Isabella só gosta de carrinhos e a mamãe prefere os lacinhos. Calma gente, está tudo bem: brinquedo de menino é de menina também!

O brinquedo é apenas o veículo que a criança usa para se divertir. Vale mais a brincadeira do que o objeto. Os próprios fabricantes já descobriram isso e colocam nas prateleiras uma infinidade de bonecas com acessórios como carro, barco e moto...

 

Uma criança pequena e saudável transita pelo universo feminino e masculino com naturalidade e brinca tão bem com a bola quanto com a boneca, embora já possa perceber seus itens prediletos. À medida que vai crescendo – e a divisão natural entre os sexos comece a surgir –, encontra e compartilha afinidades com os clubes do Bolinha ou da Luluzinha.

 

Até lá, o que importa é se o pequeno está à vontade com as atividades. É muito comum, por exemplo, que as crianças fujam do que é mais difícil. Um menino pode dizer que não gosta de futebol quando não tem em campo o melhor dos resultados. A menina, por sua vez, pode preferir jogar bola a colocar aqueles minúsculos sapatinhos e fivelinhas nas bonecas se a sua coordenação motora (muito exigida para essas pequenas tarefas) ainda não se desenvolveu plenamente.

 

Se a criança recusa brincadeiras que seriam naturais para a sua idade, aí sim vale a preocupação. Se não é esse o caso, deixe-a brincar livremente e não coloque minhocas na cabeça dela. Quanta bobagem a gente diz para os pequenos desde cedo. Cuidado! Os preconceitos nascem assim. E lembre que tudo aquilo que é proibido não deixa de ser instigante, de chamar mais a atenção, de ser mais desejado ainda.

 

Por isso, observe e divirta-se com seus filhos. Isso é fundamental para conhecê-los melhor, perceber as suas capacidades e seus limites. Só assim você poderá incentivá-los e corrigi-los. Por meio de jogos e tantas folias, os medos podem ser reconhecidos e, com paciência, podemos ajudar nossos pequenos a lidar melhor com eles.

 

Estamos no século 21! A mamãe dirige o carro e trabalha como o papai, que também dá banho no nenê, ajuda na cozinha, escolhe a decoração da casa. Queremos mais que igualdade: queremos companheirismo, colaboração e liberdade!

 

Liberdade para ser, para escolher, para criar, para saborear a vida sem tantas neuroses desnecessárias. E ensinamos a liberdade e o respeito quando deixamos nossos filhos buscarem as atividades mais próximas de seus interesses, sua idade e sua personalidade. Quando deixamos a vida ser mais leve e não antecipamos preocupações.

 

Desenho, pintura, massinha, livrinhos, filminhos, videogames, esporte, bicicleta, corrida e dança são modos de entretenimento. De menino ou de menina?

Diferença não tem! São gostosos, são saudáveis. São brincadeiras de criança.

 

Colunista

Tita Belliboni

Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga  e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health

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