Alimentação
Tempo certo de amamentação
Amamentar de três em três horas ou sempre que o bebê chora? Esta é uma dúvida frequente. Para garantir uma boa amamentação, saiba o que os especialistas dizem
"Atualmente, a mãe é aconselhada a dar o peito sempre que seu filho solicitar", responde a pediatra Valdenise Tuma Calil, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Isso quer dizer que não é preciso se angustiar com os choros famintos para estabelecer uma rotina alimentar. "O bebê deve mamar quando e quanto quiser. Dessa maneira, ele aprende também a lidar com a saciedade, o que reduz o risco de obesidade no futuro", diz a pediatra.
A recomendação de alimentar o bebê em intervalos certos de três horas era muito comum há alguns anos. Hoje, entende-se que ela se enquadra melhor quando a mãe não está amamentando no peito e a criança faz uso de fórmulas infantis. "As fórmulas têm digestão mais difícil quando comparadas ao leite materno. Por isso, o esvaziamento gástrico e a sensação de fome podem demorar mais", explica Marcus Renato de Carvalho, diretor da Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação e coordenador do site Aleitamento (www.aleitamento.com). "Recomendamos que os pais se esforcem para reconhecer os sinais de fome e aprendam a diferenciá-los de outros tipos de choros", diz Marcus.
As vantagens
A mudança de opinião dos pediatras se baseou nas vantagens que a liberdade traz. "Geralmente, a criança que mama quando quer perde menos peso depois do nascimento e estimula mais a lactação da mãe", diz a pediatra Valdenise. A mamada livre também previne a dor e o endurecimento da mama pelo leite congestionado e colabora para conter a ansiedade do bebê que prejudica todo o processo. "Quando a criança vai com muita fome e vontade é comum que ela machuque o seio da mãe", completa Valdenise.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o leite materno deve ser oferecido até os seis meses como única fonte alimentar. Depois, ele deve ser mantido em paralelo com papinhas e outras alternativas até os dois anos. No Brasil, os números indicam que esta recomendação está longe de ser seguida. "Em média, as mulheres conseguem amamentar apenas até os dois meses", relata Valdenise.
































